Jorge Maya e a coincidência de reviver um mito em ‘O Homem de La Mancha’

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Para construir o seu Sancho Pança, personagem que interpreta no musical “O Homem de La Mancha”, Jorge Maya preferiu não ver outras montagens. “Não gosto de ver para que não me contamine e não enrijeça o que está sendo proposto”, conta.

Sua opção foi elaborar o personagem com os companheiros de palco, com a direção musical e geral e ouvindo o feedback de quem acompanhou os ensaios. “Gosto de estar com a cabeça completamente aberta para pode ir construindo.”

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540135014

Jorge Maya (à direita), fiel escudeiro do protagonista Cleto Baccic (Dom Quixote/Miguel de Cervantes). Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Mas ele não nega que Grande Otelo – responsável pelo Sancho da outra montagem brasileira (1972/74) – teve influência em sua carreira.

“Já fiz muitos personagens que o Grande Otelo fez. No espetáculo ‘Teatro Brasileiro 2’, além de vários personagens que o Otelo já tinha feito durante a carreira toda, eu interpretava o próprio Otelo no Cassino da Urca”, lembra Maya.

E então veio o convite para o espetáculo em cartaz no Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo, o Teatro do Sesi-SP. “São as coincidências que não acho tão coincidências assim. Meu temperamento de ator tem muito a ver com o Otelo mesmo. E assim também presto uma homenagem a esse ator extraordinário.”

O convite veio do diretor do espetáculo, Miguel Falabella. Carioca, Maya viajou para São Paulo, onde fez a audição e “ganhou” o Sancho Pança.

“Tinha acabado de gravar a novela ‘Jóia Rara’ na TV Globo e estava com outras perspectivas. Era uma coisa que jamais imaginaria que fosse acontecer nesse momento. Mas considero esse trabalho um presente”, declara o ator, que já havia trabalhado com Falabella em duas novelas e no espetáculo “Gaiola das Loucas”.

“Confio muito no que ele pode extrair de mim.”

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540135014

Jorge Maya: mais um personagem vivido por Grande Otelo. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Fonoaudiólogo, preparador vocal e professor de canto, Jorge Maya é um fã de teatro musical. “É um gênero maravilhoso. Tem tudo a ver com o brasileiro, porque somos um povo extremamente musical. Todas as nossas comemorações, nossas festividades, estão permeadas pela música”, afirma ele, que elogiou a iniciativa do Sesi-SP.

“O teatro musical está crescendo muito e precisando capacitar mais profissionais. Por isso, o grande mérito desse projeto é que ‘O Homem de La Mancha’ não é só uma peça para mostrarmos nosso valor artístico. É um projeto que embarca a formação de novos atores, com a escola profissionalizante, e de novos públicos”, diz.

“É um projeto de grande relevância e uma oportunidade maravilhosa. Estou muito feliz por fazer parte disso.”

Maya também destacou a participação do público para os momentos de emoção do espetáculo. “A gente vê pessoas muito emocionadas, agradecidas por estar aqui. Fico impressionado com a energia que eles passam pra gente.”

“É incrível poder mostrar um espetáculo dessa qualidade para todas as pessoas. Isso é um marco, uma coisa que nunca vivi na minha carreira. Fazer um trabalho com essa equipe, em um padrão altíssimo e de graça é maravilhoso.”

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540135014

Momento em que personagem vivido por Cleto Baccic apresenta-se como Miguel de Cervantes, na companhia de seu criado, Sancho. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Para ele, o texto de Cervantes é o que traz a maior emoção para quem assiste. “O teatro tem como tradição ser uma arte transformadora. E esse texto representa isso na sua forma total, porque é muito emocionante e muito oportuno para o que estamos vivendo hoje, um mundo que precisa reavaliar os valores.”

O ator também fala da discussão do conceito de loucura que o espetáculo propõe. Um dos momentos mais emocionantes do espetáculo, para Maya, é a parte final. “No quarto final, fico bem emocionado, porque começam a ser ditas coisas que têm a ver com o que eu penso e me questiono. Do momento em que o Quixote pergunta ao Duque: ‘o que é a loucura?’ até o fim, é muito emblemático para mim.”

“Estamos vivendo uma grande loucura. Sabemos que não podemos mais desequilibrar a natureza, mas as pessoas continuam. A corrupção é um alicerce da nossa cultura. Então, o que é a loucura? O que é ser ‘são’? É sobre isso que o espetáculo fala. Por isso toca tanto o coração das pessoas.”

Na loucura do Quixote, ele tem a companhia fiel de Sancho, que resgata valores importantes como a amizade.

“Ele embarca na mesma viagem do Quixote porque tem o valor da pureza, da amizade, do humanismo. Ele gosta do Quixote sem interesse. As pessoas precisam realmente reaver a vida delas nesse contexto que a gente está vivendo de muita loucura.

Serviço

“O Homem De La Mancha”
Local: Teatro do Sesi-SP (456 lugares) – Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista
Temporada até 21 de dezembro
Recomendação: 10 anos
Duração: 1h45
Informações: (11) 3146-7405/7406
Entrada gratuita
Ingressos gratuitos reservados online pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi de 15 em 15 dias a partir do dia 25 de agosto.
Apresentações entre dias 1º e 15, publicação na internet dia 25 do mês anterior.
Apresentações entre dias 16 e 31, publicação na internet dia 10 do mesmo mês.
Serão distribuídos 50 ingressos por sessão na bilheteria, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria.
Horário da bilheteria: quarta a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Quarta a sexta às 21h; sábado às 17h e 21h e domingo às 19h.