Rodovias e ferrovias em debate no grupo de trabalho do Deconcic da Fiesp

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Para discutir as obras rodoviárias e ferroviárias no Brasil, foi realizada, nesta segunda-feira (07/07), a reunião do Grupo de Trabalho de Responsabilidade com o Investimento do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Especialistas do setor destacaram como principais dificuldades  as desapropriações, o licenciamento ambiental e a estrutura do governo.

Os convidados da reunião foram Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) e Tarcisio Gomes de Freitas, diretor-executivo do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Tranportes (Dnit).

Afirmando que o crescimento do Brasil está ligado ao desenvolvimento da indústria e das ferrovias, o presidente da Abifer apresentou números da indústria ferroviária. Segundo ele, o setor investiu R$ 1,5 bilhão entre 2003 e 2013. Para 2014 e 2016, serão de R$ 400 a 600 milhões investidos em ampliação e modernização das instalações fabris existentes, novas fábricas, aplicação de novas tecnologias e treinamento de mão de obra. 

Para Abate, a saída para disciplinar a contratação de obras é o governo assumir as desapropriações e a obtenção de licenças ambientais (prévia e de instalação), encaminhando a execução de projetos de infraestrutura para a iniciativa privada. 

Abate: execução de projetos de infraestrutura a cargo da iniciativa privada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Abate: execução de projetos de infraestrutura a cargo da iniciativa privada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O diretor-executivo do Dnit destacou a necessidade de ter órgãos específicos para administrar cada modal, com a autarquia voltando a ser exclusivamente rodoviária. “Não existe possibilidade, em um país de dimensões continentais, de ter uma autarquia que trabalhe rodovia, ferrovia e hidrovia”, disse.  “Isso não tem dado certo e a gente continua com uma matriz desequilibrada e predominância do modo rodoviário.”

O diretor defendeu uma “revolução” para resolver os problemas que afetam diretamente as obras do setor. Além das questões ambientais, ele também citou orçamento referencial, tributação e mão de obra como entraves.

“Para destravar a infraestrutura do país, a gente precisa de uma revolução. Porque é preciso mexer em licenciamento, no controle, no orçamento, na capacitação, na tributação, no judiciário, ou seja, praticamente tudo”, afirmou Freitas. 

A reunião foi coordenada pelo diretor titular adjunto do Deconcic, Manuel Carlos de Lima Rossitto.

A reunião do Deconcic: crescimento do país ligado ao setor de transportes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A reunião do Deconcic: crescimento do país ligado ao setor de transportes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp