‘Entrar no time do Sesi-SP é motivo de muito orgulho’, afirma Simone Rocha, dez vezes campeã brasileira de goalball

Giovanna Maradei, Agência Indusnet Fiesp

Simone Rocha, atleta do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e atual campeã brasileira de goalball, chega aos 37 anos como uma das principais jogadoras brasileiras da modalidade. Apaixonada pelo esporte e dedicada a popularizá-lo, Simone se emociona ao contar o que o ele significa para a sua vida e sonha com uma medalha olímpica conquistada em casa.

O goalball foi desenvolvido em 1946 exclusivamente para deficientes visuais. Para jogar bastam três atletas em cada time. Eles são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O objetivo? Executar arremessos rasteiros, que passem pelos adversários e balancem a rede.

No Sesi-SP, as equipes masculina e feminina de goalball começaram a treinar em março de 2013. O primeiro título foi a recém-conquistada Copa Brasil de Goalball feminino, no início de novembro (vitória de 3 a 2 sobre o IBC/RJ Adulto), mas as expectativas são altas em relação ao campeonato paulista, que será disputado por ambas as equipes nesta sexta-feira (15/11).

Início da carreira

Simone conheceu o esporte enquanto trabalhava no Centro de Emancipação Social e Esportiva de Cegos (Cesec) e logo se destacou na modalidade. No seu primeiro campeonato, em Belo Horizonte, sua equipe já se consagrou campeã, e desde então não pararam de chegar novas convocações. “Foi quando eu disse: ‘é isso que eu quero’. E comecei a treinar em nível mais competitivo”, lembra a atleta, que depois de 18 anos de carreira, conquistou, esse ano, o seu décimo título brasileiro.

Simone: dez títulos em 18 anos de carreira. Foto: Divulgação

Simone: dez títulos em 18 anos de carreira e sonho da medalha olímpica. Foto: Divulgação

Marca que impressiona, mas poderia ser até maior não fosse a dificuldade de popularizar o goalball. Por ser uma modalidade exclusiva do esporte paralímpico, diferente do vôlei ou do futebol, mesmo campeonatos paraesportivos têm dificuldades de reunir equipes e promover os jogos.

A atleta, que também defendeu a seleção brasileira nas Paralímpiadas de Pequim (2008) e nos Jogos Parapan-americanos IBSA de 2001, 2005 e 2009, conta que em sua primeira convocação para a seleção, durante o pan-americano IPC de 1995, iria competir em dois esportes: atletismo e goalball, mas acabou indo apenas para a pista de corrida, pois não havia seleções suficientes para que o campeonato de goalball fosse disputado.

Simone ainda esclarece que o goalball passou a fazer parte dos Jogos Parapan-americanos IPC, que são aqueles disputados um ano antes dos jogos Paralímpicos, apenas em 2011, época em que ela se afastou das quadras para cuidar do seu filho Thiago, que nasceu em 2010.

Superando barreiras

Alternando entre as duas modalidades até 2007, hoje Simone finalmente consegue se dedicar exclusivamente ao seu favorito. “Eu amo o goalball. Quando jogo, o mundo parece que para”, relata a atleta. E completa: “O goalball pautou toda a minha vida. Ele traz disciplina, a possibilidade de acreditamos em nós mesmos e também de nos superarmos”.

Simone Rocha parece nunca ter deixado de ultrapassar limites. Além de esportista, é mãe, policial civil e presidente do Conselho dos Atletas, órgão criado para representar os jogadores dentro do Comitê Paralímpico Brasileiro.

“Quando eu comecei no esporte o atleta não era tão valorizado. Para me manter, tive que trabalhar. Passei por várias atividades até que prestei concurso público e entrei na polícia civil, na carreira de agente de telecomunicação na 5ª seccional”, conta.

Planos para o futuro

Procurando treinar na mesma intensidade das atletas que se dedicam exclusivamente ao esporte, Simone faz tudo para alcançar seu próximo objetivo: entrar na equipe que competirá nas Paralímpiadas de 2016. E, de preferência, ganhar uma medalha de ouro em seu país.

A equipe de goalball do Sesi- SP durante jogo: bastam três jogadores em cada time. Foto: Divulgação

A equipe de goalball do Sesi- SP durante jogo: bastam três jogadores em cada time. Foto: Divulgação


“Hoje nós temos uma qualidade que nos permite aspirar a uma medalha, de ouro até. A gente tem condição de se consagrar campeã na nossa casa. É só ter maturidade para colocar isso em prática”, afirma a jogadora, bastante otimista com as novas perspectivas.

Correndo diariamente contra o tempo, a atleta do Sesi-SP não reclama da jornada puxada. Muito pelo contrário. Ativa na busca pela popularização de seu esporte, Simone prefere agradecer: “entrar no time do Sesi-SP foi motivo de muito orgulho. Quando uma entidade assim investe no goalball, a gente tem mais que se desdobrar e fazer  jus a esse crédito.”

Goalball: conheça o esporte

Ao contrário de outras modalidades paralímpicas, o goalball foi desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência – neste caso a visual.

A quadra tem as mesmas dimensões da de vôlei (9m de largura por 18m de comprimento). As partidas duram 20 minutos, com dois tempos de 10. Cada equipe conta com três jogadores titulares e três reservas. De cada lado da quadra tem um gol com nove metros de largura e 1,2 de altura. Os atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro e o objetivo é balançar a rede adversária.

A bola possui um guizo em seu interior que emite sons – existem furos que permitem a passagem do som – para que os jogadores saibam sua direção. O goalball é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, por isso não pode haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento entre o gol e o reinício do jogo.

A bola tem 76 cm de diâmetro e pesa 1,25 kg. Sua cor é alaranjada e é mais ou menos do tamanho da de basquete. Hoje o goalball é praticado em 112 países nos cinco continentes. No Brasil, a modalidade é administrada pela Confederação Brasileira de Deporto para Deficientes Visuais (CBDV). As informações são do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).


História do goalball

O goalball foi criado em 1946 pelo austríaco Hanz Lorezen e pelo alemão Sepp Reindle com a finalidade de reabilitar veteranos da Segunda Guerra Mundial que haviam perdido a visão.

O primeiro campeonato mundial aconteceu em 1979m, na Áustria. Em 1980, na Paraolimpíada de Arnhem, o esporte passou a integrar o programa paralímpico. Em 1982, a Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA) começou a gerenciar a modalidade. As mulheres entraram para o goalball nas Paraolimpíadas de Nova York, em 1984. A modalidade foi implementada no Brasil em 1985. Dois anos depois foi realizado o primeiro campeonato brasileiro.

Com a evolução do esporte, a seleção brasileira masculina conquistou uma medalha de prata no Parapan de Buenos Aires, em 1995. Na Carolina do Sul, em 2001, as mulheres conquistaram o bronze no Parapan-Americano, enquanto a seleção masculina ficou com o quarto lugar.

Em 2003, as atletas brasileiras foram vice-campeãs no Mundial da IBSA, disputado em Quebec, no Canadá. Com isso, o Brasil se classificou para uma edição dos Jogos Paralímpicos pela primeira vez. Em Pequim foi a estreia da seleção masculina em uma Paralimpíada. Nos Jogos de Londres, em 2012, o Brasil foi representado por equipes feminina e masculina. As informações são do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).