Fiesp realiza primeira ação de preparação para a China International Import Expo (CIIE) 2018

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Empresários com malas prontas para embarcar para a principal feira de negócios do ano, a China International Import Expo (CIIE), participaram na manhã desta quarta-feira (29 de agosto) do seminário “Go Asia: destino China”, a primeira ação de preparação da Fiesp para a missão empresarial, que ocorrerá entre os dias 2 e 11 novembro, em Xangai. 

Na avaliação do presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, o encontro serviu como importante termômetro para quantificar e qualificar a já consolidada parceria entre Brasil e China. “Hoje, 60% da pauta de exportação do Brasil para a China é de oleaginosas e minério de ferro, ou seja, produtos primários, enquanto as importações da China são principalmente de máquinas e equipamentos ou manufaturados, por mérito até dos chineses, que têm a indústria como seu carro-chefe, sua mola propulsora de crescimento”, afirmou. Roriz frisou que a feira é uma grande oportunidade de melhorar a qualidade das exportações brasileiras para aquele país, o que também é de interesse dos chineses, além de conhecer mais da logística local e de sua cultura empresarial.

Segundo o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Thomaz Zanotto, a China tem sido ponto de atenção para a federação. “O mercado chinês está na linha de frente dos locais do mundo onde teremos grande crescimento nos próximos 12 anos”, afirmou. De acordo com ele, até 2030, as áreas de maior crescimento e avanço da renda estarão todas no leste asiático, com destaque para a China, ao passo que Coreia e Japão já representam economias estabilizadas. Zanotto lembrou ainda que nos últimos 30 anos a China fez o maior processo de urbanização da história da humanidade, com mais de 600 milhões de pessoas saindo da subsistência para viver nas cidades, algo em torno de um Brasil a cada dez anos.

“Temos um mundo e a Ásia, principalmente, em uma transição gigantesca que merece atenção dos empresários. Os brasileiros têm que buscar essa fatia de mercado”, defendeu o diretor do Derex Harry Chiang. Para ele, a feira de importação comandada pelo presidente Xi Jinping é um dos maiores eventos do comércio exterior do mundo.

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Imagem relacionada a matéria - Id: 1544976397China deve importar US$ 10 trilhões nos próximos cinco anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O conselheiro econômico e comercial do Consulado Geral da China em São Paulo, Yu Yong, frisou que esse é o primeiro evento da China focado em importação, algo raro naquela economia. “A feira demonstra a responsabilidade que a China pretende desempenhar nesse contexto de globalização e mais risco de protecionismo comercial”, completou. Yong detalhou a complexidade da lógica chinesa e seus grandes números em todos os setores. Para ele, os chineses têm confiança em um crescimento relativamente alto para a economia nos próximos anos, por isso o interesse também em produtos de maior valor agregado. “Atualmente, a China é o maior importador mundial, parceira de 120 países e nos próximos 15 anos deve importar US$ 24 trilhões em bens”, apontou o conselheiro.

Presidente do Bank of China no Brasil, Zhang Guanghua contou que a China se destaca nos dias de hoje não apenas pela grandeza de seus números populacionais, conhecida nos anos 60 e 70, mas por conta do forte avanço do poder de compra real dos chineses, uma alta de quase cinco vezes nas últimas duas décadas. “Em consumo, a China figura como segundo maior mercado do mundo. Nos anos 2000, nossa classe média era bastante concentrada nas quatro maiores cidades do país e representava 4% da população, no entanto, até 2016 esse número passou para 68%, com estimativas de 75% até 2022”, explicou o executivo. 

Da província de Hunan, Guo Jing Liang apresentou as oportunidades de negócios de sua região. Localizada no centro da China, a 10º província do país foi a primeira a fechar acordos com empresas brasileiras. “Desde que o país implementou a política de reforma e abertura comercial, Hunan tem tido um ótimo desempenho, com um PIB [Produto Interno Bruto] de US$ 490 bilhões em 2016, o 9º do país”, contou.

Finalmente, a analista de Negócios Internacionais da gerência China da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Patrícia Steffen, mostrou oportunidades para empresas brasileiras segundo levantamentos realizados pela agência. “Em 2000, a população rural chinesa era muito maior do que a urbana, mas com a industrialização, em 2012, a população urbana já havia superado a população rural no país”, afirmou. Patrícia garantiu que o governo brasileiro vem trabalhando para diversificar a pauta de exportação, hoje concentrada em pouco mais de cinco produtos principais. 

Como parte do esforço conjunto do sistema Fiesp de incentivo e atendimento aos empresários interessados em fazer comércio com a China, o gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Lahoz Maia, mostrou aos participantes as atuais estruturas das escolas de aprendizagem industrial em todo o Estado. Maia destacou aos empresários especialidades das escolas como etanol, logística e alimentos.

Seminário destaca oportunidades de investimento no Sudeste asiático

Agência Indusnet Fiesp

Empresários e especialistas de mercado participaram na manhã desta terça-feira (22 de maio) de um novo seminário sobre oportunidades de negócio em Singapura, Malásia e Tailândia, organizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

Segundo o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, após o fim dos acordos com a União Europeia (UE), a mira do Mercosul estará voltada para o Sudeste asiático, de olho no movimento de urbanização da região e em novos mercados para venda de produtos de maior valor agregado. “Entendemos que houve melhoras, mas que o Brasil deve se abrir mais ao exterior, tanto na área de indústria como em serviços”, afirmou.

Já o diretor do Derex Harry Chiang frisou que Singapura é hoje é o maior investidor do Sudeste asiático no Brasil e o 25º entre os estrangeiros no país. “A Malásia, por sua vez, é forte na fabricação de equipamentos hospitalares e famosa por sua produção de alimentos para mercados árabes, segmento em que o Brasil está tentando uma expansão”, contou. Chiang completou “a Tailândia, o sonho de viagem de muitos brasileiros, representa muito mais que turismo, apresentando um trabalho consistente em processamento de alimentos”.

Chefe da missão e encarregada de negócios na embaixada de Singapura no Brasil, Siew Fei Chin detalhou os interesses dos asiáticos em setores como agronegócio, gestão de aeroportos, imóveis, logística, petróleo, gás, educação, tecnologia financeira e startups no mercado brasileiro. De acordo com ela, o Brasil é o terceiro parceiro comercial de Singapura na América Latina, com destaques para produtos como carne suína e frango. “Dispomos de uma infraestrutura eficiente e de um ambiente político e econômico estável, além de uma boa conectividade com a região, atuando como uma porta de entrada do Brasil na Ásia, um mercado de 6 bilhões de pessoas”, assinalou.

Diretor do EDB Singapore em São Paulo, Pengfei Chen contou como trabalha pela aproximação com empresas braisleiras para disseminar sua ilha de 5,6 milhões de pessoas, que apesar de pequena, figura como importante incentivadora de novos negócios, por meio de impostos mais baixos, e PIB (Produto Interno Bruto) diversificado. Da Enterprise Singapore, também na capital paulista, Benedict Koh explicou que a ideia é mostrar Singapura como um polo industrial global, formar parcerias e acelerar processos.

Para apresentar oportunidades na Malásia, o cônsul comercial do país em São Paulo Edison Choong Wan Sern lembrou que sua economia avançou 4% em 2016, 5,6% em 2017 e a projeção de alta é de 5% a 6% este ano, segundo o Banco Mundial e o banco central local. Além disso, a Malásia aparece como 6º país mais competitivo do mundo, com interesse na venda e parcerias envolvendo equipamentos médicos e processos de importação e exportação.

Da Tailândia, o ministro conselheiro da embaixada Sorasak Samonkraisorakit falou da conexão do país com o Brasil e como seu mercado pode funcionar como uma rede empresarial de facilidades para pelo menos dez países da região. Finalmente, o gerente de projetos sênior da embaixada da Tailândia no Brasil, Dario Chemerinski, falou como a América Latina pode se beneficiar de futuros acordos com o país.

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Oportunidades no Sudeste asiático foram tema de evento na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp