Futuro da medicina envolve medicamentos de combinação de DNA, diz presidente do grupo Farma Brasil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A atuação do BioBrasil na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) para a criação de um centro especializado na área lança bases para a construção de uma indústria de biotecnologia que deve projetar o Brasil para o mercado global de biofármacos. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (16/09), por Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo Farma Brasil.

Ele participou do 1º Workshop da Bioindústria, uma iniciativa do BioBrasil e do Senai-SP que reuniu nesta manhã representantes da indústria farmacêutica nacional e internacional.

“O resultado dessa reunião vai ser o melhor possível. O fato de a Fiesp e do Senai-SP estarem preparando as bases para que o Brasil efetivamente tenha uma indústria de biotecnologia capaz de atender o país e o mundo inteiro com padrões de classe mundial será um marco na história da indústria brasileira”, afirmou Arcuri, presidente do grupo que reúne os principais laboratórios do país.

Segundo o executivo, o futuro da medicina envolve medicamentos de combinação de DNA, ou seja, os biofármacos, os quais devem combater doenças variadas. “O Brasil ainda não produz em escala industrial esse tipo de medicamento, mas já demonstrou que é capaz de fazer isso através do programa de imunização da população brasileira com vacinas que é um dos mais bem sucedidos no mundo”, afirmou.

O presidente do Grupo Farma Brasil avaliou, no entanto, que o principal desafio para instalação efetiva da bioindústria no país é a capacitação técnica dos profissionais que estarão envolvidos não apenas com pesquisa e inovação, mas, sobretudo, com os técnicos que vão operar os processos de produção dos medicamentos.

“Você está trabalhando com a produção de determinadas proteínas ou enzimas a partir de células vivas, então é algo de outro patamar na produção”, alertou Arcuri.

Identificando competências

Ao liderar os debates do 1º Workshop da Bioindústria, Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do BioBrasil e diretor do Comitê de Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) na Fiesp, afirmou que a prioridade agora é mapear as competências do setor de biotecnologia nos diversos institutos que atuam no Brasil. Um deles é o Instituto Butantan, em São Paulo, reconhecido mundialmente pelo desenvolvimento de vacinas e soros.

“Encontramos competência no Butantan? Vamos verificá-la e assim por diante com outros institutos. Se a gente conseguir identificar essa base instalada, o Senai-SP tem toda condição de entrar com sua competência para formação de profissionais”, afirmou Giacomazzi.

Com o objetivo de estimular a competitividade do setor, o Senai-SP  e o BioBrasil assinara em julho um protocolo de intenções para a construção do Centro Senai-SP de Biotecnologia.

Também presente no workshop, o assessor do diretor do Butantan, Ivo Loyola, sinalizou interesse do instituto em contribuir para a formação de profissionais para trabalharem na bioindústria.

“A formação de mão de obra é urgente”, disse Loyola. “Podemos ter algumas coisas que facilitem a implantação dessa escola”.