‘Não é uma questão de tecnologia, mas de pensamento inovador’, diz presidente da Are

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp 

Quebra de paradigma no pensamento dos gestores e profissionais foi a necessidade unânime apontadas nas apresentações da presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagem (Abre), Gisela Schulzinger, e do diretor do Instituto para o Desenvolvimento das Organizações (IDO Brasil), Andreas Dohle, durante a reunião plenária do Cadeia Produtiva Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta segunda-feira (08/09).

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Gisela Schulzinger, presidente da Associação Brasileira de Embalagem. Foto: Beto Moussali/Fiesp

A presidente da Abre compartilhou sua vivência entre as principais empresas do Vale do Silício e convidou a todos a refletir sobre o que as empresas precisam fazer para adequar-se ao mundo de rápidas e constantes mudanças tecnológicas e mercadológicas.

“Não podemos ter a mesma velocidade que tínhamos antes, principalmente, para inovar nossos produtos”, afirmou a executiva, destacando que, cada vez mais, tem se tornado difícil distinguir produtos de serviços. “O próprio Google é uma tela em branco, mas é a marca que mais vale no mundo”, ressaltou.

Para presidente da Abre, o desafio maior das empresas é manter a relevância dos seus produtos e negócios e não ficar para trás. Segundo ela, a mudança que se faz necessária é, basicamente, a de atitude. “Deve-se estar atento aos movimentos e às exigências da sociedade. Muitas vezes ficamos só olhando para dentro das nossas empresas. Na realidade, a pergunta que se deve fazer é: o meu produto é relevante para a sociedade?”, questionou.

Sobre sua experiência no Vale do Silício, a executiva afirmou que o grande aprendizado foi quanto ao comportamento dos profissionais e gestores. “Eles têm uma atitude menos medrosa, menos receosa do erro”, afirmou. “E  não é uma questão de tecnologia, mas de pensamento inovador”, completou.

Gisela também enfatizou que não é apenas uma questão de dinheiro, pois muitos projetos foram desenvolvidos sem muitos recursos. “O que é preciso é pensar diferente e entender que a inovação tem que construir valor, não apenas inovação tecnológica.”

Segundo ela, é uma “insanidade” pensar que fazendo do mesmo jeito é possível ter resultados diferentes.  “Não é o mais forte, nem o mais inteligente. É o que mais rápido se adapta às mudanças”, ponderou.

Gisela destacou que o maior ativo das empresas hoje é a criatividade. “Fomos treinados a pensar com o lado esquerdo do cérebro, o da razão, mas é preciso estimular o outro lado, o da criatividade.”

Ela citou exemplo de uma empreendedora brasileira que passou a oferecer brigadeiros, um produto comum, mas em embalagens diferenciadas. Em pouco tempo a empresa teve um faturamento tão importante que foi adquirida pela Cacaupar, holding da marca Cacau Show.

Sobre o temor natural de alguns empresários em relação aos custos e riscos de inovar, a executiva afirmou que “riscos sempre teremos, porém não podemos ser bloqueados por eles”. Ela deu o exemplo do produto WD 40, da companhia 3M, que recebeu esse nome pelo fato de penas na 40ª tentativa o produto conseguiu ser produzido com êxito.  “Ou seja, antes de chegar a esse produto, eles erraram 39 vezes.”

Segundo a especialista, os empresários de hoje devem entender a marca como o principal agente de competitividade. “Estamos sempre preocupados com a excelência operacional, mas não podemos abrir mão da excelência emocional. E a marca está nisso. É tão fundamental a entrega de um batom como a consumidora deseja-lo”, concluiu.

Repensando a estratégia

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Andreas Dohle, diretor do Instituto para o Desenvolvimento das Organizações (IDO Brasil). Foto: Beto Moussali/Fiesp

Em sua palestra, o diretor do Instituto para o Desenvolvimento das Organizações (IDO Brasil), Andreas Dohle, apresentou alguns erros e barreiras encontrados por empresas e associações em realizar seus planejamentos estratégicos.

Se o desafio das empresas é gerar lucro, qual seria, então, o desafio das associações empresariais? Para o especialista,  a resposta a essa questão é de vital importância para as associações setoriais conseguirem iniciar seu planejamento estratégico.

Ele comentou que muitas federações e sindicatos de indústrias pesquisados têm como principal foco de atuação o lobby de defesa de interesses da categoria, o que atinge interesses de grandes empresas. Contudo, a grande maioria do quadro associativo dessas instituições é composta por pequenas empresas.

Para ampliar a competitividade das empresas associadas, em especial as de pequeno porte, Dohle sugeriu que as associações deveriam também priorizar a oferta de serviços e capacitações.

O consultor destacou três componentes fundamentais que associações empresariais devem considerar em seus planos estratégicos: 1) foco no desenvolvimento setorial e melhoria no ambiente de negócios das empresas; e2) oferta de serviços adequados a realidade das empresas; 3) estímulo à cultura associativista, algo ainda bastante frágil no Brasil, segundo Dohle.

Consultor dá dicas de como se preparar para oportunidades na China

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

“A China precisa conhecer o mundo e o mundo precisa conhecer a China”. A frase do discurso de posse do presidente chinês, Xi Jinping, foi enfatizada na palestra de Daniel Lau, diretor de China Practice para América do Sul da consultoria KPMG, nesta segunda-feira (08/09), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Lau foi um dos palestrantes convidados para a reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Fiesp.

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De acordo com consultor, momento é das médias empresas chinesas procurarem parceiros, fornecedores e compradores pelo mundo afora. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


O encontro, presidido por Fabio Mortara, coordenador do Copagrem e presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado de São Paulo (Sindigraf-SP), também contou com apresentações da presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagem (Abre), Gisela Schulzinger, e do diretor e do Instituto para o Desenvolvimento das Organizações (IDO Brasil), Andreas Dohle.

Daniel Lau destacou que a China vive um movimento bastante interessante, tendo a urbanização no eixo central de seu desenvolvimento nos últimos 30 anos. Há três anos, segundo ele, o percentual de população urbana superou a rural, chegando a 51%. “Em 2011, 21 milhões de pessoas se moveram da zona rural da China para as áreas urbanas, o que seria equivalente a duas cidades de Nova York”, afirmou.

Mas, de acordo com o especialista, esse processo não será contínuo e deverá se processar até 2030, sendo, portanto, o momento atual uma oportunidade única.

Ele destacou que o “boom” em que as grandes empresas chinesas iam para o exterior já passou e agora está sendo a vez das médias empresas chinesas procurarem parceiros, fornecedores e compradores pelo mundo afora. “Esses anos de 2014 e 2015 são anos bons para os senhores entenderem, conhecerem a China e formarem o seu networking pessoal na China”, recomendou.

Lau esclareceu que fica a cargo dos governos locais, isto é, dos prefeitos e secretários do Partido, a tarefa da gestão do processo de urbanização em curso, identificando fontes de capital e serviços. Vale ressaltar, no entanto, que na China a figura do Secretário do Partido é mais importante que a de um prefeito e, portanto, merecem mais primazia nos cumprimentos.

Alguns aspectos culturais chineses no mundo dos negócios também foram destacados pelo especialista. O primeiro deles é que, embora existam numerosos dialetos regionais, a melhor comunicação é a no idioma mandarim.

Outro aspecto é a prática do “guanshi”, isto é, a rede de contatos (ou networking). “O guanshi é feito na China há cinco milhões de anos. Portanto, é mais complicado, pois ele pode ativar ou fechar todas as portas”, ressaltou.

Outra expressão citada é o “menzi”, que traduzindo seria o valor da sua face, ou valor da sua pessoa. “Na China tem-se uma preocupação exagerada quanto a isso. Uma vez que a sua imagem é consolidada você tem que se preocupar em manter ou melhorar essa imagem. Por esse motivo, uma resposta a um negócio pode demorar muito, às vezes”, justificou.

A figura do intermediário ou  “middleman” também é muito frequente nos negócios com os chineses e, portanto, é um aspecto a ser observado, segundo o especialista.

Lau também destacou em sua palestra que é importante os empresários brasileiros terem uma ideia das dimensões mercadológicas da China, pois algumas regiões ou cidades, equivalem a população de um país inteiro. Por exemplo, a população de Xangai equivale à da República dos Camarões.

Consumo da geração pós-90

Outro fenômeno social da China apontado por Daniel é a geração de jovens que nasceram após os anos 1990. São cerca de 135 milhões de jovens, dos quais oito milhões, por ano, se formam nas universidades e procuram emprego. “Esses jovens têm vontades bastante diferentes das gerações anteriores.”

Se em 1980 apenas 10 mil jovens chineses estudavam no exterior, em 2012, esse número chegou a 340 mil estudantes. Esses jovens têm outras características de consumo e se endividam, por exemplo, para comprar produtos de marcas e grifes. “É um desafio, para as empresas reter os talentos e também se comunicar com esses jovens.”

Oportunidades estratégicas

Para as empresas interessadas na possibilidade de fazer negócios com a China, Daniel Lau sugeriu que percebam as possibilidades do Plano Quinquenal e da 3º Plenária (da atual liderança do Partido Comunista Chinês), que foi aprovada em novembro de 2013. Segundo o especialista, esses planos funcionam como “faróis de milha”, dando uma perspectiva do que a China quer alcançar no futuro.

No caso do Plano Quinquenal já estão estabelecidas as metas: desenvolvimento do oeste chinês, transito econômico movido pelo consumo interno, melhoria da qualidade de vida dos cidadãos chineses, proteção ao meio ambiente e melhora na eficiência energética.

“É importante ver onde, no atual plano, a sua indústria pode se inserir”, sugeriu Lau, destacando algumas atividades como conservação de energia, proteção ambiental, biotecnologia, veículos de energia limpa, equipamentos de alta qualidade, entre outros.

Já a 3ª Plenária delineou como a sociedade chinesa irá se encaminhar nos próximos anos, dando ênfase nas reformas, na mudança em relação a política de preços (que agora passam a ser determinados pelo mercado) e a participação de capital privado nas empresas estatais chinesas.

Lau também ofereceu uma série de dicas aos empresários interessados em fazer negócio na China ou com chineses. Entre elas, destacou: “envie seus melhores profissionais logo no começo; seja paciente; estabeleça condições contratuais claras; conheça o seu parceiro e faça bem a diligencia e investigação forense; diversifique a equipe de liderança (conselho consultivo); alinhe as operações entre matriz e a filial na China”.

O consultor também deu, ainda, outra dica de ouro: ao se criar uma empresa na China, o empresário deve tomar o máximo de cuidado com o carimbo da empresa, pois quem o tiver poderá faz o que quiser com a empresa.

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Fabio Mortara: ‘Comitê da Fiesp multiplica força de mobilização das entidades da cadeia produtiva de papel, gráfica e embalagem’

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Fabio Mortara, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem. Foto: Everton Amarro/FIESP

O Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) é um dos mais novos comitês de cadeias produtivas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Com menos de um ano de existência, o Copagrem já nasceu forte com a participação de importantes entidades setoriais de âmbito estadual e nacional. Uma das lideranças do comitê é o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas de São Paulo (Sindigraf-SP) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), Fabio Arruda Mortara.

Em entrevista ao portal da Fiesp, o coordenador do Comitê fala dos principais desafios enfrentados pelas empresas da cadeia produtiva e ressalta que o Comitê tem missão de fortalecer a união e a sinergia já existentes entre as entidades do setor.

Veja a seguir a entrevista concedida por Fabio Mortara:

O Copagrem reúne entidades de diversos segmentos, tanto do âmbito estadual como do federal. O Comitê tem a intenção de unir esses elos para soluções conjuntas?

Fabio Mortara — Na realidade, as entidades da cadeia produtiva já atuavam em conjunto na busca de soluções. Um exemplo disso é a Campanha de Valorização da Comunicação Impressa, realizada há mais de três anos. Mas, o Copagrem, com a força e estrutura da Fiesp, quer tornar mais consistente essa articulação, criando uma agenda permanente de trabalho, ampliando a sinergia e multiplicando a força de mobilização da cadeia produtiva.

No pouco tempo de existência, como o senhor avalia esse início do Copagrem?

Fabio Mortara — Em pouco tempo, já percebemos avanços relevantes. O comitê tem funcionado muito bem, incluindo a dinâmica de seus quatro grupos de trabalho, que são os seguintes: Valorização da Comunicação Impressa; Competitividade Industrial; Tributação e Papel; e Sustentabilidade.

Quais são os principais desafios enfrentados pelos setores da cadeia produtiva?

Fabio Mortara — Nossa cadeia produtiva, em especial a área gráfica, é atingida pela perda de competitividade provocada pelo maior assédio ao mercado brasileiro pelos concorrentes internacionais que perderam espaços nos grandes importadores de produtos e serviços da América do Norte e Europa, afetados pela duradoura crise mundial.

Num cenário como esse, nossos juros altos, impostos elevados, burocracia, insegurança jurídica e outros velhos “inimigos” nacionais dos setores produtivos acabam tendo peso muito maior.

O que é mais necessário para ampliar a competitividade do país no que se refere à cadeia produtiva?

Fabio Mortara — Na realidade, é necessário um conjunto de medidas, mas destaco duas: a desoneração de custos do setor (como a da folha de pagamentos e isenção de PIS/Cofins) e destinação do equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação, o que, além de atender a uma prioridade nacional, estimularia toda a cadeia produtiva.

Acabamos de ingressar com pedido para adoção de margem de preferência para impressos nacionais (editorias e cadernos) nas compras do governo federal. Também defendemos a reforma tributária, a previdenciária e a trabalhista, menos juros e impostos, visando a um choque de competitividade!

O senhor citou a dificuldade enfrentada quanto a concorrência de produtos importados. Quais segmentos dentro da cadeia produtiva que estão sendo mais atingidos?

Fabio Mortara — Pelos dados de desempenho do setor, vemos que as gráficas foram as mais afetadas. O segmento de produtos gráficos editoriais teve a maior queda até o terceiro trimestre (com desempenho 10,7% menor do que no trimestre anterior) e menos 16,2% no acumulado do ano.

Os impressos comerciais apresentaram recuperação de 4,6% em relação ao segundo trimestre e devem fechar o ano com aumento de 0,1% na produção (em 2012, havia registrado recuo de 10,3%).

As embalagens impressas, apesar do crescimento de 0,6% no terceiro trimestre em relação ao segundo, acumula queda anual de 1%. A expectativa é que feche 2013 com redução de 1%, quando a projeção inicial era de 1,7% de crescimento.

Falando em mercado internacional, quais são os segmentos da cadeia produtiva que se destacam como exportadores?

Fabio Mortara — Com certeza, o setor de papel e celulose é o maior exportador de toda a cadeia produtiva. Na indústria gráfica, o segmento de cadernos é, tradicionalmente, o que mais se destaca. Contudo, estamos fazendo grande esforço no sentido de contribuir para ampliar as vendas externas das gráficas brasileiras, por meio da aliança Graphia [Graphics Arts Industry Alliance].

Trata-se de parceria entre a Abigraf Nacional e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), estruturada em três unidades de negócios (Papelaria, Embalagem e Editorial-Promocional) e que disponibiliza para as empresas participantes uma estrutura de apoio operacional e logístico para as ações comerciais de prospecção, abertura e desenvolvimento de novos mercados. O projeto tem apresentado resultados, viabilizando exportações para 27 países das Américas, Europa, África e Ásia.

Até que ponto a disseminação das novas tecnologias (e-books, tablets, entre outros) tem afetado o setor de impressos?

Fabio Mortara — Creio que seria até ingênuo, por parte das editoras, indústrias gráficas, jornalistas, publicitários, publishers e amantes da palavra expressa no papel, negar ou resistir ao avanço do e-book e tecnologias eletrônicas. Também é desnecessário discorrer sobre as vantagens do livro e a comunicação gráfica em geral, sua magia, preço, peculiaridades inerentes às artes da impressão e outros diferenciais.

Mas, creio que o importante é ter consciência de que o mercado da comunicação, do jornalismo, da publicidade e do entretenimento tem espaço para todos os meios. E cabe a cada um agregar novas tecnologias, ampliar sempre a qualidade e se adequar às demandas de uma civilização cada vez mais inquieta e dependente da informação.

Busca por produtos de caráter ecológico e sustentável também é um aspecto do mercado que a indústria deve considerar, correto?

Fabio Mortara — Sim. E a cadeia produtiva da comunicação impressa e do papel tem se empenhado em mostrar à sociedade a sua importância para a disseminação do conhecimento e seu caráter sustentável. Nesse sentido, é relevante a campanha “Two Sides”, revolucionário movimento internacional focado na disseminação do conceito de sustentabilidade e valorização do papel e da comunicação impressa, que estamos trazendo ao Brasil.

Falamos há pouco sobre a busca por inovação e novas tecnologias. Como as indústrias conseguem se diferenciar nesse quesito em relação a outros países?

Fabio Mortara — Dois elos de nossa cadeia produtiva – a indústria brasileira de papel e celulose e as gráficas nacionais – merecem destaque. Ambas têm, na tecnologia agregada, qualidade e processos, condições mais avançadas do que a observada em numerosos países e em nada perdem para as melhores do mundo. Como já disse, nossa desvantagem competitiva está nos impostos, juros, burocracia e no “Custo Brasil” em geral.

As empresas do setor têm utilizados os programas de fomento à inovação do governo? O Copagrem tem alguma ação voltada a esse objetivo?

Fabio Mortara — As entidades de classe encaminham setorialmente esse tipo de solicitação. No caso específico da indústria gráfica, a Abigraf registrou pedidos, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de linhas especiais de crédito para compra de papel e insumos. Isso impacta na inovação. Também conseguiu, recentemente, uma importante conquista, no sentido de que as gráficas produtoras de embalagens possam vender por meio do Cartão BNDES.

As associações nacionais estão com previsões otimistas para fechamento do ano? Quais as perspectivas?

Fabio Mortara — No caso da produção de celulose e papel, podemos observar, na publicação mensal “Conjuntura Bracelpa” [Associação Brasileira de Celulose e Papel], um aumento, respectivamente, de 6,6% e 1,4%, no acumulado de janeiro a setembro de 2013, em comparação a igual período do ano passado.

Com relação à indústria gráfica, ainda não temos os dados consolidados. Porém, a produção no terceiro trimestre encolheu 5,4% em relação ao segundo. No acumulado do ano, a queda é de 9,3%, em comparação com igual período de 2012. Com base nesses números, apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional) reviu a projeção dos resultados do setor para 2013. Até o momento, esperávamos encolhimento de 2,4%, mas o recuo deverá ser de 5,6% ante 2012.

Entrevista: Fabio Mortara, coordenador de novo comitê da Fiesp, fala de desafios da cadeia produtiva gráfica e do papel

Guilherme Abati e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Fabio Mortara: 'entidades nacionais vieram porque acreditam que está na hora da cadeia produtiva conversar'. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pouco antes da primeira reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde de terça-feira (09/04), o coordenador do organismo, também presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas de São Paulo (Sindigraf-SP), atendeu a reportagem do site da Fiesp.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Qual o objetivo da criação deste comitê na Fiesp?

