Iniciativas Sustentáveis: Vedacit – Cidades do Futuro

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Por Karen Pegorari Silveira

Estimular a harmonia entre as pessoas, moradias e os espaços urbanos e criar condições para enfrentar os desafios socioambientais, estabelecendo formas mais inteligentes, sustentáveis, criativas e humanas para as cidades do futuro é a missão do Instituto Vedacit, braço social da empresa de mesmo nome.

Com olhar para as cidades sustentáveis, inteligentes e criativas, a empresa vem criando diversos projetos inovadores, como o portal Futuro das Cidades, que engloba notícias sobre o mercado, iniciativas que estão acontecendo nas cidades brasileiras, ideias, tendências, cases e discussões sobre este universo.

Outra iniciativa inovadora da empresa é a aceleração corporativa de startups no Brasil do projeto Vedacit Labs. Direcionado para as Construtechs (startups de construção civil), foram selecionadas cinco iniciativas para serem impulsionadas a partir de março de 2019. O Programa de Inovação Aberta focou em ideias voltadas para duas áreas: Digital – entre elas sensores de Internet das Coisas (IoT), Inteligência Digital (BIM, E-Commerce, CRM, IA) e plataformas para a capacitação de pedreiros, aplicadores, Faça Você Mesmo (DIY), indicação de profissionais ou serviços para diagnóstico, gestão e monitoramento em obras; e Impermeabilização – tais como soluções para impermeabilizar sistemas de captura e reuso de água, serviços para habitações na baixa renda e para a melhoria dos processos construtivos nas etapas de impermeabilização. As Construtechs selecionadas contarão com Seed Money no valor de R$ 100 mil reais, para cada uma, seis meses de residência no WeWork em São Paulo, local onde já está a área de Inovação da Vedacit, quatro meses de aceleração em parceria com a Liga Ventures, e o incentivo para geração de negócios no segmento de construção civil.

Além das ações próprias, realizadas pelo Instituto Vedacit, há também os projetos em parceria, como o praticado com a ONG Habitat para a Humanidade – que viabiliza moradias adequadas por meio de reformas em casas da comunidade de Heliópolis, região sul de São Paulo; o projeto ImaginaC, que acontece durante o Festival de Inovação e Impacto Social (FIIS) – um jogo de impacto social com 50 alunos de uma escola municipal em Poços de Caldas (MG) para desenvolver a imaginação e aumentar a participação e engajamento dos moradores da cidade; o Programa Coletivo Jovem, que conecta jovens de 16 a 25 anos com novas oportunidades de geração de renda e desenvolvimento profissional em parceria com o Instituto Coca-Cola Brasil. Além das parcerias nos projetos Anip – Aceleradora De Negócios Da Periferia, Chamada Impulse e Colab ONU Habitat.

Outra iniciativa de grande impacto social é o Juntos Somos +. Criado em 2014 pela Votorantim Cimentos como um programa de relacionamento, tem a proposta de profissionalizar varejistas e balconistas e contribuir para a sustentabilidade da cadeia por meio da geração de novos negócios. Atualmente o projeto conta com 14 empresas (Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre ‘fundadoras’, Santander, Linx, Vedacit, Eternit, Suvinil, Stam, Bosch, Casa do Construtor, Ciser, Ourolux e Cozimax, 25 profissionais com habilidades e experiência diversificados no time, R$ 30 milhões já investidos e R$ 50 milhões em investimentos até 2020. No programa, são 40 mil lojas e mais de 60 mil profissionais já cadastrados.

Para o gerente de Inovação e Sustentabilidade da Vedacit, Luis Fernando Guggenberger, a empresa tem uma grande oportunidade de inovar na área em que atua. “Nós na Vedacit enxergamos que a Sustentabilidade e a Responsabilidade Social são drivers para inovarmos no setor da construção civil. Se olharmos o dado de que no país atualmente temos mais de 16 milhões de habitações insalubres, temos um papel de suma importância para contribuir com a melhoria das residências brasileiras e por sua vez melhorar a qualidade de vida e bem-estar da população”, diz.

Sobre a Vedacit

Vedacit é uma empresa brasileira do Grupo Otto Baumgart, que comercializa produtos de imperializantes em geral. A empresa atua além do Brasil, de Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile. As fábricas ficam em São Paulo e no nordeste,


Iniciativas Sustentáveis: MRV Engenharia – Investimento Social

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Por Karen Pegorari Silveira

Para acompanhar a evolução do conceito de filantropia para o investimento social privado estratégico, a MRV Engenharia criou o Instituto MRV e atualmente investe 1% do total do seu lucro líquido em iniciativas de desenvolvimento educacional nas comunidades onde atua. Além disso, a companhia conta com o apoio de mais de 2.600 colaboradores voluntários.

Somente no ano de 2018 foram investidos R$ 6 milhões de reais em programas internos e de apoio a importantes instituições, como o Programa Educar para Transformar – Chamada Pública de Projetos, que busca propostas que associam educação aos três pilares do desenvolvimento sustentável: social, ambiental e econômico. Os projetos selecionados recebem aporte financeiro e suporte da equipe do Instituto para o desenvolvimento das ações, o acompanhamento da aplicação dos recursos e a realização de capacitação. 20 projetos já foram apoiados dentro do programa, impactando 27 mil pessoas diretamente.

No MRV Voluntários, o primeiro desenvolvido pelo Instituto, mais de 24 mil pessoas foram impactadas diretamente pelas ações dos colaboradores da empresa. Em 2018 mais de 2.600 voluntários foram cadastrados.

O Programa Seu filho, Nosso futuro apoia os colaboradores com o fornecimento de material escolar para as crianças e os adolescentes com idade entre 6 e 14 anos e incentivo ao hábito da leitura para crianças de 0 a 5 anos. Mais de 11 mil crianças e adolescentes, filhos dos nossos colaboradores, foram impactados com o programa.

Já o Escola Nota 10 foca na capacitação profissional no local e horário de trabalho do operário. Desde 2011, a empresa desenvolve o programa em todas as suas regionais.  Com o apoio do Instituto MRV, atualmente são mais de 5.800 trabalhadores beneficiados de diversas áreas.

Além destas, há outras ações como a parceria com a ONG Mulher em Construção, que ofereceu gratuitamente curso de cerâmica exclusivo para o público feminino, em canteiro de obras de Canoas (RS). As mulheres selecionas para a primeira turma tinham mais de 18 anos e antes de iniciarem o treinamento elas tiveram as carteiras assinadas pela construtora. O curso teve duração aproximada de um mês (168 horas, oito horas por dia), com aulas teóricas pela manhã e práticas à tarde, no próprio canteiro. O processo contou com participações em atividades culturais, apoio psicológico durante todo o período e por fim, a formatura, que marcou o término do treinamento e a entrega da certificação. Esse foi um projeto piloto que iniciou no Rio Grande do Sul e pode alcançar o território nacional, nos 22 Estados onde a construtora atua.

As iniciativas sustentáveis da MRV levaram a empresa até a 73º Assembleia Geral da ONU, onde a construtora apresentou seu case no “SDG’s in Brazil” de propostas e ações para atingir os ODS no país. Além disso, a MRV Engenharia integra a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3, onde as empresas listadas são reconhecidas por sua governança corporativa, boas práticas ambientais e sociais, sustentabilidade do negócio e produtos.

De acordo com Eduardo Fischer, presidente da MRV Engenharia, há um consenso de que empresas bem-sucedidas precisam assumir responsabilidades diante da sociedade. “Na MRV, por estarmos plenamente conscientes do nosso papel social, temos contribuído por meio do Instituto MRV, de forma efetiva para a melhoria da qualidade de vida das comunidades em que atuamos de norte a sul do Brasil. Se são as pessoas que fazem da MRV a maior construtora residencial do Brasil, é para as pessoas que investimos em projetos que envolvem educação, visando sempre o bem-estar de todos os públicos com os quais interagimos”, declara.

Raphael Lafeta, diretor do Instituto MRV, declara ainda que “Garantir um país mais solidário e sustentável é o nosso compromisso. Para isso, o Instituto vem atuando em parceria com empresas, entidades e órgãos públicos para promover acesso a oportunidades de crescimento social. Acreditamos que isso só é possível por meio da educação. Por essa razão, desenvolvemos e apoiamos projetos com esse viés”, diz.

Sobre a MRV Engenharia

Fundada em outubro de 1979 a MRV Engenharia é a primeira construtora da América Latina a oferecer energia fotovoltaica para seu segmento de atuação e está presente em mais de 150 cidades de 22 Estados e no Distrito Federal. Em seus 38 anos de atividade já vendeu mais de 300 mil unidades e foi eleita, pelo segundo ano consecutivo, a maior e a melhor empresa do ano no setor de Construção pelo ranking Melhores e Maiores 2018, publicado pela revista Exame.

Iniciativas Sustentáveis: Grupo A. Yoshii – Engajamento

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Por Karen Pegorari Silveira

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Globoforce WorkHuman, que contou com a consulta de 23 mil funcionários em 45 países e diferentes indústrias, o maior motivador encontrado na força de trabalho é o sentimento de pertencer: sentir-se parte de um time, grupo ou organização é o que mais gera felicidade entre os profissionais. Mais do que isso, os profissionais que sentem um forte senso de pertencimento têm uma performance superior, contribuem além das expectativas, e também estão menos propensos a pedir demissão.

Atentos a estes benefícios, o Grupo A. Yoshii Engenharia desenvolveu diversos projetos, por meio do seu Instituto, para engajar e favorecer o desenvolvimento dos seus colaboradores, além de ações ligadas a comunidade.

Dentre os vários projetos realizados pela empresa está o Programas de Melhoria Contínua, onde os colaboradores têm a oportunidade de trazer ideias e sugestões que podem ser premiadas, remuneradas e implantadas, mitigando o impacto causado no meio ambiente. Uma das ideias premiadas foi para o tratamento e reutilização da água da limpeza dos pinceis de pintura. Em 2017, a empresa recebeu 35 sugestões, aprovou 22 delas e premiou oito funcionários cujas propostas resultaram em redução de custos. Eles foram convidados a participar da execução dos projetos e tiveram os nomes divulgados nos murais.

Outra ação teve grande investimento por parte da construtora, mais de 1 milhão de reais em capacitação e formação de lideranças. O suporte à formação inclui ainda bolsas de estudo de 50% a 100% em cursos de pós-graduação e parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) em programas de alfabetização, ensino fundamental e inserção digital.

Para a comunidade do entorno foi desenvolvido o projeto Criando, idealizado para minimizar o impacto ambiental e reaproveitar os resíduos da construção civil que seriam descartados, transformando-os em objetos de arte e artesanato. A iniciativa é aberta a toda comunidade, promove a capacitação profissional, gera renda e melhora a autoestima das mulheres. Em 2017, cerca de 150 pessoas participaram das 27 oficinas que ensinaram sobre produção de cachepô e mosaico. Atualmente são ofertadas três oficinas por mês, entre os meses de fevereiro e novembro. Estima-se que desde que começou o Criando Arte já beneficiou mais de 1.200 pessoas através da realização de aproximadamente 280 oficinas. Este projeto foi reconhecido nacionalmente com a conquista do 1º lugar na categoria Organização da Sociedade Civil, na 3ª edição do Prêmio Sesi ODS.

De acordo com o presidente do grupo, Leonardo Yoshii, a Construção Civil é um dos setores mais relevantes da Economia. “Somos o segmento que mais emprega mão de obra, por isso, os projetos de Responsabilidade Social têm uma importância. Faz parte do nosso papel contribuir para a educação e para a cidadania das pessoas. É um esforço conjunto de transformação. Quando falamos que queremos um mundo melhor, isso depende de cada um e das empresas em desenvolverem trabalhos e boas práticas nesse sentido”, acrescenta.

O Grupo A.Yoshii realiza todas as ações de responsabilidade social por meio do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii, organização criada em 2006 que atua de maneira a favorecer o desenvolvimento dos próprios colaboradores, população e da região onde o Grupo está inserido. Dentre seus vários projetos estão ainda o programa de voluntariado, bazares, eventos com palestras de conscientização sobre temas importantes, campanhas de doação e de prevenção de doenças, plantio de árvores e apoio a instituições filantrópicas.

Todas as atividades do grupo têm como foco o fomento à Cidadania, à Educação e o respeito ao meio ambiente, dentro das premissas do Pacto Global e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Sobre o Grupo A. Yoshii

Fundado em 1965, a A.Yoshii Engenharia atua na construção e incorporação de empreendimentos imobiliários em Londrina, Maringá e Curitiba, no estado do Paraná. Em 2009 fundou a Yticon Construção e Incorporação, focada em criar empreendimentos econômicos, localizados em regiões de potencial valorização. Entre os prêmios e reconhecimentos estão “150 Melhores Empresas para Você Trabalhar”, Revista Você S/A; “Melhores Empresas do País em Gestão de Pessoas”, Revista Valor Carreira; “Maior construtora da Região Sul”, Valor Econômico; “Great Place to Work”.

Artigo: Construção Civil e a Responsabilidade Social

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Haruo Ishikawa

O ano de 2018 foi muito difícil tanto para a indústria da construção paulista como para o SindusCon-SP, que a representa. O PIB da construção acumulou queda de cerca de 30% nos últimos cinco anos. O número de demissões no setor ainda suplantou o de contratações, embora em ritmo menor. Devemos ter fechado o ano com pouco mais de 600 mil trabalhadores empregados, recuando ao número de empregados registrados em dezembro de 2008.

Da mesma forma como ocorreu com os demais sindicatos, o SindusCon-SP viu suas receitas diminuírem com o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. Um grande esforço foi realizado na busca de novas fontes de receita, para não prejudicar a prestação de serviços às empresas associadas. E, felizmente, conseguimos com isso realizar todas as ações de Responsabilidade Social previstas em nossa programação anual.

Com o tema “Conquistando um novo futuro”, realizamos a 11ª edição do ConstruSer – Encontro Estadual da Construção Civil em Família. Considerado o maior evento de responsabilidade social da construção paulista, o ConstruSer atingiu mais de 22 mil pessoas, entre trabalhadores da construção e seus familiares, na capital e em todas as cidades-sede das Regionais do SindusCon-SP no interior do Estado.

Durante todo o dia, foram oferecidos atendimentos médicos, odontológicos e educacionais, além de muitas opções de lazer. Os participantes beneficiaram-se de um total de 245 mil atendimentos proporcionados pelo sindicato e por seus principais parceiros: Sesi-SP, Senai-SP e Seconci-SP, além de outras entidades

Outro evento relevante foi a 18ª edição anual da Megasipat – Mega Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, realizada com os mesmos parceiros em todo o Estado. Mais de 2.700 participantes de 307 empresas vivenciaram um dia de atividades voltadas à prevenção em saúde e segurança do trabalho, tornando-se multiplicadores de boas práticas nos respectivos canteiros de obras.

Durante todo o ano, mantivemos o Programa SindusCon-SP de Segurança, em parceria com o Senai-SP. Nos primeiros oito meses do ano, cerca de 1.000 canteiros de obras de mais de 500 empresas que empregam 87 mil trabalhadores já haviam sido visitados pelos técnicos de segurança do programa. Conferiu-se o atendimento às exigências da Norma Regulamentadora 18 do Ministério do Trabalho, que trata da segurança no ambiente de trabalho da construção, e das demais normas de saúde e segurança. Muitas melhorias foram implementadas, graças ao trabalho dos técnicos de segurança.

Outro destaque foi a continuidade do Programa de Elevação da Escolaridade, mantido em parceria com o Sesi-SP, e que se destina proporcionar conhecimentos básicos de português e aritmética aos trabalhadores do setor. Até agosto, 127 funcionários frequentavam os cursos nas 33 salas que haviam sido abertas.

Bastante relevante foi o 5º Prêmio Seconci-SP de Saúde e Segurança do Trabalho, que obteve muita repercussão no setor. A premiação foi realizada em parceria com o Seconci-SP para reconhecer e divulgar as práticas de saúde e segurança do trabalho mais bem-sucedidas, implementadas em canteiros de obras do Estado. Foram laureados 16 canteiros de obras de 9 empresas, além do Trabalhador Modelo e do Empresário do Ano que se destacaram nesta área. Para os trabalhos de avaliação dos participantes, contamos mais uma vez com o auxílio dos técnicos do Senai-SP.

Também divulgamos nossas práticas de responsabilidade social em eventos como o Enic – Encontro Nacional da Indústria da Construção, a Canpat – Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho do Ministério do Trabalho, e o Seminário Unificado em Segurança e Saúde dos Trabalhadores da Fundacentro.

Ao mesmo tempo, seguimos participando da Fiesp por intermédio do Cores e do Depar, além de outras entidades e órgãos, como a Comissão de Política e Relações Trabalhistas da CBIC, os Comitês Permanente Regional do Estado de São Paulo e Nacional da NR-18, e o Fórum de Ação Social e Cidadania da CBIC.

Ter realizado tanto em meio às dificuldades que caracterizaram a vida associativa em 2018 nos deixa com a sensação do dever cumprido, no sentido da contribuição efetiva que a responsabilidade social proporciona à indústria da construção e ao país.

HARUO ISHIKAWA é vice-presidente de Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP, presidente do Seconci-SP, membro do Cores e do Depar da Fiesp e líder de Saúde e Segurança do Trabalho da Comissão de Política e Relações Trabalhistas da CBIC.

Artigo: Inovação aberta com impacto social para grandes transformações

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Priscila Martins

A cultura empreendedora está avançando no Brasil e tem mostrado enorme potencial para auxiliar as grandes empresas brasileiras a enfrentarem os desafios da inovação. Na jornada em direção à competitividade, as mudanças tecnológicas têm exercido pressão para que as grandes empresas aumentem a eficiência com menor investimento. Diante desse contexto, a inovação aberta – que combina ideias internas e externas para acelerar o desenvolvimento de produtos, serviços e processos – se mostra perfeitamente alinhada a essa demanda. O modelo, que teve início na cooperação da academia com empresas, não chega a ser uma novidade; entretanto, a inovação aberta com impacto social é disruptiva.

Pioneira no Brasil no apoio a negócios de impacto social – modelo que tem se consolidado como forte tendência econômica contemporânea ao propor a atuação de empresas que oferecem, de forma intencional, soluções escaláveis para problemas ambientais e sociais da população de baixa renda –, a Artemisia é a responsável pelo desenvolvimento do conceito que une impacto social à inovação por meio do empreendedorismo. Nos últimos anos, a organização tem aprimorado os projetos, customizando para parceiros que vão de grandes indústrias a fundações e institutos, passando por organizações e empresas de tecnologia. Entre as mais recentes parceiras estão a Coca-Cola Brasil, Natura, Caixa, Facebook, Ford Fund, Eletropaulo, AES Tietê, Fundação Cargill, Gerdau e Danone Early Life Nutrition. A experiência tem sido muito rica e mostrado que inovação atrelada ao impacto social traz bons frutos, tanto para as empresas, quanto para as startups e, principalmente, para a sociedade.

A visão da Artemisia é que as grandes empresas possuem um poder de transformação gigantesco – em todos os elos da cadeia – e considera importante utilizar esta força para impulsionar resultados de impacto no país. Enquanto as startups sonham em ter acesso ao mercado e aos ativos das grandes empresas; as grandes empresas almejam a flexibilidade e inovação das startups. Nessa intersecção de interesses crescem oportunidades para ambos os lados. Para os negócios de impacto social, a aproximação agrega valor pelo acesso aos ativos e estrutura de uma grande empresa, além de capital e mentoria de executivos experientes. As grandes companhias, por sua vez, associam essa cooperação à geração de ideias disruptivas – uma forma rápida de inovar e com custos menores. Ao adotar um modelo de inovação aberta de impacto social, startups e corporações levam a parceria a um novo patamar.

Nos últimos anos, a organização tem investido para criar mecanismos de aproximação entre grandes empresas e negócios de impacto social. A proposta é identificar e potencializar uma nova geração de empreendedores e empreendedoras de negócios de impacto social que sejam referência na construção de um Brasil mais ético e justo; dar suporte para que existam mais empresas interessadas em atuar para solucionar problemas ambientais e sociais, que afetam, principalmente, a população de baixa renda. Nesse processo, acreditamos que seja possível inspirar grandes corporações a inovar; unir inovação aberta e impacto social. Podemos chamar esse modelo, inclusive, de inovação com causa.

Para tornar o conceito mais tangível, destaco dois cases. O primeiro é a parceria com a área de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil. A Artemisia conduziu o Coca-Cola Open Up – The Boat Challenge com o objetivo de encontrar e impulsionar empreendedores com iniciativas inovadoras e soluções para questões relacionadas à água, agricultura sustentável, biodiversidade, empreendedorismo e saúde/bem-estar; ações conduzidas por startups com propostas voltadas ao desenvolvimento socioambiental da Região Norte do Brasil. Esse processo foi vivenciado de forma também inovadora – em um barco, navegando pelo Rio Amazonas, de Parintins a Manaus. A ação inovadora da Coca-Cola Brasil representa a iniciativa de uma grande organização que associa os negócios de impacto social a uma oportunidade de aumentar o impacto dentro da cadeia de valor da companhia.

O segundo exemplo é a parceria com a Caixa e apoiada pelo Fundo Socioambiental Caixa. A Artemisia desenvolveu o Desafio de Negócios de Impacto SocialEducação Financeira e Serviços Financeiros para Todos – primeiro programa de inovação aberta de impacto do Brasil que potencializou negócios inovadores focados em inclusão financeira. A iniciativa – uma das maiores da história da Artemisia – apoiou empreendedores com o forte compromisso de impacto social para o desenvolvimento de soluções financeiras que atendessem às reais necessidades da população de menor renda no Brasil. As soluções mais inovadoras e com maior potencial de impacto social receberam mentoria das duas organizações, além de apoio financeiro para validação das soluções por meio da realização de pilotos com o público-alvo do programa: beneficiários do Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

Na essência, a inovação social aplicada a modelos de negócios oferece abundância de soluções, sobretudo para indústrias que precisam oxigenar pautas das equipes de profissionais, inspirando novas abordagens e visões estratégicas – seja de processos, seja de produtos. A inovação aberta com impacto social promove parcerias que ajudam a melhorar a eficiência da indústria e colabora com o fomento de um empreendedorismo que está transformando o Brasil.

* Priscila Martins é gerente de Relações Institucionais da Artemisia

Artigo: Precisamos falar sobre os idosos

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*Por Daniela Diniz

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Precisamos falar sobre os seniores. Sim, seniores, experientes, idosos, ou como algumas correntes vêm nomeando “talentos grisalhos”. No guarda-chuva da diversidade, esse é um tema ainda ignorado. Ignoramos que em 2020 triplicaremos o número de idosos que tínhamos em 2010. Ignoramos que daqui a 10 anos, as pessoas com mais de 50 anos serão quase 30% da população brasileira. Ignoramos que a expectativa de vida do brasileiro já passou dos 75 anos. Ignoramos que essa população tem ainda muita lenha para queimar.

Apesar de todas as estatísticas mostrarem o avanço da população grisalha e de estudos alertarem para um novo perfil da sociedade brasileira, as empresas seguem – em sua grande maioria – preocupadas apenas em desenhar benefícios, políticas e práticas de atração e carreira com base na força jovem (incluindo aqui as salas coloridas e as mesas de ping pong). A consequência? A fila da experiência só aumenta do lado de fora das companhias. Apenas 25,24% da população economicamente ativa tem mais de 50 anos. Entre as Melhores Empresas para Trabalhar – organizações que são referência em práticas de gestão de pessoas – somente 12% dos funcionários têm entre 45 a 54 anos. Os acima de 55 anos não passam de 3% do quadro total. É pouco. Muito pouco.

Se não incluirmos este tema na agenda corporativa e refletirmos sobre o impacto geracional na nossa força de trabalho, não vamos mudar nosso modelo mental e, consequentemente, não vamos avançar um dedo na nossa retrógrada forma de pensar a vida – dentro e fora da empresa. Vamos continuar dividindo a vida em fases, a carreira em degraus e os cargos em caixas. Vamos continuar separando a vida “profissional” da “vida pessoal” e cumprindo cartilhas gastas de gestão de pessoas. Acontece que no mundo volátil, complexo, ambíguo e incerto não existe mais linearidade. As coisas acontecem ao mesmo tempo e às vezes até de trás para frente.

Portanto, quando dizemos: “precisamos falar sobre os idosos” não se trata de elaborar aqueles programas de preparação para a aposentadoria. Pois não existe mais motivos para preparar alguém para a vida “após o trabalho” – ranço que carregamos ao sermos educados a dividir a vida em fases: nascer, estudar, formar-se, casar, ter filhos, trabalhar, “subir na carreira” e se aposentar (onde morava o imaginário da vida boa e tranquila). Esse modelo não cabe mais na nossa sociedade. Falar sobre os idosos significa preparar QUALQUER PROFISSIONAL para uma longa vida.  Trata-se de repensar o modelo mental para recriar as carreiras fechadas que foram desenhadas apenas para os mais jovens. Trata-se de colocar na pauta este tema, mesmo que seja apenas um primeiro pontapé, como os programas ainda embrionários de algumas empresas que visam contratar pessoas com mais de 55 anos.

“Ah, mas esses programas não passam de ofertas de subemprego para os velhinhos”, dizem alguns. Não importa. Abrir as portas – ainda que seja do atendimento no balcão – para os mais experientes é mudar o estereótipo do mercado de trabalho, acostumado apenas a ver jovens nas lojas, nas lanchonetes, no comércio de uma forma geral. Estou morando nos Estados Unidos por um período e aqui é muito mais comum do que no Brasil encontrar idosos trabalhando – seja nos restaurantes, seja nas clínicas ou nas lojas. Isso porque a busca por profissionais para os serviços há muito tempo deixou de ter o crivo da idade. Portanto, esses estabelecimentos não são considerados mais exceções ou locais especiais – a contratação dos cabelos brancos para essas funções já virou rotina.

Enquanto essa prática não entrar na rotina das empresas, porém, é preciso sim começar por políticas pontuais. A rede Starbucks, no México, por exemplo, anunciou recentemente a abertura de uma loja operada apenas por funcionários mais velhos: entre 60 e 65 anos. A iniciativa ocorreu no Distrito de Coyoacan, na Cidade do México. Os contratados receberão benefícios adicionais aos regulares – como aumento do seguro médico total, dias extras de folga e um dia de trabalho com turno de seis horas e meia – a jornada no México é de 48 horas semanais. No total, o quadro de funcionários soma 14 talentos grisalhos entre baristas, supervisores e especialistas em café, divididos em três turnos. O objetivo da rede é empregar 120 idosos até o final de 2019 no México.

É com iniciativas como essa que começamos a mudar nosso olhar e nosso modelo mental. Enquanto isso não acontecer, vamos continuar dividindo a vida em fases: início, meio e fim de carreira, e apresentar números cada vez mais descolados da nossa sociedade. Por fim, como diz Renato Bernhoeft, um dos pioneiros a trabalhar com transição de gerações e planejamento de sucessão em empresas familiares, “o grande desafio não está no envelhecimento, mas na capacidade de se reinventar” Que nós nos reinventemos — como empresas e como seres humanos.

*Daniela Diniz é diretora de Conteúdo e Eventos do Great Place to Work Brasil e autora do livro Grandes Líderes de Pessoas – a trajetória dos líderes de recursos humanos mais influentes do Brasil. Formada em Jornalismo pela Fundação Cásper Líbero, com MBA em Recursos Humanos pela FIA, atuou por mais de 15 anos como jornalista na Editora Abril.

Entrevista: Empregabilidade dos 50+

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Por Karen Pegorari Silveira

A inclusão de profissionais acima dos 50 anos no mercado de trabalho nunca foi tão comentada como hoje. Empresas criaram processos seletivos específicos para contratarem estes profissionais e outras empresas foram criadas somente com esta finalidade. É o caso da MaturiJobs, uma startup que conecta empresas e profissionais seniores.

Nesta entrevista, o engenheiro de Software e criador da startup, Morris Litvak, conta sobre os desafios e benefícios de inserir esta geração no mercado de trabalho atual.

Leia Mais na Íntegra da Entrevista:

O que as empresas precisam saber sobre os profissionais acima dos 50 anos de idade?

Morris Litvak – As empresas precisam entender que os profissionais 50+ têm muito a contribuir. Além da experiência profissional e de vida, são pessoas com alto grau de comprometimento, responsabilidade e várias outras qualidades, que são complementares às dos jovens. É preciso pensar desta forma e não simplesmente comparar com os jovens. A integração intergeracional e a diversidade etária trazem inovação e qualidade, além de muitos outros benefícios ao ambiente de trabalho. É preciso quebrar os mitos e paradigmas e parar de achar que é normal limitar vagas com idade máxima.

Ao decidir empregar os chamados 50+, quais passos a empresa deve seguir?

Morris Litvak – A empresa deve se preparar antes de contratar. É fundamental levar este assunto aos líderes e gestores, e depois à toda a equipe, para que haja uma conscientização prévia sobre o assunto e o ambiente de diálogo intergeracional seja minimamente criado para tirar o melhor proveito das diferentes gerações, que precisam estar integradas. Depois, entender como e onde ela pode melhor aproveitar o profissional 50+ e buscar essas pessoas em sites como a Maturijobs, deixando todo o preconceito de lado.

Negócios com diversidade de profissionais se diferenciam da concorrência e aumentam seu sucesso, mas na prática quais os benefícios para as empresas e para a sociedade quando profissionais acima dos 50 se inserem no mercado de trabalho formal? Existem desafios?

Morris Litvak – Existem diversos desafios. O preconceito etário pode existir dos dois lados portanto além de preparar a empresa, é necessário que o profissional contratado também esteja preparado (aberto) para lidar com jovens e devidamente atualizado. Entender qual tipo de função essas pessoas podem fazer, diferenciando dos jovens, para que sejam complementares também é importante: o comprometimento diminui o turnover, a responsabilidade diminui o absenteísmo, a atenção e paciência melhoram a qualidade do atendimento, a credibilidade e confiança ajudam nas vendas, e por aí vai. Todas essas são características comumente presentes nos mais maduros, além da experiência. Mas as vezes é preciso ter paciência e sempre dar o devido espaço e voto de confiança para que eles possam mostrar suas qualidades, provendo também possibilidades de atualização contínua.

Como as empresas devem lidar com o conflito geracional? É possível gerar oportunidades através disso?

Morris Litvak – O jovem líder saber como lidar com alguém bem mais velho que ele em sua equipe é sempre um grande desafio, por isso a preparação prévia é essencial, através de palestras, workshops de sensibilização, consultoria, etc. As oportunidades são saber mesclar o que cada um tem de melhor, como já citado, de forma que cada geração aprenda e ensine uma à outra, gerando uma rica troca, extremamente benéfica a eles e à empresa.

Quando uma empresa te procura para contratar profissionais acima dos 50 anos, quais são as principais competências solicitadas?

Morris Litvak – São o comprometimento, responsabilidade e experiência. As posições com mais oferta na MaturiJobs atualmente são: vendas, atendimento ao cliente, administrativo/financeiro e gestão.

Em sua opinião, as empresas brasileiras e seus profissionais estão preparados para receber os 50+? Se não, como todos podem se preparar?

Morris Litvak – Eu diria que pouquíssimas empresas estão devidamente preparadas para isso no Brasil atualmente. É preciso começar desde já a levar este assunto para dentro das formas que falei, pois mais do que uma questão social, este é um assunto estratégico para as organizações, já que o público consumidor e a força de trabalho estão envelhecendo rapidamente no Brasil. As pessoas viverão cada vez mais e estão tendo cada vez menos filhos, e isso impactará profundamente o mercado de trabalho. O quanto antes as empresas começarem a se preparar para isso, mais prontas elas estarão para o Brasil maduro que está chegando, além da tendência de o governo criar incentivos e/ou cotas para isso após a reforma da previdência.

Iniciativas Sustentáveis: Totvs – Gerações que se completam

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Por Karen Pegorari Silveira

Atualmente, o Brasil tem mais de 26 milhões de idosos. Esse número, em 2030, será superior ao de crianças até 14 anos. Já no ano de 2050, os idosos representarão quase 30% da população do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por isso, os negócios que já valorizam a mão de obra mais experiente sairão na frente.

Este é o caso da TOTVS, empresa multinacional brasileira de tecnologia que criou o programa Geração Sênior em 2016. A ideia inicial veio do vice-presidente de tecnologia e plataforma, Marcelo Eduardo, e a avaliação tem sido positiva, inclusive alguns dos novos contratados ocupam cargos altos.

O programa surgiu com o objetivo de incentivar a contratação de aposentados na TOTVS e inicialmente não teria distinção entre áreas, mas as primeiras que se propuseram a contratar foram a de suporte e facilities. Por meio desta iniciativa, a empresa já contratou dois profissionais e, além deles, cerca de 160 pessoas acima de 50 anos foram contratadas por meio dos demais processos seletivos.

A TOTVS é uma, entre os 94% de companhias que acreditam que a experiência da terceira idade contribui para o crescimento do negócio, de acordo com estudo da consultoria PwC e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo relata a diretora de RH, Rita Pellegrino, todos os envolvidos no programa foram surpreendidos. “Resolvemos rodar um piloto antes porque nossa população é muito jovem, mas os resultados foram muito positivos! Os profissionais da Geração Sênior possuem uma boa bagagem no mundo corporativo e são comprometidos. Em razão disso, algumas vezes se tornam mentores dos mais novos da equipe. Temos visto os profissionais mais sênior felizes em trabalhar e interagir com as pessoas mais jovem”, diz.

Para a companhia, a diversidade vai além. “Queremos mostrar para a sociedade que requisitos de gênero, formação, idade e outros, são detalhes. Queremos ressaltar a importância de valorizar as pessoas, independentemente desses requisitos”, diz Rita.

Sobre a Totvs

Atualmente, a empresa conta com cerca de 3,5 mil colaboradores na sede em São Paulo, sendo dois mil focados em desenvolvimento e inovação e 7,8 mil ao todo – sendo 60% da geração Y, nascidos pós anos 1980.

Sindicato Responsável: Sindicouro – Saúde e Segurança em Foco

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Por Karen Pegorari Silveira

O setor do couro engloba hoje, no Brasil cerca de 310 Curtumes, 2.800 indústrias de componentes para couro e calçados e 120 fábricas de máquinas e equipamentos. O segmento chega a movimentar US$ 3 bilhões a cada ano e emprega atualmente mais de 50 mil trabalhadores, segundo dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

Sendo assim, é importante que as indústrias mantenham preocupação com os temas de Responsabilidade Social que envolvem seus trabalhadores, como a saúde e a segurança no trabalho.

Por isso, para apoiar e orientar seus associados nos temas que mais impactam as empresas, o Sindicouro criou um grupo de trabalho com representantes do setor que, juntamente com os representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), fabricantes de máquinas e apoio do SENAI/SP, debatem sobre a Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12), o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e o Risco de Acidente de Trabalho (RAT).

A NR 12 estabelece medidas de segurança em Máquinas, cuja análise de risco e dispositivos de segurança devem ser adotadas na instalação e operação, visando à prevenção de acidentes do trabalho. Já o FAP afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período; e o RAT é a contribuição previdenciária paga pelo empregador, para cobrir os custos da previdência com trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais.

Além deste trabalho, o sindicato também atua fortemente na preservação do Meio Ambiente com investimentos constantes das indústrias do setor e, no final de 2017, retomou a Câmara Ambiental de Couros Peles e Calçados junto a CETESB.

O diretor Executivo do sindicato, Alexandre Luta, explicou que a iniciativa leva em conta a necessidade de otimizar os investimentos das empresas, dando orientações objetivas e segurança jurídica. Com isso, o SINDICOURO espera contribuir para que as empresas e os trabalhadores ganhem em aprimoramento técnico, saúde e segurança no ambiente de trabalho.

Conheça mais ações do Sindicouro no https://www.fiesp.com.br/sindicouro/


Iniciativas Sustentáveis: Pepsico – Atraindo Experiência

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Foto de: joao pregnolato

Por Karen Pegorari Silveira

O Brasil, que por décadas foi considerado um país extremamente jovem, vem acompanhando uma tendência mundial – a da longevidade, o que afeta diretamente o mercado de trabalho, que hoje conta com 7,8% de trabalhadores idosos. Dessa forma, é cada vez mais oportuno que as empresas se preparem para ter estes profissionais seniores em seus quadros, assim como fez a indústria Pepsico, ao implantar o Programa Golden Years.

O programa, criado em 2016, está alinhado às diretrizes de Performance com Propósito – estratégia global de negócios da empresa com metas estabelecidas a curto, médio e longo prazo para os pilares Pessoas, Planeta e Produto. A iniciativa, do pilar Pessoas, promove a diversidade ao abrir espaço para profissionais com mais de 50 anos e contempla principalmente a área de operações, onde se concentra o grande número de vagas.

O processo seletivo do Golden Years segue o modelo já existente na companhia. As vagas são divulgadas externamente e internamente para que funcionários tragam indicações. Para todas as vagas abertas são avaliados também profissionais com 50 anos ou mais que estejam dentro do perfil exigido.

Segundo o vice-presidente de Recursos Humanos da empresa, Mauricio Pordomingo, desde que instituiu sua visão de negócios de Performance com Propósito, a PepsiCo vem se empenhando cada vez mais em promover a diversidade. “Diversidade é um dos principais valores da PepsiCo. A companhia promove uma série de iniciativas para atrair pessoas de todas as idades, gêneros e raças que contribuam para o negócio com suas ideias e experiências de vida. Um time diverso, com pessoas de todos os gêneros, idade, sexo e experiência nos conecta de uma forma mais profunda com o consumidor. É dessa forma que podemos entender os diferentes comportamentos e saber o que os consumidores desejam”, relata o executivo.

Pordomingo relata ainda que a experiência de vida dos funcionários é algo que valorizam muito na companhia. “Cada indivíduo é único e é essa diversidade que nos torna competitivos. Os profissionais contratados pelo Golden Years trazem na bagagem experiência de vida que podem contribuir com o nosso negócio. Além disso, por estarem fora do mercado, esses profissionais retornam com muita disposição, interesse e vontade de pertencer a uma organização, o que é percebido no desempenho de suas tarefas. Tudo isso impacta positivamente os resultados do negócio”, diz.

“Sabemos que existe uma dificuldade de encontrar emprego depois de uma determinada idade e queríamos ampliar as oportunidades. A experiência e a energia dessas pessoas que desejam trabalhar é importante para nossos negócios. O Golden Years colabora para aumentar a diversidade da companhia, o que acreditamos ser um dos nossos grandes diferenciais competitivos”, explica o vice-presidente.

Sobre a Pepsico

No Brasil desde 1953, a empresa de alimentos e bebidas tem no seu portfólio 35 marcas entre as quais estão: QUAKER, TODDY, ELMA CHIPS, entre outras. A companhia conta com 14 plantas e cerca de 100 filiais de vendas localizadas em todo território brasileiro e mais de 13 mil funcionários. Por meio do programa Golden Years já foram contratados 80 funcionários para diversas regiões do país.

 

‘Vamos estimular boas práticas para reduzir pré-conceitos’, afirma diretora titular de Responsabilidade Social da Fiesp e do Ciesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O mundo mudou e agir de modo socialmente responsável não é mais uma escolha por parte das empresas, mas uma questão de sobrevivência. Atenta a essas e outras transformações, a diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, do Núcleo de Responsabilidade Social (NRS) do Ciesp e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial), Grácia Fragalá, é uma voz incansável na busca pelo fim dos pré-conceitos na indústria paulista. Na entrevista abaixo, ela explica como o debate em torno da sustentabilidade vem ganhando força no setor, numa lógica de ganha-ganha na qual são beneficiados empresários, colaboradores e consumidores.

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Grácia: “A indústria ajuda na geração de trabalho digno, na oferta de ambientes que ofereçam segurança e diversidade.” Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Qual a importância da Responsabilidade Social para a competitividade das empresas?

O mundo passa por transformações importantes do ponto de vista econômico, político, social, cultural. Transformações que geram modelos novos de relacionamento entre os mercados, as organizações e a sociedade. Isso promove uma tendência crescente de aproximação dos interesses das empresas e dos consumidores. Assim, quando pensamos a partir do ponto de vista da competitividade, podemos falar de processos internos, de quando as empresas adotam um modelo mais sustentável de atuação. Outro ponto é o fato de que os produtos estão cada vez mais parecidos e o que faz o consumidor optar por um artigo e não por outro são as práticas sustentáveis e o comportamento corporativo. Se pode escolher, ele vai ficar com a empresa que trabalha com valores nos quais ele acredita.

Como a Fiesp e o Ciesp ajudam a indústria no que se refere à Sustentabilidade?

A Fiesp e o Ciesp têm um papel importantíssimo por estar em São Paulo, onde temos a maior concentração do PIB nacional. Ao estimular as indústrias a seguirem um padrão de trabalho mais responsável, de modo a agir segundo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, nós nos unimos a todos aqueles que já firmaram o compromisso de não deixar ninguém para trás. Agora, os ODS têm no setor privado um parceiro importante para atingir suas metas. É isso que a Fiesp e o Ciesp fazem: colocam as empresas nesse debate. A indústria ajuda na geração de trabalho digno, na oferta de ambientes que ofereçam segurança e diversidade, equidade de gênero, promoção da igualdade social e assim por diante. Nós ajudamos as empresas a adotarem práticas nesse sentido, divulgando e estimulando o que já é feito.

Quais práticas o Cores desenvolve para apoiar o segmento nos temas de Responsabilidade Social?

Do início de 2017 para cá, já organizamos 23 eventos em todo o estado para debater o assunto. Temos o nosso Boletim eletrônico de Sustentabilidade, enviado mensalmente para 15 mil contatos.

Além disso, fazemos uma aproximação com sindicatos e associações, queremos apresentar aos empresários o planejamento estratégico que consolidamos no ano passado sobre esses temas. Queremos capacitar a indústria para trabalhar de modo mais sustentável dentro do seu negócio, desenvolvendo ferramentas de gestão.

E como podemos avançar nesse debate?

Temos tido um apoio incondicional da presidência da Fiesp em relação aos temas de Desenvolvimento Sustentável.

Em paralelo, definimos que, como Sustentabilidade é um tema transversal, buscamos o alinhamento com outras áreas da casa. É o que temos construído agora: visito todos os departamentos e converso com os responsáveis pelas áreas. Inserimos o pilar social nas discussões dos outros departamentos, além da parceria com o Sesi e o Senai.

O que temos em vista daqui por diante?

O Consocial, o Cores e o NRS lançaram recentemente o Guia de Investimento Social Corporativo com o objetivo de orientar e estimular os empresários a fazerem investimentos em projetos sociais, fomentando o desenvolvimento sustentável. Apoiamos operacionalmente a iniciativa do Consocial de unir os empresários em prol da primeira infância e a intenção de criar um Movimento em torno do tema.

A imigração é um tema que também está no radar?

Sim. Como trabalhamos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estamos focados na igualdade social. Dessa forma, levamos o debate às indústrias e mostramos que inserir economicamente um refugiado no mercado de trabalho é uma oportunidade para todos. Nosso objetivo é estimular as boas práticas para reduzir todas as desigualdades e promover a diversidade no meio empresarial.

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINICESP

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Por Karen Pegorari Silveira

Toda empresa pode ter iniciativas de Responsabilidade Social buscando construir uma sociedade mais justa, se preocupando com o próximo, e tomando atitudes que promovam o bem-estar da sociedade e do meio em que vive.

Para colaborar com esta conduta, a política de qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo – Sinicesp norteia suas ações relacionadas à responsabilidade social com objetivo de prestar serviços de qualidade, levando em conta princípios éticos, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente sempre focando na evolução das empresas associadas.

Para a realização desse objetivo eles adotaram algumas ações internas simples e sustentáveis que visam otimizar processos e o bem-estar dos funcionários, como por exemplo, a reutilização de folhas de papel sulfite, o descarte correto dos materiais de escritório, programas visando a economia de energia e água, utilização de canecas cerâmicas ao invés de copos descartáveis, aplicação de vacinas gratuitas para os funcionários, entre outras ações.

Buscando compartilhar com as empresas  associadas a motivação e o cuidado que têm internamente, o Sinicesp desenvolveu ações e parcerias, como por exemplo, a firmada com a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas de São Paulo – ADCE/SP  que promove a elaboração de estudos, pesquisas, cursos, conferências, seminários, congressos, publicações e demais atividades, que contribuem para implementação das linhas de ação estratégicas centradas na pessoa, com base em indicadores da Responsabilidade Social Empresarial  nas empresas.

Segundo o gerente de Relações Institucionais do Sinicesp, Carlos Alberto Laurito, “a atuação do Sindicato voltada ao incentivo e conscientização sobre a importância da implantação de ações de responsabilidade social que desenvolvemos junto às empresas associadas, tem obtido resultados alvissareiros contribuindo sobremaneira para a melhoria da imagem do setor da construção pesada. Esses resultados têm servido como um grande estímulo para continuarmos e ampliarmos o leque de ações e parcerias”, relata.

Na empreitada de auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, o sindicato tem também o Grupo de Trabalho Sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência, que se reúne periodicamente na sede do sindicato com a finalidade de discutir e trocar experiências sobre a inclusão de pessoas com deficiência no setor, com a participação das empresas associadas que aderiram ao pacto assinado com o Ministério do Trabalho.

Segundo afirma o sindicato, o fruto dessas reuniões é a promoção de palestras relacionadas ao tema, banco de vagas online para a inserção do trabalhador com deficiência no mercado, e lançamento de produtos, como foi o caso do Livro “A Inclusão de Trabalhadores com Deficiência na Construção Pesada”, distribuído gratuitamente com versão acessível e digital.

Ainda no aspecto da inclusão social a entidade tem parceria com o Senai-SP, que facilita a inserção de aprendizes no mercado de trabalho e traz o benefício para as empresas associadas e para o jovem aprendiz.

O Sinicesp ainda faz o acompanhamento da legislação e temas pertinentes e representa o setor em eventos relacionados à responsabilidade social e ambiental, como por exemplo, a ativa participação na Câmara Ambiental da Construção, onde atualizam e levam para discussão temas de interesse de suas empresas.

Para conhecer todas as ações do Sinicesp acesse www.sinicesp.org.br


Entrevista: Sara Watson fala sobre a Primeira Infância

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Por Isabela Barros (com colaboração de Karen Pegorari Silveira)

Não há um período mais crítico para o desenvolvimento de uma criança do que os primeiros mil dias de vida. Ainda assim, apenas 15 países – incluindo Cuba, França, Portugal, Rússia e Suécia – adotam as três políticas fundamentais para apoiar o desenvolvimento saudável do cérebro das crianças, segundo o relatório Early Moments Matter for Every Child, publicado pelas Nações Unidas.

Nossa entrevistada Sara Watson, diretora da organização americana ReadyNation, comenta sobre este e outros dados, e alerta que apoiar a primeira infância tem implicações em toda a sociedade, por isso, se queremos que as crianças se tornem profissionais de sucesso ou consumidores, tudo começa nos primeiros cinco anos de vida.

Leia mais na integra da entrevista:

O fácil acesso aos cuidados infantis essenciais é primordial para a estabilidade da força de trabalho hoje e para moldar a qualidade da força de trabalho do futuro. Um relatório da ReadyNation demonstra a importância de assegurar que bons programas para a primeira infância estejam disponíveis para ajudar as crianças no estágio mais fundamental de seu desenvolvimento cerebral – do nascimento até os 5 anos – para estabelecer uma base para o sucesso na escola, nas carreiras e além. Sendo assim, quais seriam os cuidados essenciais que formam um adulto forte e produtivo?

Sara Watson – Crianças precisam de uma série de cuidados em seus primeiros anos para que o seu cérebro e o seu corpo possam se desenvolver. Precisamos pensar em três categorias: uma boa família, educação e cuidados de saúde e nutrição. Crianças podem aprender a partir do minuto em que nascem. Pais podem ler desde o primeiro dia, oferecer bons cuidados de saúde, nutrição, atenção.

Segundo outro relatório da ReadyNation Illinois um em cada sete entrevistados relatou que problemas de cuidados com a criança levaram alguém de sua família a deixar ou mudar de emprego. Outro estudo constatou que os pais que têm problemas de cuidado infantil acabam tirando uma média de cinco a nove dias de folga do trabalho, anualmente, para lidar com esses desafios. Esse estudo colocou um preço de US $ 3 bilhões em perda de produtividade dos empregadores americanos. Em sua opinião, quais ações o empresariado poderia tomar para evitar uma perda tão significativa como esta?

Sara Watson – Empresas podem adotar uma série de ações para ajudar os seus empregados, assim como outras pessoas da comunidade.

Assim, podem permitir que os pais se ausentem para cuidar dos filhos, apoiar a amamentação para ajudar as novas mães, oferecer jornadas de trabalho flexíveis para mães e pais, suporte para os cuidados com os filhos. E também ajudar oferecendo informações aos seus empregados sobre cuidados na infância, suporte financeiro para ajudar a pagar pelos cuidados necessários. É preciso destacar mensagens da importância da infância entre os empregados. Nos Estados Unidos, são usados recursos como newsletters e canais para dar informação sobre os primeiros anos. É preciso falar da importância das consultas médicas, de ler, cantar, tocar e interagir com os pequenos.

Pode citar alguns exemplos?

Sara Watson – A Home Depot, de varejo, nos Estados Unidos, disponibiliza informações em sua intranet sobre a importância de ler para as crianças.  Quinze minutos de leitura por dia já faz diferença nas habilidades de leitura no futuro.

Temos nos Estados Unidos empresas que disponibilizam informação sobre a primeira infância em seus produtos, em pacotes de macarrão, nas lojas, nas redes sociais. Tudo para dizer aos pais quão importantes os primeiros anos são.

A senhora conhece algum bom exemplo no Brasil para citar?

Sara Watson – Não conheço o Brasil tão bem para isso, mas uma companhia global com escritório aqui, que é a consultoria KPMG, tem nos Estados Unidos em muitos escritórios, o programa Família pela leitura, que promove o hábito entre as crianças, distribui livros.

Segundo pesquisa da Ready Nation, mais de 60% dos executivos dizem ser mais fácil encontrar profissionais com habilidades técnicas do que emocionais. Como é possível mudar isso?

Sara Watson – As pessoas agora entendem que existe uma relação entre a primeira infância e o desenvolvimento das habilidades emocionais na vida adulta. As empresas precisam de empregados que saibam ler mapas, mas que também tenham condições de resolver problemas, relacionar-se com outras pessoas, seguir adiante apesar das dificuldades.

Dar as crianças boa nutrição e educação, pais atenciosos, que acolhem quando ela chora, é uma forma de formar adultos confiantes no futuro.

Você costuma dizer que para ter uma economia em expansão, basta investir em crianças. Este conceito também se aplicaria para um negócio em expansão? Neste caso, por que uma empresa deveria investir no bem-estar infantil como estratégia de negócio?

Sara Watson – Apoiar a primeira infância tem implicações em toda a sociedade. Se queremos que as crianças se tornem profissionais de sucesso, que possam fazer suas empresas bem-sucedidas, se tornem empreendedores, consumidores que possam comprar seus produtos, tudo começa nos primeiros cinco anos. O cérebro se desenvolve até os 20 anos, mas 90% do desenvolvimento cerebral ocorre até os cinco anos. Ou seja, é mais do que em qualquer outra etapa da vida.

Artigo: O desenvolvimento da primeira infância como alicerce do desenvolvimento sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil

A primeira infância, a etapa que começa no pré-natal e se prolonga até o sexto ano de vida, é um período crucial para o crescimento e o desenvolvimento do ser humano.

É exatamente nesses primeiros anos que o cérebro humano se desenvolve em um ritmo sem precedentes se comparado a qualquer outro momento da vida: nos primeiros 1.000 dias de vida, quase 1.000 células cerebrais se conectam por segundo. São essas conexões as responsáveis pela saúde mental e física, assim como pelos resultados da aprendizagem, pela aquisição de competências sociais e pela capacidade do ser humano de se adaptar e de ser produtivo. Por esse motivo, meninas e meninos precisam crescer em um ambiente estável, que os permita ter boa saúde e boa nutrição, que os proteja e os ofereça a possibilidade de aprender na idade certa; o que depende em grande medida do cuidado e da interação afetiva com os pais, as mães, os familiares e demais cuidadores.

Perder essa janela de oportunidade no desenvolvimento das crianças pode ter implicações sérias por toda a vida e para o desenvolvimento sustentável dos países[1], o que torna a tarefa de investir na primeira infância uma prioridade absoluta para todos. O setor privado precisa responder a esse chamado para a ação e assumi-lo perante os seus funcionários e colaboradores, clientes, fornecedores, investidores, entre outras esferas de sua influência.

As crianças são stakeholders fundamentais para as corporações – seja como consumidores, familiares de funcionários, jovens trabalhadores, ou como futuros funcionários e lideranças empresariais. Ao mesmo tempo, as crianças são membros importantes das comunidades e locais onde as empresas operam. Por conta disso, 10 Princípios Empresariais e os Direitos da Criança (CRBPs) foram desenvolvidos mundialmente pelo UNICEF e seus parceiros, em 2012, para orientar as empresas em suas estratégias de responsabilidade social. Até essa data, o reconhecimento da responsabilidade das empresas para com as crianças estava limitado à prevenção ou eliminação do trabalho infantil. Com os CRBPs, outras maneiras pelas quais os negócios afetam as crianças ficaram mais evidentes. Isso inclui o impacto de todas as suas operações comerciais – tais como seus produtos e serviços, seus métodos de marketing e suas práticas de distribuição – e de suas relações com os governos no âmbito local e nacional, além dos investimentos nas comunidades locais. E quanto mais jovens elas são, mais vulneráveis estão aos efeitos que os negócios têm sobre elas. Tais efeitos podem ser duradouros e até mesmo irreversíveis.

É urgente ao setor privado, portanto, investir na primeira infância, nos diferentes campos em que atua: a) no ambiente de trabalho, assegurando espaços adequados para as trabalhadoras amamentarem suas crianças; proporcionando horários flexíveis para que a amamentação não seja interrompida; provendo centros de desenvolvimento infantil adequados e de qualidade para filhas e filhos pequenos de seus funcionários, próximos ao local de trabalho ou de suas residências, ajudando a criar entornos seguros e com profissionais bem capacitados; estabelecendo horários flexíveis para que pais e mães com crianças pequenas na empresa e na cadeia de valor participem plenamente do desenvolvimento de seus filhos[2], assim como em momentos difíceis como quando estão doentes ou requerem consulta médica; assegurando licenças maternidade e paternidade remuneradas[3], indo além do que as legislações de seus países preveem em razão da necessidade de se propiciar um vínculo mais antecipado das famílias com suas crianças; b) no mercado, conscientizando consumidores e clientes sobre a importância da primeira infância por meio de seus canais de comunicação corporativos, contribuindo para os esforços públicos em prol da amamentação nos primeiros dois anos de vida, da alimentação saudável a partir do estímulo ao consumo de alimentos naturais e livres de açúcar, sódio e gordura e de práticas responsáveis de marketing não direcionado à criança; e c) nas comunidades onde os negócios operam e geram impacto, contribuindo de forma complementar com os esforços de geração de evidências e informações que permitam dar às famílias o acesso às políticas e aos serviços básicos, desenvolvendo localmente programas de capacitação e conscientização sobre a primeira infância e eliminando todas as formas de violência contra meninas e meninos.

A Agenda 2030 reflete um reconhecimento crescente em torno da importância do desenvolvimento da primeira infância; ele integra especificamente a meta 4.2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, mas está presente de forma transversal nos demais Objetivos. Conseguir que os ODS sejam uma realidade requer um grande esforço e o engajamento de todos os setores da sociedade. O setor privado, por sua vez, tem um papel específico de apoiar o cumprimento desses Objetivos. A melhor forma de fazê-lo, portanto, é comprometendo-se com o desenvolvimento da primeira infância.

*Florence Bauer é representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil. Anteriormente, trabalhou junto à organização no País de 1999 até 2006. É mestre em Administração de Empresas, com especialização em Assuntos Internacionais na “Ecole des Hautes Etudes Commerciales du Nord” (EDHEC Business School), em Lille, na França, e tem pós-graduação em Estudos Políticos na Universidade de Londres.

[1] Há diversos estudos científicos que explicam como a primeira infância é também um excelente investimento. Estudo feito para High Scope Educational Research Foundation, em 1993, indica que cada dólar investido em políticas públicas destinadas a crianças de até 6 anos representa sete dólares economizados em políticas públicas de compensação e de assistência social. Análise semelhante foi feita pelo professor de Economia James Heckman, ganhador do Prêmio Nobel em 2000, em que cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida.
[2] De acordo com dados do UNICEF, na América Latina, somente 6% a 36% dos pais participam de atividades de aprendizagem de suas crianças (3 a 5 anos de idade). A participação das mães é maior, variando de 31% a 82%. Da mesma forma, nos domicílios mais pobres, somente 4% a 22% dos pais e mães participam, enquanto, em domicílios mais ricos, 39% dos pais participam.
[3] No Brasil, dois indicadores relacionados às licenças remuneradas se mostram preocupantes: o curto período da licença-paternidade remunerada, de cinco dias corridos, em geral, e de 20 dias para as empresas que participam do Programa Empresa Cidadã (e que se beneficiam de isenção fiscal), e a alta taxa de demissões de mães brasileiras após o encerramento do período da licença-maternidade – pelo menos metade das brasileiras é demitida no período de até dois anos depois da licença-maternidade, segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2017.

Sindicato Responsável: Sinbi pela infância

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Por Karen Pegorari Silveira

O Instituto Pró-Criança de Birigui é o braço social do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (Sinbi) e nasceu com a proposta de prevenir e erradicar o trabalho infantil ilegal e apoiar ações de inclusão social de crianças e adolescentes.

Além disso, através de parcerias com as empresas da cidade, o Instituto Pró-Criança apoia e incentiva o uso do selo “Empresa Comprometida com a Proteção e a Educação da Criança”. Trata-se de uma declaração que as empresas recebem e podem utilizar na comercialização de seus produtos e serviços, tanto nacional como internacionalmente, pela não utilização de mão de obra infantil.

Atualmente o instituto atende 80 pessoas, entre crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade e risco social.  Todos recebem, gratuitamente, intervenções pautadas em experiências lúdicas, culturais, de interação, aprendizagem, sociabilidade, proteção e convivência social, participação cidadã e formação geral para o mundo do trabalho. Muitas ações são extensivas aos pais e responsáveis, visando promover a integração familiar no processo. As crianças e adolescentes matriculadas no Instituto são acolhidas de acordo com a situação socioeconômica de suas famílias.

No desenvolvimento de suas ações, o Pró-Criança de Birigui conta com o apoio das empresas da cidade, da rede de parceiros e associados e da equipe permanente de profissionais para formar as crianças e adolescentes envolvidos em seus projetos.

Tais atividades são realizadas graças a doações, recursos da iniciativa privada, contribuições dos associados, destinações de Imposto de Renda (IR) e eventos promovidos pelo próprio Instituto. Seu Conselho Diretor tem mandato de quatro anos e instituições da sociedade civil e representantes do poder público compõem o seu conselho consultivo comunitário, de onde são eleitos os membros do conselho fiscal.

Sobre os projetos

O “Projeto Fora da Caixa” é realizado pelo instituto junto a colaboradores das empresas/comércio por meio de rodas de conversa com temas transversais da Revista do Instituto Pró-Criança. Tem como finalidade oferecer ao colaborador espaço para a discussão de temas do cotidiano e fortalecer o vínculo entre os colaboradores e Recursos Humanos (RH) das empresas/comércio.

O “Pipocando Saber” é direcionado a crianças de 6 a 11 anos de idade, no contra turno escolar, e tem o objetivo de estimular o desenvolvimento de potencialidades, habilidades, talentos e propiciar formação cidadã. O projeto é realizado diariamente para 40 crianças.

O Projeto Rede Tecnológica para Inteligência Social foi implantado pelo Pró-Criança em 8 Instituições de Birigui, com a finalidade de criar uma base de dados única e consistente de informações sociais, para diagnóstico e tomada de decisões.

O Projeto Casa do Telefone é uma exposição permanente e aberta ao público na casa que abrigou a primeira central telefônica da cidade e que também é a sede da instituição. Possui acervo ligado à telefonia e comunicação, com o objetivo de contar a história parcial da cidade, organizar a memória da comunicação de Birigui, expor o acervo existente e ampliar as ofertas de ensino/aprendizagem relacionadas com as possibilidades da exposição, que é aberta às escolas e comunidade em geral.

Conheça todas as ações do Sinbi no site http://sindicato.org.br/


Iniciativas Sustentáveis: Eli Lilly – Investindo no desenvolvimento integral

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Por Karen Pegorari Silveira

A primeira infância, que abrange desde a gravidez até os 5 anos de vida, constitui uma etapa central e uma janela importante de oportunidades tanto para o presente como para o futuro da sociedade. Alcançar o Desenvolvimento Integral na Primeira Infância implica ir além do olhar tradicional – voltado prioritariamente à sobrevivência da criança, em direção a políticas que permitam às crianças se desenvolverem plenamente em todas as dimensões: física, social, emocional e cognitiva.

Pensando nisso, a indústria farmacêutica Lilly se engajou em algumas iniciativas para atuar com esta finalidade. Em parceria com a United Way (UW), maior organização de filantropia do mundo, a empresa apoia o tema de duas formas: por meio do voluntariado – em que funcionários fazem trabalhos em creches/escolas da zona sul de São Paulo e oferecem mentorias; e com o investimento social – com contribuições mensais dos funcionários em dinheiro. Todos os meses, a Lilly realiza o matching (contrapartida) do valor total doado pelos funcionários.

Na Lilly Brasil, o programa de investimento social possui cerca de 240 funcionários, que contribuem mensalmente com um valor para ser destinado à United Way Brasil. Em 2017, a Lilly contribuiu com cerca de R$95mil reais para estes dois programas direcionados a primeira infância e outros dois programas direcionados a juventude.

Com o ‘Programa PIA’ (Primeira Infância Acreana e Amazônica) o foco é a promoção da cultura de estímulo ao Desenvolvimento na Primeira Infância através do fortalecimento do papel da família, da comunidade e da rede intersetorial de serviços para primeira infância. Os princípios norteadores do projeto são: Inserção na Atenção Básica e articulação com equipamento das políticas sociais nos territórios. (Programa Saúde na Escola, Centro de Referência da Assistência Social, Educação Infantil, Bolsa Família, Asinhas da Florestania, entre outros); abordagem Intersetorial – participação da gestão estadual e gestão municipal da saúde, educação, assistência social, direitos humanos, cultura, entre outras áreas; valorização da cultura e experiências das famílias e comunidades; brincar como recurso mobilizador da capacidade criativa das famílias e demais atores; família como protagonista no processo de desenvolvimento infantil integral; participação das reuniões das respectivas equipes dos territórios para discussão dos casos mais complexos e devidos encaminhamentos para a rede de cuidado.

Já com o ‘Programa Crescer Aprendendo’, que possui metodologia da United Way baseada em evidências, implementada em mais de 600 United Ways em todo o mundo, o objetivo é contribuir para o desenvolvimento das crianças de 0 e 6 anos por meio da oferta de informação de qualidade online e presencial para escolas e famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Público impactado: Região do Campo Limpo. Cerca de 1000 crianças entre 0 e 6 anos e 400 familiares.

Segundo o gerente de Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa, Fábio Oliveira, a empresa acredita que “não há investimento mais rentável do que aquele feito na primeira infância, pois toda a sociedade se beneficia quando uma criança é bem-sucedida em sua vida a longo prazo. Investir no desenvolvimento integral das crianças em seus primeiros anos de vida pode trazer um melhor desempenho acadêmico, maiores níveis de escolaridade, melhores competências no trabalho e menor taxa de criminalidade”.

Para apoiar a primeira infância internamente a Lilly também concede licença maternidade ampliada e extensão da licença paternidade por 20 dias. Como benefício oferece ainda o auxílio creche e permite horário de trabalho flexível.

Sobre a Eli Lilly

A fábrica da Lilly no Brasil foi inaugurada no ano de 1953, quando começou a produzir seus medicamentos na unidade fabril situada no bairro do Brooklin, capital paulista. Os primeiros produtos a serem fabricados no Brasil foram o Merthiolate, Isedrin, Xarope de Codestrina e Benzoped.

Iniciativas Sustentáveis: Kimberly Clark – Abraçar para desenvolver

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Por Karen Pegorari Silveira

As organizações estão cada dia mais preocupadas em responder a uma demanda do consumidor que vai além da entrega de produtos. Hoje a sociedade busca mais propósito ao realizar suas compras, avaliando não somente a qualidade do produto, como também o impacto que ele traz social e ambientalmente. Neste sentido, o olhar que as organizações devem ter sobre sua maneira de operar tem que levar em conta questões relacionadas à sustentabilidade com seus impactos socioambientais e resultados financeiros.

Com a Kimberly-Clark não é diferente, por isso através de uma de suas marcas, a Huggies – de cuidados infantis, ela se preocupa com seu principal público – as crianças de 0 a 3 anos, que fazem parte da primeiríssima infância. Para tanto, eles apostam no abraço, que é uma das principais representações do afeto e carinho, como fundamental para o desenvolvimento emocional e por isso desenvolvimento pleno desta criança. Hug, que em inglês quer dizer abraço, também inspirou o nome original da marca.

Para embasar os conteúdos comunicados pela empresa foi desenvolvido um estudo, com apoio de publicações científicas, dos 18 macrobenefícios físicos e psicológicos do abraço, que influenciam diretamente no desenvolvimento emocional das crianças. O conteúdo desse estudo tem sido amplamente divulgado pela marca.

De acordo com Patricia Macedo, diretora da categoria de cuidados infantis da Kimberly-Clark Brasil, “a partir de pesquisas, a Huggies descobriu os poderes comprovados que o abraço pode ter no desenvolvimento de bebês, por isso, o abraço sempre foi nossa verdadeira inspiração. A marca acredita tanto no poder do gesto para o desenvolvimento mais feliz e saudável dos bebês que ele é a maior inspiração para oferecermos solução completa de produtos que proporcionam mais conforto para as famílias e crianças”, explica.

Globalmente, a empresa atua também em inúmeros programas sociais em hospitais, como o No babies unhugged – projeto de voluntariado canadense que atende bebês prematuros – um público bastante específico e vulnerável que necessita de plena atenção para sobreviver. Os voluntários passam algumas horas por semana abraçando os bebês, aplicando o método reconhecido pela Organização Mundial da Saúde chamado Kangaroo Mother Care. Esse ato de afeto e carinho, cientificamente comprovado, contribui para que o bebê se desenvolva neste momento mais crítico. No Brasil 340 mil bebês nascem prematuros todos os anos, o que significa 12% dos nascimentos.

A Kimberly-Clark apoiou ainda o filme “O começo da Vida”, que trata exatamente do tema da primeira infância e já foi exibido em 89 países, impactando mais de 1,2 milhões de pessoas.

Além disso, a companhia oferece licença maternidade estendida de seis meses para todas as colaboradoras; Sala de amamentação, certificada pelo Ministério da Saúde no escritório de São Paulo; Home Office; Horário Flexível e Cursos de gestantes para colaboradoras e colaboradores que terão filhos em breve. Na Argentina, durante as viagens corporativas, as colaboradoras com filhos de até 1 ano que ainda estão no período de amamentação, têm a possibilidade de levar o seu bebê com um acompanhante

Por fim, a marca se posiciona como um agente atuante na sociedade, sendo parte das discussões e soluções dos problemas sociais, que ultrapassam as fronteiras meramente de negócios.

Sobre a Kimberly-Clark

A Kimberly-Clark é uma empresa norte-americana que produz as marcas Neve, Scott, Kleenex, Huggies, TMJ (Turma da Monica Jovem), Intimus e Plenitud. Também atua no segmento institucional por meio da K-C Professional com produtos para bares, restaurantes, indústrias e empresas. O escritório central está localizado na capital de São Paulo e há ainda 5 fábricas, em Camaçari (BA), Correia Pinto (SC), Eldorado do Sul (RS), Mogi das Cruzes (SP) e Suzano (SP), um Centro de Distribuição em Mogi das Cruzes (SP) e um escritório de Vendas em Recife (PE).

David Uip fala sobre o papel da Secretaria Estadual de Saúde na implantação do SUS

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Por Karen Pegorari Silveira

Em reunião técnica promovida pelo Conselho Superior e pelo Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, realizada na última quinta-feira (24/05), o professor e ex-secretário Estadual de Saúde, David Uip, comentou as principais dificuldades que enfrentou em seu mandato de quase 5 anos, sobre o Pacto Federativo e o que pensa a respeito da Constituição Brasileira.

Segundo o professor, durante seu mandato, que iniciou em 2013 a pasta de Saúde do Estado perdeu 3 bilhões de arrecadação devido à crise no país e apesar do Governo na época ter aumentado o percentual destinado à Saúde, o setor sentiu a perda. Durante seu mandato de exatos 4 anos e 7 meses também foi preciso lidar com diversas mudanças de ministro – um deles ficou apenas 2 meses no cargo – o que dificultou bastante a execução de seu trabalho. Além disso, a complexidade da gestão desta Secretaria, com 160 mil funcionários, exigiu grande experiência e sensibilidade. Em sua visão, para dirigir qualquer pasta de Saúde do Governo precisa ser uma pessoa da área de Saúde, devido à complexidade e à dificuldade da área.

Ainda há a necessidade do entendimento do que é o Pacto Federativo, que designa funções para cada um dos entes – cabe ao governo federal a política pública e o financiamento, aos estados fundamentalmente é a governança e ao município cabe a execução. De acordo com o professor “se isso desse certo, as coisas estariam bem encaminhadas, mas não é assim que acontece”, analisa ele.

Outro fato muito discutido por Uip é a Constituição Brasileira. Segundo ele “essa história de que saúde é direito de todos e dever do Estado, é mentira! Não tem dinheiro. Como você vai dar tudo a todos, sendo que ‘tudo’ vai desde atenção primária, até o remédio de 1000 dólares o comprimido ao dia?” questionou. Na visão dele a Constituição de 1988 foi sim um avanço, porém precisa ser revista.

Segundo o ex-secretário, o Estado de São Paulo conta hoje com 101 hospitais estaduais. Para se ter uma ideia o Estado do Rio Grande do Sul tem 2 hospitais estaduais e o Rio de Janeiro, nenhum. Porém, há um grande problema, segundo Uip. Faz-se pouca prevenção e naturalmente o caminho para tratar as doenças é o hospital, seja por falta de atenção primaria, seja pela complexidade da doença.

Uip acrescenta ainda que “nos prontos socorros dos hospitais do Estado de São Paulo há 81% de pacientes não precisariam estar lá, eles poderiam estar nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), nos programas de saúde da família, ambulatórios de especialidade (AME) e etc. A doença deles não é para pronto socorro. Só 19% estão onde precisam estar. Nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), 50% dos pacientes não precisariam estar lá. Então é um sistema muito complexo”, relata.

Com este cenário, sua gestão transformou 40 AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) em AMEs+, que tem competência de realizar procedimentos, tanto de diagnósticos, como cirúrgicos. Hoje elas fazem mais cirurgias de média complexidade do que os centros cirúrgicos hospitalares. Este conceito ajudou a destravar o nó do sistema. No AME Barradas, no bairro de Heliópolis, por exemplo, foram realizadas 10 mil cirurgias de cataratas.

Outras questões, citadas por Uip, que impactam a administração da saúde no Estado é a contratação de profissionais, que é feita por concurso. Há falta de profissionais interessados e falta de profissionais especializados, por este motivo, em sua gestão, Uip terceirizou estes profissionais e aumentou os atendimentos em diversos hospitais.

A Parceria Público Privada (PPP) também é uma questão delicada porque é preciso remunerar o parceiro de hospital. Mas é a ação que deu certo do ponto de vista de construção de hospitais, segundo Uip. “Não houve atrasos com as obras e os hospitais são de alto nível, não perdem em nada para os melhores hospitais privados”. Nesta parceria o Estado entrou com 60% e o parceiro privado com 40% – emprestado pelo Estado, por isso Uip questiona este modelo. Mas na visão dele houve um excelente modelo de parceria entre o Estado e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que entrou com 70% do investimento para construir 180 unidades de saúde no estado.

Para finalizar sua palestra, Uip citou os 4 grandes problemas da saúde, em sua opinião. Para ele as questões que mais impactam atualmente são: 1) financiamento – que recebe apenas 25% do governo federal; 2) gestão de 645 municípios com diversas trocas de secretários de saúde; 3) desvio e desperdício de verbas e insumos; 4) judicialização com pagamento para tratamentos e medicamentos exigidos através de processos, onde há muitos crimes. “Para se ter uma ideia já tivemos judicialização para comprar remédio para cachorro”, conta ele.

A palestra de David Uip, professor, ex-secretário de Saúde do Estado de São Paulo e um dos mais experientes gestores da Saúde Pública do país fez parte da série de encontros do Projeto Sistema de Saúde no Brasil, idealizado por Raul Cutait, médico e presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp, Consocial.

Acompanhe a agenda dos próximos encontros no site www.fiesp.com.br/agenda

Artigo: É preciso construir um futuro sustentável e inclusivo

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Ulisses Matiolli Sabará

Estamos diante de um novo marco para a construção de uma economia inclusiva e compartilhada, com o objetivo de eliminar a pobreza e criar um quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. Neste momento, o nosso compromisso é fortalecer as práticas nos negócios, no ambiente interno e nas múltiplas relações para garantirmos uma perspectiva de inclusão, equidade e sustentabilidade para as gerações atuais e futuras.

A ideia é estabelecer uma relação amigável entre os processos produtivos da sociedade e os processos naturais. Dessa maneira, será possível promover a conservação, a recuperação e o uso sustentável dos ecossistemas, tratando os serviços prestados à vida como ativos financeiros de interesse público.

Essa é uma estratégia que ajuda a transformar a sociedade e a fortalecer o setor privado, pois o investimento no capital humano, a valorização das cadeias produtivas e a preservação dos recursos naturais são elementos essenciais para que possamos trilhar o caminho do crescimento em harmonia com a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento econômico e social.

Aliás, em junho de 2016, fui reconhecido pela ONU como um dos Local SDG Pioneers, devido aos esforços que realizo alinhado ao Objetivo número 15 – Vida Terrestre (Life on Land) -, dedicado a proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda da biodiversidade.

A ação selecionou dez líderes empresariais e agentes de transformação de todo o mundo, com a missão de defender a sustentabilidade por meio de seus modelos de negócios, promover a mudança e mobilizar a comunidade empresarial em geral para que sejam tomadas medidas de apoio aos ODS. O grande foco dos selecionados é mobilizar esforços para que, até 2030, as ações sejam aplicadas universalmente, de modo que contribuam para o fim de todas as formas de pobreza, promovam a luta contra as desigualdades e combatam as alterações climáticas, assegurando que ninguém seja deixado para trás.

Na Beraca, entre as iniciativas que sempre destaco, está o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade®, criado no ano 2000 e que está baseado nos alicerces: “Rentabilidade Adequada”, “Preservação da Água e Biodiversidade” e “Desenvolvimento Humano de Forma Equilibrada”. Trata-se de um projeto que atua como uma ponte entre 105 comunidades agroextrativistas espalhadas pelo Brasil, com mais de 2.500 famílias, e os principais fabricantes mundiais de cosméticos. Isso faz com que a empresa conecte a biodiversidade brasileira a milhares de consumidores por meio de uma relação de transparência, rastreabilidade e inovação.

Para mensurar a importância desse projeto, promovemos uma parceria entre a Beraca, a Universidade de São Paulo (USP) e a Columbia University, de Nova York, nos Estados Unidos, para realizar um estudo inédito sobre os impactos proporcionados. A análise avaliou 334 famílias, dos municípios de Salvaterra, Breves (Furo do Gil) e Bragança, no Pará, e Palmeira do Piauí e Uruçuí, no Piauí, e concluiu que, em determinadas regiões, a cada R$ 1 investido no extrativismo sustentável, são retirados R$ 3,6 da mão de obra em madeireiras ilegais.

Ao falarmos em comprometimento com questões socioambientais, devemos ressaltar também que durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP21, realizada em 2015, o Brasil assumiu a responsabilidade de zerar o desmatamento na Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas. Para que o país atinja esses números, além do reflorestamento, com a fiscalização e a criação de unidades de conservação, é preciso apostar em alternativas de uso sustentável da floresta pelas mais de 4 milhões de pessoas que lá vivem.

Uma oportunidade para atingir a meta é por meio do extrativismo sustentável, iniciativa que consiste na manutenção das florestas em pé, para que seus frutos e sementes sirvam como uma fonte de renda aos moradores das comunidades ribeirinhas e pequenos núcleos de agricultura familiar. As famílias que vivem em áreas como a região amazônica não podem depender apenas de atividades como a monocultura de mandioca e a pesca, por exemplo.

Diante disso tudo, defendo fortemente a importância da criação de cadeias de valores dentro dos negócios, capazes de garantir a perenidade e o aperfeiçoamento das três dimensões do conceito de sustentabilidade: o valor agregado do próprio negócio; a melhoria do bem-estar de populações rurais localizadas em áreas remotas; e a preservação do meio ambiente. Apenas com estímulo em ações socioambientais, é possível reduzir a pressão sobre os recursos naturais.

Ulisses Matiolli Sabará é presidente da Beraca, uma das unidades de negócios do Grupo Sabará, estudou Engenharia Química e Administração de Empresas. Foi reconhecido em 2016 como um dos dez nomes responsáveis por divulgar e implantar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, resultado de um trabalho alinhado ao Objetivo número 15 – Vida Terrestre.

Artigo: O desenvolvimento humano e social como um caminho para um mundo justo e sustentável

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Grácia Elisabeth Fragalá

“Nós nos comprometemos a que ninguém seja deixado para trás”

Preâmbulo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

As transformações que marcam a contemporaneidade estão associadas, paradoxalmente, ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Não é por outro motivo que uma tentativa de periodização da história vai organizar a linha do tempo desde as mudanças do renascimento como modernidade, pós-modernidade e globalização. E, em cada período -apesar dos progressos alcançados em termos de conhecimento da natureza, produtividade, avanço do conhecimento, participação das maiorias nas decisões sobre o destino comum- vemos crescer as contradições políticas, econômicas e sociais. É como se, a cada adiante, voltássemos dois passos para trás.

Se a modernidade, inaugurada sob o signo da racionalização crescente da vida e das revoluções políticas e industrial, prometeu um mundo de progresso ilimitado sob o controle de um homem consciente de suas circunstâncias, livre de preconceitos e capaz de conciliar interesses privados e riqueza pública, a pós-modernidade entregou exatamente o contrário.

Seja pela versão dos que creem que a pós-modernidade significa uma ruptura com a modernidade, como na versão contrária, dos que afirmam tratar-se de um aprofundamento de tendências impressas na modernidade, o fato é que assistimos a fenômenos complexos, que vão desde o fracionamento das identidades tradicionais até a tribalização, passando pelo enfraquecimento das soluções políticas tradicionais, centradas no Estado-Nação e em suas instituições. O fato é que estamos tateando no escuro, como se a luzes da razão não tivessem passado de um breve relâmpago no horizonte do tempo.

Hoje, como consequência da Revolução Tecnocientífica (3ª Revolução Industrial), vivemos em um sistema mundial global no qual diversos aspectos da vida se entrelaçam e desafiam a capacidade de ação das sociedades políticas nacionais. A economia -sobretudo em sua dimensão financeira global-, a cultura de massas, os problemas ambientais e a questão da biodiversidade, a questão social e política… Tudo é urgente e reclama engajamento de lideranças comprometidas com uma visão social de mundo democrática, sustentável fundada na preservação dos direitos fundamentais. Afinal de contas, neste momento da história estão em jogo os padrões produtivos, a dinâmica dos mercados, os empregos e o próprio futuro da humanidade. Aquele futuro que foi inaugurado na modernidade, centrado no homem, em sua capacidade racional, nas liberdades e da democracia como forma de governo.

Cientes destes desafios, no contexto da Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), em 2012, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) publicam o documento “A desigualdade é insustentável”, no qual enfatizam a firme disposição da indústria em tomar decisões em favor do futuro da humanidade na Terra. Tal propósito está em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aprovados em Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 2015, cuja agenda de desenvolvimento sustentável é construída a partir dos resultados da conferência do Rio e busca promover o desenvolvimento sustentável, combatendo a pobreza a partir de esforços concentrados nas áreas econômica, social e ambiental.

Os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), divididos em 169 metas, integrados e indivisíveis, marcam um compromisso dos líderes mundiais em estabelecer um esforço conjunto, capaz de mobilizar as comunidades e incentivar a participação das organizações da sociedade civil, do setor privado, das universidades e outras organizações locais na criação de um ambiente global favorável ao desenvolvimento humano e social, que reduza as desigualdades e leve a ganhos nas áreas da saúde, da educação, do bem-estar social e da sustentabilidade, entre outras.

Em São Paulo, o setor industrial, pela Fiesp, em seus Conselhos Superior de Responsabilidade Social (ConSocial) e Comitê de Responsabilidade Social (CORES), atua firme e decididamente para promover o desenvolvimento humano e social como um caminho para um mundo justo e sustentável. A indústria paulista que esteve na vanguarda das grandes transformações que conduziram a sociedade brasileira ao desenvolvimento econômico e social assume o seu papel em mais etapa de transição que enfrentamos.

As lideranças empresariais reconhecem o papel relevante na construção dessa nova agenda global e os desafios para a sua implementação local. Os caminhos para superar as barreiras exigem a união de esforços. A Fiesp, ao incentivar e promover práticas sustentáveis e socialmente responsáveis no cotidiano das empresas, espera contribuir para produzir e difundir conhecimento e boa práticas, inspirando pelo exemplo.

*Grácia Fragalá é vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) e diretora titular de Responsabilidade Social da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp.