‘Quanto mais cedo aplicarmos recursos, menos recursos vamos ter que aplicar’, diz membro do Consocial em lançamento do programa Fiesp e Ciesp pela Primeira Infância

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Não há investimento mais inteligente e de retorno mais alto. Principalmente num país pobre e tão desigual como o Brasil. Com esse foco, foram lançados, na manhã desta sexta-feira (28/09), o programa Fiesp e Ciesp pela Primeira Infância e o projeto Empresários pela Primeira Infância. O objetivo das duas ações, apresentadas na sede da federação, é mapear a situação da primeira infância no Brasil, bem como as oportunidades de participação ativa dos empresários na construção de uma sociedade mais capaz de aprender, julgar e agir. O lançamento teve a participação do presidente em exercício da federação e do centro das indústrias, José Ricardo Roriz Coelho.

“A etapa mais importante da vida são os primeiros mil dias de uma criança”, disse Roriz. “Estou feliz por estarmos assinando esse termo de cooperação técnica”.

Para Roriz, crianças bem preparadas desde cedo terão mais base para se desenvolver no futuro, inclusive na vida profissional.

Presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp, Raul Cutait lembrou que a primeira infância “tem sido um tema marginal, que não ganhou a importância necessária”. “A Fiesp está envolvida com os temas ligados ao bem-estar dos cidadãos”, disse. “Ou investimos nos jovens ou o mundo não vai crescer como deve”.

Outra personalidade envolvida com os projetos, o presidente da fundação que leva o seu nome, José Luiz Egydio Setúbal, destacou que “o melhor investimento é aquele feito na primeira infância”. “As crianças de hoje serão os funcionários dos senhores nas próximas décadas”, disse. “Não podemos esquecer da importância da educação: a criança que não se prepara não conseguirá ser uma profissional do século 21”.

Diretora global da Ready Nation, entidade sem fins lucrativos com atuação mundial com foco no desenvolvimento econômico a partir do investimento na infância e na juventude, Sara Watson foi outra convidada da cerimônia de lançamentos. “Hoje é um grande dia para as crianças e para a economia brasileiras”, disse. “Não posso imaginar grupo mais poderoso para ajudar a infância do que esse que temos aqui”.

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Roriz (ao centro) e autoridades na assinatura dos projetos em prol da primeira infância. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Sara explicou que a Ready Nation é uma organização de empresários com 2.200 membros mundo afora. Duas das mais novas bases do grupo foram abertas no Brasil e em Uganda. “As crianças são o nosso futuro”, disse. “Precisamos ajudar as famílias e abrir o mercado de trabalho para mães e mulheres”, afirmou. “Só assim teremos crescimento econômico”.

Entre as ações de sua instituição, ela citou a possibilidade de fazer contribuição com dinheiro e oferecer trabalho voluntário, além do apoio à divulgação de informações e na formulação de políticas públicas na área. “Nos Estados Unidos, uma marca de macarrão incluiu dicas de cuidados com os pequenos em suas embalagens”, contou. “Uma ação simples e capaz de ajudar muita gente”.

O mesmo vale para a divulgação de informações na mídia e para a ajuda na supervisão de ações locais, nacionais e internacionais. “Nos sentimos honrados em compartilhar o que já aprendemos na área e ajudar na criação de ações novas”, disse.

Para combater injustiças

O primeiro painel de debates da manhã apresentou justamente o programa Fiesp e Ciesp pela Primeira Infância. E foi conduzido pelo membro do Consocial Marcos Kisil.

“Estamos focados num problema real, numa área negligenciada”, disse.  “Existe conhecimento técnico e científico para ser aplicado, precisamos fechar parcerias”.

De acordo com Kisil, o Consocial elegeu a primeira infância como tema. “Não adiante ter um bom software no futuro se o hardware não vai rodar”, afirmou. “Quanto mais cedo aplicarmos recursos, menos recursos vamos ter que aplicar: o retorno pelo investimento é maior quando se investe cedo”.

Com esse foco, a ideia é ajudar a combater injustiças sociais. “Mesmo numa cidade como São Paulo, na periferia, muitas vezes não se sabe se vai ter comida na mesa”, disse.

E aí entram ainda questões como a violência emocional e física, marcas que “ficam para o resto da vida”.

Segundo Kisil, outro objetivo do programa liderado pela indústria paulista é fortalecer a equipe técnica do sistema Fiesp/Ciesp/Sesi para apoiar empresas e empresários na construção de ações para a primeira infância.

Além da Fundação José Luiz Egydio Setúbal/Instituto Pensi e ReadyNation como parceiras, a iniciativa tem o apoio da Fundação Abrinq, Unicef, United Way Brazil, Gife e Idis.

Primeira Infância

O painel seguinte foi moderado pela vice-presidente do Consocial, diretora Titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp e diretora Titular do Núcleo de Responsabilidade Social do Ciesp, Grácia Fragalá. E destacou a primeira infância.

Grácia citou o envolvimento dos profissionais ligados à área na federação e no centro das indústrias. “Nossa equipe é pequena, mas faz muito barulho”, disse.

Coordenadora de Políticas Públicas da Fundação Abrinq, Maitê Gauto contou que a associação existe desde 1990. E que trabalha pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes. “Temos Ttrês pilares: educação, saúde e proteção”, disse. “Já foram mais de 8,5 milhões de crianças e jovens atendidos”.

Entre os programas mais importantes da fundação, ela citou ações como os projetos Empresa Amiga da Criança, Prefeito Amigo da Criança e Presidente Amigo da Criança.

Diretora executiva da United Way, maior rede de organizações não governamentais há 17 anos no Brasil, Gabriella Bighetri explicou que a entidade consiste numa associação de empresas que investe na educação de crianças e jovens. “Estamos em 130 cidades e 11 estados”, disse.

Segundo ela, “todo mundo é sensível ao tema, mas pouca gente investe na área”. “Por isso procuramos a Great Place To Work, responsável pelos guias das melhores empresas para trabalhar, para sugerir a inclusão de categoria de suporte à infância”, disse. “O lançamento foi no ano passado e ainda fizemos um guia explicando porque apostar nessa etapa da vida”.

Gabriella afirmou que apenas 30% das empresas têm creches no Brasil. “Na primeira infância, temos 700 conexões neurais por minuto”, disse. “Aos quatro anos, uma criança tem mais da metade do potencial mental de um adulto”.

E tem mais: “pais tranquilos rendem mais, a produtividade aumenta, o horário flexível reduz faltas”. “Apresentamos pesquisas e propomos políticas para além do que a lei nos obriga a fazer, precisamos inovar”.

Ribeirinhos

Outra debatedora presente foi Paula Fabiani, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis).

Com o projeto Primeira Infância Ribeirinha, o Idis conseguiu medir o impacto, monetizar o peso do investimento social. “Pelas distâncias, pelo isolamento, as crianças ribeirinhas da Amazônia têm pouca assistência”, disse. “Precisam de políticas públicas”.

Com esse foco, o programa em questão visava garantir o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 6 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, no Amazonas.

“Medimos o impacto para ver se aquela ação estava funcionando, com a coleta qualitativa de dados: o que mudou? Mudou para quem? Quanto vale a mudança? Monetizamos o impacto”, explicou.

Segundo ela, foi forte a correlação entre a frequência das visitas de atendimentos pelos agentes envolvidos e a mudança relatada. “Chegamos à conclusão que, para cada R$ 1 investido no projeto, foram gerados R$ 2,82 na forma de benefícios para a sociedade”, disse. “Por fim, conseguimos aprovar a lei que instituiu o Programa Infância Amazonense”.

Chefe do escritório do Unicef em São Paulo, Adriana Alvarenga lembrou que os empresários não podem perder a chance de apoiar a primeira infância. “Não é apenas a coisa mais certa a fazer, é a coisa mais inteligente a ser feita”, disse.

A Unicef está presente em 1.921 municípios de 18 estados brasileiros. “Precisamos colocar a criança e o adolescente no coração das políticas públicas”, afirmou. “Apresentamos diagnósticos dos problemas, identificamos gargalos, ajudamos na definição de objetivos, monitoramento e avaliação”.












Seminário debate oportunidades para os imigrantes na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Acolher, tendo em mente que o país tem muito a ganhar com a chegada dos imigrantes. Esse foi o principal mote do Seminário Nova Lei de Migração: uma janela de oportunidades, realizado na manhã desta sexta-feira (20/07), na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento reuniu especialistas no tema, tendo a participação da diretora titular de Responsabilidade Social e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da federação, Grácia Fragalá.

O Pacto Global foi um parceiro da Fiesp na realização do seminário. O Pacto tem por objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em seus negócios, de valores internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. 

“Vários levantamentos mostram a importância de receber os refugiados, destacando como isso é benéfico para os países que abrem as suas portas”, afirmou. “A vinda dos imigrantes traz diversidade e oxigena a economia, estamos falando de acolher seres humanos”, disse.

Para Grácia, ter um imigrante no quadro de funcionários é “proporcionar intercâmbio internacional pela convivência e pela aprendizagem”. “Vamos ajudar em campanhas educativas sobre a lei para diminuir a resistência em torno do tema”, disse. “Somar esforços para um cenário que é realidade hoje no país”.

Também presente na abertura, a chefe do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Maria Beatriz Nogueira, afirmou que existem mais de 68 milhões de pessoas em situação de deslocamento involuntário no mundo, dos quais 25 milhões de refugiados. “Estamos falando de uma situação de urgência”, disse. “É uma necessidade e uma característica do Brasil receber quem vem de fora”.

Segundo ela, mais de 1,5 milhão de venezuelanos já saíram de seu país, a maioria para a América do Sul e América Central. Desses, 50 mil vieram para o Brasil. “Muitas razões fazem as pessoas saírem”, explicou. “O governo brasileiro tem foco na abertura de fronteiras e na acolhida humanitária”, disse. “Com o direito de trabalhar e usar serviços públicos”.

Questão de estratégia

“É estratégico que os imigrantes sejam integrados à sociedade”, disse.  “Trabalhamos para dar mais visibilidade a essas boas experiências, estamos estudando criar uma plataforma para divulgar as ações das empresas que vivem esse trabalho de inclusão”.

Analista de Paz e Governança do Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento da PNUD, Ana Cristina Silva Barroso destacou o trabalho feito com os venezuelanos no norte do país, visando a inserção social e o emprego. “É fundamental que fechemos parcerias para ajudar essas pessoas”, disse.

Subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil/Presidência da República, Natália Marcassa de Souza lembrou que os venezuelanos começaram a chegar ao Brasil no final de 2016.

“Eles vão principalmente para Boa Vista, capital de Roraima, já são 10 mil venezuelanos lá”, disse.

De acordo com Natália, com a chamada Operação Acolhida, o governo decidiu federalizar e centralizar as iniciativas ligadas aos imigrantes. “Os imigrantes querem dignidade e oportunidade de trabalhar, não caridade”, explicou. “A interiorização é o caminho, levar para outras cidades, sempre buscando sensibilizar as empresas, buscando parceiros”.

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O seminário: acolher os imigrantes é opção estratégica para os países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp