Safra Brasileira de Grãos

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Mensalmente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulga boletins com os indicadores do agronegócio e da indústria de alimentos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), em seu primeiro levantamento para a safra 2018/19, estima incremento em área, produtividade e produção brasileira de grãos. As informações deste levantamento ainda são incipientes e retratam apenas a intenção de plantio dos produtores rurais e foram coletadas durante o início das operações de preparo do solo e plantio, por isso é divulgada com intervalos (limite inferior e superior). Portanto, reforçamos que a área (bem como a produção) estimada neste levantamento deverá sofrer alterações. Veja os destaques.

Para ter mais informações acesse a última versão.

Os outros informativos periódicos produzidos pela Fiesp são: IPCA Alimentação e Bebidas (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Balança Comercial do Agronegócio, Safra Mundial de Milho, Safra Mundial de Soja, Crédito Rural Brasileiro e Preços das Principais Commodities do Agronegócio.

Empreendedores do agronegócio premiados pelo Rally da Safra na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A noite desta terça-feira (01/04) foi de reverência aos empreendedores do agronegócio nacional. Para fechar as atividades do Rally da Safra 2014, levantamento com projeções da safra de grãos no país, foram premiados os destaques do setor em cerimônia realizada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento teve a participação do diretor da Agroconsult, André Pessoa, que apresentou os resultados do estudo de campo realizado este ano. A consultoria é a responsável pela iniciativa.

Além disso, estiveram presentes na ocasião o segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Nery Geller, o membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e o diretor titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Benedito da Silva Ferreira.

“O André Pessôa, como um verdadeiro bandeirante, adentrou as áreas de plantio do país para fazer o Rally da Safra”, disse Ometto.

De acordo com o segundo vice-presidente da Fiesp, 24% da representação da entidade está ligada à indústria de insumos e alimentos. “Temos uma grande vocação na área”, disse. “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas”.

Ometto: “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil, todas as nossas posições são construtivas”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Ometto: “Estamos aqui para trabalhar para o Brasil”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Segundo diretor titular do Deagro, as condições enfrentadas pelos produtores rurais muitas vezes são “adversas”. “Por isso a importância de iniciativas como essa: a cada edição do Rally da Safra nos sentimos mais motivados a estreitar essa parceria”.

Em sua apresentação, Pessôa lembrou que o Rally é um esforço no sentido de “reduzir a assimetria das informações no agronegócio”. “Percorremos 65 mil quilômetros de praticamente todas as regiões do país, mobilizando uma equipe de 112 pessoas e envolvendo 2,2 mil produtores”, afirmou.

Ao longo do levantamento feito pelo Rally da Safra, conforme Pessôa, até mesmo as condições das estradas e as características físicas e nutricionais da soja no Brasil foram consideradas.

Quem tem compromisso

Para o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é preciso ajudar a “reduzir os gargalos que atrapalham o desenvolvimento”. “Temos que trazer para dentro do agronegócio quem tem compromisso com a produção”, disse Geller.

Geller: para promover a inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Geller: foco na inovação tecnológica. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“No ministério, estamos focados em trazer conhecimento para ajudar a resolver problemas”, afirmou. “Não é só disponibilizar recursos, mas também promover programas de acesso à inovação tecnológica”.

O homem que empurra o barco

Alvo da homenagem especial do prêmio Rally da Safra 2014, o fundador do Grupo Manah, de fertilizantes, Fernando Penteado Cardoso, emocionou a plateia ao destacar a “força humana” do agronegócio. “Parabenizo todos os premiados pela sua eficiência”, disse. “Que continuem a representar a força humana da nossa agricultura. A qualidade do homem que empurra o barco é muito importante”.

Representante do Grupo Bom Jesus, do Mato Grosso, na cerimônia, Nelson Vígolo recebeu o prêmio de “Produtor do Ano”. “Essa é uma grande satisfação para mim e para a minha família, que acreditou no cerrado e na produção de soja”, disse. “O Brasil é gigante na agricultura e pode crescer bem mais”.

Já a jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, destacada com o “Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo”, fez questão de citar a sua história pessoal com o campo. “Fiquei mais do que envaidecida e orgulhosa com esse prêmio: sou da primeira geração da família Bridi que nasceu fora da lavoura”, contou. “Foi a expansão da lavoura no país que mudou o meu destino”.

Para Sônia, é importante lembrar que existe um Brasil agrícola “eficiente e de altíssima produtividade”.

Confira abaixo a relação completa de premiados pelo Rally da Safra 2014:

Produtividade

Irmãos Cambruzzi (SC)

Excelência Agronômica

Geraldo H. Morsink (PR)

Gestão da Propriedade Agrícola

Fazenda Progresso (PI)

Produtor do Ano

Grupo Bom Jesus (MT)

Prêmio Régis Alimandro de Jornalismo

Gustavo Bonato – Thomson Reuters

Prêmio Especial Régis Alimandro de Jornalismo

Sônia Bridi – Rede Globo

Homenagem Especial

Fernando Penteado Cardoso (Fundador do Grupo Manah, de fertilizantes)

O Rally da Safra

Iniciado em 2004, o Rally da Safra vai a campo, todos os anos, para avaliar as condições das lavouras de soja e milho no Brasil. A expedição é realizada entre janeiro e março. O roteiro é escolhido com o objetivo de percorrer os principais polos produtores.

Com irregularidades climáticas, produção de grãos do Brasil não será recorde

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A safra 2013/2014 de grãos do Brasil deve ficar em 188,1 milhões de toneladas, contra 189,5 milhões de toneladas produzidas no ano passado, segundo números do levantamento Rally da Safra 2014.  O resultado é menor que o projetado por especialistas do setor, cujas expectativas apontavam para até 200 milhões de toneladas, e se distanciou do esperado recorde de produção do país. Os números foram apresentados na tarde desta terça-feira (01/04), em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Não é safra recorde, bateu na trave. A gente chegou a especular 200 milhões de toneladas e esse ano não chegará a 190 milhões”, afirmou André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult, ao divulgar os resultados do Rally da Safra 2014. A consultoria é a responsável pela iniciativa.

Este ano, o Rally levou cinco equipes para analisar amostras de soja e três dedicadas à avaliação do milho no verão e na safrinha. Foram percorridos 65 mil quilômetros pelo país, com 112 pesquisadores. Ao menos 2,2 mil produtores foram ouvidos. O Rally colheu 726 amostras de soja e 224 amostras de milho.

A apresentação dos resultados do Rally da Safra na Fiesp: 2,2 mil produtores ouvidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A apresentação dos resultados do Rally da Safra na Fiesp: 2,2 mil produtores ouvidos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Pessoa explicou que o resultado bem abaixo do esperado é reflexo de problemas climáticos, como irregularidades de chuva e menor uso de tecnologias para produtividade.

“A principal característica dessa safra foi a irregularidade do clima. Em uma distância muito pequena de uma lavoura para outra houve ocorrência de diferenças significativas de produtividade por conta de uma chuva a mais que um produtor pegou e o outro não”, afirmou.

De olho na soja

A safra 2013/2014 de soja deve chegar a 86,9 milhões de toneladas, 5,7% maior que a safra de 82,2 milhões de toneladas no ano passado. O número ficou abaixo, no entanto, da expectativa inicial do Rally da Safra, de 91,6 milhões de toneladas, e da Agroconsult, realizadora da expedição, de 88,5 milhões de toneladas.

No caso da safra de soja, o número é recorde, mas não coloca o Brasil como maior produtor de soja do mundo. “Não passamos os Estados Unidos e vai ficar difícil passar depois que eles divulgarem aquele aumento de 6% da produção”, confirmou Pessôa.

Pessôa: safra de soja abaixo das expectativas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Pessôa: safra de soja abaixo das expectativas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ele acrescentou ainda que o aumento foi mais influenciado pela expansão da área plantada, que cresceu 7,6%, de 27,7 milhões de hectares para 29,8 milhões de hectares, do que pela produtividade.

A queda no volume de soja foi motivada principalmente pela estiagem prolongada no norte do Paraná, sul do Mato Grosso do Sul, sul de São Paulo e de Minas Gerais, sudoeste de Goiás, Bahia, e do Piauí.

Na contramão, o excesso de chuvas no Mato Grosso, um dos mais importantes produtores da oleaginosa no país, prejudicou a produtividade. O Rally da Safra anotou uma produtividade de 53 sacas por hectare no estado, com uma produção de 27,1 milhões de toneladas.

Menos milho

A safra 2013/2014 de milho do Brasil deve ficar em 30 milhões de toneladas, o que significa uma queda de 13,3% com relação ao ano passado, quando a produção do grão chegou a 34,6 milhões de toneladas.

A produtividade do milho caiu 8,2% de 85 sacas por hectare para 78 sacas por hectare. A área também diminuiu, de 6,8 milhões de hectares para 6,4 milhões de hectares, o equivalente a uma taxa negativa de 5,9%.

De acordo com Pessôa, a estiagem prolongada no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás foi a principal responsável pela queda de produtividade.  Por sua vez, o excesso de chuvas no Mato Grosso prejudicou o plantio de milho safrinha.  Além das complicações climáticas, a equipe do Rally da Safra notou uma redução do uso de tecnologias no plantio de milho na safrinha em todas as regiões do país.

Pragas

Outro empecilho para o crescimento da produção de grãos no Brasil foi a elevada incidência de pragas e doenças em boa parte das regiões produtoras do país, apontou Pessôa.  “A gente verificou não só a ocorrência de alta infestação de ferrugem na maior parte das regiões, mas também a baixa eficiência de muitos produtos que são tradicionais no mercado”, afirmou. “Vamos ter um problema tão sério quanto o que enfrentamos em 2003, 2004, quando a ferrugem chegou ao Brasil”, alertou.

O Rally da Safra

Iniciado em 2004, o Rally da Safra vai a campo, todos os anos, para avaliar as condições das lavouras de soja e milho no Brasil. A expedição é realizada entre janeiro e março. O roteiro é escolhido com o objetivo de percorrer os principais polos produtores.

Produtividade de grãos no Brasil pode crescer 10,3% em dez anos, mas poderia ser maior, aponta Outlook Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A produtividade média dos grãos cultivados no Brasil pode aumentar em 10,3% entre 2013 e 2023, apontam estimativas do Outlook Fiesp 2013. Mas o resultado poderia ser mais significativo, já que o governo, que interfere nos processos de novas tecnologias, como no registro de novas moléculas para os agroquímicos, está atrasado em relação à necessidade do setor.

A análise foi feita por Antônio Carlos Costa, gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divisão responsável pelo estudo, o qual reúne análises do setor nos últimos dez anos e projeta o cenário para a próxima década.

“Se a produção de grãos no futuro ocorresse com a mesma produtividade de hoje e com o mesmo pacote tecnológico, precisaríamos de 6,5 milhões de hectares a mais para  colher a mesma safra”, explicou Costa. “Esse ganho de produtividade (10,3%), no entanto, poupará essa área”, completou.

Acima da média mundial

Entre 2002 e 2012, a produção de soja no Brasil cresceu a um ritmo de 5% ao ano, enquanto o cultivo no mundo avançou 3,2%. Na safra 2013/14, o Brasil deve se consolidar como maior produtor mundial da oleaginosa. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita recorde entre 87,6 milhões a 89,7 milhões de toneladas.

Segundo o Outlook, a área ocupada por lavouras (cana, floresta plantada e lavouras de primeira safra) no Brasil deve chegar a 52 milhões de hectares em 2013 e aumentar para 61,5 milhões até 2023, o equivalente a um incremento de 9,5 milhões de hectares.

A área utilizada para pastagens, no entanto, deve diminuir de 182 milhões de hectares para 177,1 milhões em dez anos, cedendo o equivalente a 4,6 milhões de hectares para a agricultura. Costa acredita que a área poupada deve ser cedida ao cultivo de lavouras já que, para o produtor, a produção agrícola “é mais atrativa do ponto de vista econômico do que a pecuária”.

O gerente do Deagro explicou que o movimento, já iniciado no estado de São Paulo, leva a uma necessidade de incremento da produtividade, via intensificação do rebanho, para que o país continue abastecendo a demanda doméstica e o mercado internacional de forma adequada.

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Costa: incremento da produtividade no agronegócio no estado e no Brasil. Foto: Vitor Salgado

“Toda região oeste do estado sempre foi muito tradicional em pecuária, mas aos poucos ela vem se transformando também em área de cana-de-açúcar, que se expande em trechos de pastagens”, explicou Costa. “É possível que, com investimentos em genética, manejo e recuperação de pastagens, no futuro a pecuária se torne mais atrativa em termos econômicos para o produtor, especialmente com uma maior intensificação do rebanho”, afirmou. Ele ponderou, no entanto, que, de forma geral, “o que existe hoje de concreto para o produtor pecuário é uma realidade de margens muito apertadas, o que tem levado à agricultura a avançar sobre essas áreas com pastagens, tendência que será mantida para os próximos anos”.

Papel do governo e preservação de áreas

Na avaliação do gerente de Agronegócio da Fiesp, a taxa de abertura de novas áreas para lavoura é “absolutamente decrescente” e isso tem relação direta com os ganhos de produtividade, como os observados na última década.

“A indústria química, por exemplo, está direcionando parte importante dos investimentos para a produção de sementes e agroquímicos cada vez mais seguros e eficientes no combate a pragas e doenças”, disse. “Tem sido notável o desempenho da indústria das máquinas e implementos agrícolas, que vem registrando um forte crescimento nos últimos anos”.

Na outra mão, para Costa, cabe ao governo interferir para agilizar os processos de liberação de novas moléculas e abrir caminho para tecnologias que permitam ampliar esses ganhos.

“A aprovação de moléculas para um produto químico, por exemplo, leva anos. Hoje você precisa da aprovação do Ministério da Agricultura, da Anvisa, do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama para a criação de uma nova molécula”, explicou. “Não se questiona a importância de uma análise rigorosa, no entanto, esse processo é tão lento que ele inibe muita vezes a inovação e, quando o produto é aprovado, chega sempre atrasado em relação às necessidades do setor”, criticou.

Para conferir essas e outras projeções no Outlook Fiesp 2013, só clicar aqui.

Safra brasileira registra recorde em volume e produtividade

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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André Pessôa, coordenador geral do Rally e diretor do Agroconsult

O bom desempenho das lavouras de soja precoce no Centro-Oeste e a alta produtividade dos estados do Paraná e Rio Grande do Sul contribuíram para o crescimento recorde da produção do grão acima de 50 sacas por hectare. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (29) pela Agroconsult, na sede da Fiesp, durante a apresentação dos resultados do Rally da Safra 2011.

A expedição técnica percorreu 55 mil quilômetros e avaliou lavouras de soja e milho de 11 estados, entre os dias 31 de janeiro e 27 de março de 2011. Destaque da safra 2010/2011, a soja alcançou 72,7 milhões de toneladas, contra 68,9 milhões da última colheita. Já a produção de milho chegou a 34,8 milhões de toneladas, ultrapassando os 34 milhões registrados na safra passada.

Segundo André Pessôa, coordenador geral do Rally e diretor do Agroconsult, o Paraná registrou a melhor produtividade de soja de todo o País, com 54 sacas por hectares.

O excesso de chuvas e o atraso no plantio dos grãos causaram a queda da produtividade dos estados do Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. “Mesmo não tendo sido verificado recorde da produtividade nesses estados, ainda sim é uma safra rentável, entre as mais rentáveis já registradas”, analisou Pessôa.

O coordenador mostrou otimismo com os resultados parciais das colheitas do Piauí, Tocantins, Bahia e Maranhão, cuja previsão é de crescimento da produção de soja de 44 sacas/ha para 51 sacas/ha.

Transgênicos

O investimento em sementes de grãos geneticamente modificados cresceu na última safra. Segundo dados do Rally, a média de área plantada de soja no Brasil passou de 72% (2009/201) para 86% (2010/2011). No mesmo período, o milho verão aumentou de 45% para 83% do plantio das lavouras avaliadas. Já os indices de pós-colheita foi de 4%, equivalente a duas sacas de soja por hectare.

Setor vê rentabilidade maior no campo em 2011

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

Por conta dos períodos de seca prolongados, em várias partes do País, a safra brasileira de grãos 2010/2011 deve ficar abaixo do desempenho em safra anterior, afirmaram os especialistas André Pessoa e Alexandre Mendonça de Barros, palestrantes na reunião mensal do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag/IRS), realizada nesta segunda-feira (6), na sede da Sociedade Rural Brasileira, na Capital.

Mas a dinâmica do abastecimento deve se acelerar, por conta da forte demanda internacional. Segundo André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, “o próprio mercado interno está estocando volumes maiores, para 60 e até 90 dias, que em grande parte ficam nas mãos dos grandes consumidores”, afirmou.

Quanto à produção de café, o Brasil deve aumentar sua produção e também o consumo. “Em 2014, o País será o maior consumidor mundial, superando mesmo os Estados Unidos”, acrescentou Pessoa, que falou também da expansão de fronteiras da cultura da soja.

O também consultor Alexandre Mendonça de Barros apresentou os números da pecuária brasileira e chamou a atenção para o uso da linha de genéricos em defensivos agrícolas. “Os gastos com defensivos foram de US$ 6,9 bilhões em 2009. Neste ano, caíram para US$ 2,7 bilhões”, comparou.

Mendonça de Barros questionou os números oficiais no Censo Agropecuário, que “precisa ser concluído ou refeito”. “Temos tido dificuldades em fazer análises e estatísticas, porque as contas não fecham”, acrescentou.

Rentabilidade em alta

Membros do Cosag debateram ainda os cenários da agropecuária no Governo Dilma. O secretário estadual de Agricultura, João Sampaio, não vê grandes mudanças na política e crê que a rentabilidade no campo deve ser maior em 2011. Sampaio também não acredita em crises de abastecimento provocando altas inflacionárias, nem aumentos substanciais nos custos de produção.

“Nada indica que tenhamos impactos fortes nos preços dos fertilizantes, defensivos e óleo díesel, que são os insumos básicos na atividade agrícola”, falou o secretário. Sampaio aposta em bom desempenho nas culturas da cana-de-açúcar, flores/frutos, laranja, e na produção de madeira, papel e celulose.

Na pecuária, no entanto, o preço da carne bovina continuará alto (cerca de US$ 70 a arroba, atualmente), já que os criadores precisam recompor os rebanhos e preservar matrizes. “Esperamos uma acomodação dos preços, mesmo porque já bateram no teto”, afirmou o secretário.

Agenda 2011

Presidido pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, o Cosag teve sua última reunião do ano, devendo reunir-se outra vez só em fevereiro de 2011. “Tivemos um ano produtivo. Juntamente com a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), este Conselho estreitou entendimentos com o Governo federal e construímos uma agenda importante dos principais temas do setor”, disse o ex-ministro.

A mudança na pasta da Agricultura, que passa a ser conduzida por Vagner Assis a partir de janeiro, também não preocupa o Conselho. “Não haverá mudanças da política atual”, acrescentou Rodrigues. A agenda do Cosag, no entanto, já tem alguns compromissos importantes na agenda 2011, como, por exemplo, o encontro com Eduardo Nunes, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Temos observado discrepâncias nos números apontados pelo censo agropecuário e os volumes de estoques que são informados pela Conab. As divergências são significativas, e isso provoca desconfiança nos produtores”, assinalou o ministro.