Esporte e arte: dois talentos em um par de mãos

Lucas Dantas, Agência Indusnet Fiesp 

A posição de central no vôlei exige velocidade e força. Pensar rápido para visualizar onde o levantador vai mandar a bola, observar o bloqueio, achar uma brecha e também colocar a força na bola para que ninguém consiga salvar o ponto. Tudo isso no ar e em questão de segundos. Para fazer um desenho bonito e detalhado é necessário ter calma, paciência, cuidado, mão leve e tempo. Muito tempo. Entendemos então que pintura e vôlei não combinam, certo? Não exatamente.

Aos 20 anos, Beatriz Rezende já mostra seu talento nas quadras e nas telas. A central do time juvenil feminino de vôlei do Sesi-SP solta o braço na rede para ajudar suas amigas, mas quando está sozinha e com tempo livre pega o lápis e “viaja” no papel. Fã de grafite e hiper-realismo, Bia adora desenhar desde imagens abstratas a retratar rostos e imagens, sempre com muita atenção nos detalhes. E se uma partida de vôlei pode durar até duas horas, para acabar um desenho ela pode levar dias ou até semanas.

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Bia, central do time juvenil de vôlei do Sesi-SP, ao lado do retrato de Serginho, que desenhou em apenas um dia e meio. Foto: Divulgação Sesi-SP Esporte

“Eu desenho quando me dá muita vontade. Eu vejo uma imagem que acho linda e já penso em como ela ficaria num desenho. Aí começo. Mas não é de uma vez, se não estiver legal, eu dou uma paradinha, faço um rascunho, deixo um pouco e depois eu pego”, disse a jogadora, que chegou a fazer um curso, mas por conta da carreira de esportista, não conseguiu concluir. Boa parte do que aprendeu foi sozinha, observando o pai.

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O ponteiro Murilo pelos traços de Bia, central da equipe juvenil. Foto: Divulgação Sesi-SP Esporte

“Meu pai pintava quadros, mas nunca tinha feito cursos também. Eu olhava, observava ele desenhando, sem ligar para técnica. Nunca fiz curso, só olhava e ia desenhando pelo prazer. Quando eu me interessei foi em 2011, aí fiz oito meses de curso, mas tive que parar para jogar em São José dos Campos e não consegui terminar. Pelo menos deu para pegar um pouco de técnica de montagem e proporção, e depois fui desenvolvendo”.

No Sesi-SP desde o início de 2013, Bia chamou a atenção das pessoas ao desenhar com espantosa perfeição alguns dos astros do time adulto, como a central Ana Beatriz e o líbero Serginho.

“Esse desenho do Serginho eu levei um dia e meio para finalizar. No da Bia eu estava empolgada e levei seis horas. Mas o da catedral, que foi uma amiga que pediu, duas semanas, é muito detalhe”, explicou a atleta que também retratou o ponteiro Murilo.

A central do time adulto, (e xará) Bia, se emocionou com a homenagem. “Nunca tinha conhecido alguém que desenhasse tão bem e ela fez um desenho lindo de mim. Fiquei muito feliz e vou guardar com muito carinho. Espero que ela tenha muito sucesso no vôlei e nos desenhos”, declarou.

O líbero Serginho também adorou o seu retrato e ficou impressionado com a riqueza de detalhes do desenho. “Parece uma foto feita de grafite. Ela pegou detalhes incríveis e colocou no papel. Gostei muito do desenho e fico muito feliz que ela tenha talento jogando e desenhando. Desejo muito sucesso pra ela, porque o dom ela já tem”, elogiou o craque.

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Bia: "Nunca tinha conhecido alguém que desenhasse tão bem e ela fez um desenho lindo de mim." Foto: Divulgação Sesi-SP Esporte

O talento acabou em uma exposição no Centro Cultural da Vila Leopoldina. Quem organizou o material o agente cultural do Sesi Vila Leopoldina, Fernando Szabo, que elogiou o trabalho de Bia.

“Os desenhos são muito bons sim e, infelizmente, não tínhamos espaço para colocar tudo. Várias pessoas já quiseram comprar as obras dela, perguntaram o preço, mas não estamos vendendo. Tirando por isso, já se vê que tem talento para a arte, seja no vôlei ou no desenho”, elogiou Szabo, que cuida da exposição que junta o trabalho de Bia e também de Sandra Sayuri, aluna de 16 anos do primeiro colegial, cuja especialidade no traço é o Mangá.

Ao concluir, Szabo garantiu: “ela tem muito futuro na arte”.


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