Brasil vai demandar 30 milhões de habitações nos próximos 12 anos, diz professor da FGV

Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento social brasileiro, com aumento de consumo e geração de novas demandas, é resultado de um ciclo virtuoso positivo, segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando Garcia.

A afirmação foi feita na última segunda-feira (30), durante exposição de um cenário de crescimento econômico e demográfico para o Brasil, na segunda reunião do Grupo de Trabalho de Habitação do Comitê Estratégico Técnico do Construbusiness, do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp. “Com o projetado crescimento do PIB em mais de 5% até 2022, o Brasil vai entrar para o mapa das oportunidades mundiais”, declarou Garcia.

Ele ressaltou que o setor vem batendo recordes de crescimento e de contratação de mão de obra, impulsionados, principalmente pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns itens da cadeia produtiva da construção.

O professor da FGV acredita que a construção civil e o petróleo [pré-sal] serão os grandes atores do crescimento nos próximos 12 anos, se o preço do óleo mantiver sua tendência de aumento. Além disso, ele confia que a Copa do Mundo e as Olimpíadas trarão investimentos para o setor de serviços, comércio e indústria leve, colocando assim a indústria brasileira em posição de competitividade.

“A construção civil deverá crescer 6% ao ano acima do PIB”, Garcia preconizou lembrando, no entanto, que existem ameaças a esse cenário positivo. “Os preços da energia elétrica e do gás natural, por exemplo, podem comprometer as indústrias de cimento, vidro, plástico e metais não ferrosos, já que estes setores consomem muita energia em seu processo produtivo”, pontuou.

Garcia apontou como fator crítico, também, a mão de obra, que, conforme ele, está se tornando escassa na mesma proporção em que os salários aumentam. “Esses fatores podem provocar risco de desindustrialização ou desintegração em alguns setores”, alertou.

O coordenador do GT de Habitação, João Cláudio Robusti, informou que o Grupo vai traçar as metas para o setor de habitação, que integrarão a Agenda de Estado, com projeções até 2022. Elas serão encaminhadas aos poderes Executivo e Legislativo.