Fabio Arruda Mortara – A gente percebeu que a cadeia produtiva do papel, da indústria de comunicação impressa e das embalagens (que também é comunicação impressa) estava precisando se encontrar e começar a discutir suas questões de forma coordenada, integrada e sinérgica.  Então, surgiu a oportunidade, com o apoio fundamental da Fiesp, de reunir mais de trinta entidades da cadeia produtiva – a grande maioria das quais nacionais, que vão de agências de propaganda, jornais, livros e revistas, até a indústria de papel e celulose, de tecnologia da indústria gráfica –, para poder listar as questões mais importantes do setor e passar a tratá-las de forma eficiente e coordenada, como já fizeram, nesta casa, o setor do agronegócio, da construção civil e vários outros setores.

Qual é o maior desafio dessa área?

Fabio Arruda Mortara – A comunicação impressa, sem dúvida, atravessa um momento de grande desafio. Os equipamentos que não são atômicos são eletrônicos e nós vivemos de átomos. A indústria de comunicação impressa e de embalagens lida com átomos e a era da eletrônica, que alguns chamam de digital, são basicamente elétrons. A gente não tem nada contra os elétrons, mas nós temos uma feição muito maior aos átomos. E esse é o grande desafio: entender como a humanidade, a sociedade brasileira vai poder entender, perceber o valor e lidar com isso – sejam atômicas ou, no nosso caso, impressas (em papel ou em outras mídias – nas próximas décadas. E a cadeia produtiva unida vai fazer isso de uma forma, provavelmente, muito mais eficiente.

Jornais e livros têm o risco de acabar com o crescimento das mídias digitais?

Fabio Arruda Mortara – De forma alguma. Nós temos aqui, hoje, presentes, presidentes das principais entidades de livros, presidentes de sindicatos de jornais. Está claríssimo de que essas são mídias que vão permanecer durante muitas décadas, na indústria, na nossa sociedade e mesmo em sociedades desenvolvidas. Então, nós temos certeza de que as formas impressas realmente vão subsistir.  Agora, todas essas mídias vão se acomodar, lógico, mas a gente quer entender isso melhor e esticar o ciclo de vida de todos os produtos, na medida em que isso for possível.

Este encontro é histórico? Por quê?

Fabio Arruda Mortara – Nós temos hoje, aqui, mais de trinta entidades nacionais. Algumas são também sindicatos do estado de São Paulo, mas a grande maioria são entidades nacionais, que vieram porque acreditam que está na hora da cadeia produtiva conversar. E o destino desse grupo, desse comitê, vai depender, basicamente, do tipo de proposta, da consistência do que nós fizermos e dos resultados que a gente conseguir obter.

Em reunião inaugural de comitê, Skaf pede união à indústria gráfica

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Na foto, Fabio Mortara, coordenador do Copagrem/Fiesp; Paulo Skaf, presidente da Fiesp; e Elisabeth Carvalhães, presidente executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, participou da reunião inaugural do Comitê da Cadeia Produtiva de Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem). O evento aconteceu a tarde desta terça-feira (09/04) na sede da instituição, em São Paulo.

Durante o encontro, com presença de representantes de 20 associações e de 13 sindicatos do setor produtivo da indústria gráfica em âmbito nacional, Skaf pediu união ao setor.

“Cada empresa tem sua particularidade. Mas nada é possível sem a total união, sem trabalho e bom senso. A união realmente dá a força. E dará maior força ao setor”, disse.

“Agradeço a disposição dos membros do comitê presentes na reunião inaugural. Este comitê representa um setor muito importante para São Paulo e para o Brasil, devido ao PIB [Produto Interno Bruto] que gera e aos empregos que proporciona”, afirmou o presidente da instituição.

Skaf encerrou sua participação reiterando seu compromisso com o setor.  “Fico extremamente satisfeito em ver muitos membros do setor aqui, juntos, discutindo os problemas em comum. A Fiesp é um grande porta-aviões. Os setores são como caças. Na Fiesp, os setores tornam-se ainda mais poderosos. Contem com o apoio político da Fiesp. A partir de hoje, efetivamente, o trabalho do comitê se inicia”, encerrou.