“Grande acordo do Brasil deve ser com ele mesmo”, afirma Marcos Troyjo

Agência Indusnet Fiesp

Para debater os reflexos dos recentes choques de globalizações, o Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp recebeu na manhã desta sexta-feira (23/11) o economista, cientista político, professor e diretor do BRICLab da Universidade Columbia, em Nova York, Marcos Troyjo.

Durante a última reunião do conselho neste ano, Troyjo afirmou que os acordos comerciais do futuro serão em torno de padrões. “O grande acordo do Brasil deve ser com ele mesmo. A lição de casa sobre regras de propriedade intelectual, a maneira pela qual você administra sua legislação trabalhista e temas ambientais estarão no foco, não tarifas e temas como abertura comercial”, explicou.

A apresentação foi mediada pelo presidente do Coscex, embaixador Rubens Barbosa, pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, e pelo presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, Jacyr Costa Filho. 

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545185756

Costa, Barbosa e Troyjo Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Brasil não tem ‘grande estratégia’ para prosperidade, critica economista Marcos Troyjo em reunião na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O diplomata e economista Marcos Troyjo, diretor do BRICLab do Centro de Estudos sobre o Brasil, Rússia e China da Universidade de Columbia,  falou, nesta segunda-feira (15/04), na sede da Federação das Indústria do Estados de São Paulo (Fiesp), sobre o atual cenário da globalização e o papel e os desafios do Brasil.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545185756

Na mesa: Jorge Borhausen, Ivette Senise Ferreira , Ruy Altenfelder e Marcos Troyjo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Troyjo participou do debate “Repensando o Brasil: O Brasil na Encruzilhada da Globalização”, promovido pelo Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp.

“Os líderes do país têm uma grave dificuldade em identificar onde está o interesse nacional”, afirmou o economista.  “O Brasil, hoje, não tem uma grande estratégia que visa à prosperidade do país. Vivemos na inércia. O Brasil é uma nave espacial completamente alienada do que acontece no mundo. Não sabemos o percentual do nosso PIB [Produto Interno Bruto] para Ciência e Tecnologia, não temos metas ou expectativas”, acrescentou o economista, que também integra o Consea.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545185756

Marcos Troyjo: 'Planeta passa por um processo de reglobalização e Brasil parece não ter conhecimento'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Trovyo, o planeta passa por um processo de reglobalização, do qual o Brasil parece não ter conhecimento. Há duas grandes forças de reglobalização atuando neste momento, segundo o economista. Uma delas é o novo papel da China no mundo.

“A China da manufatura baixa está desaparecendo e vemos nascer a China 2.0, na qual os valores médios de remuneração interna crescem. Está mais caro produzir lá. Sendo assim, as empresas estão buscando outros lugares para produzir. Quem está sendo beneficiado com isso são os vizinhos geoeconômicos da China, como o Vietnã e a Malásia, e também o México e o continente africano”, explicou Troyjo.

A segunda força consiste nas aproximações entre Ásia, Estados Unidos e Europa. “Vemos o surgimento de megamovimentos que nascem a partir dos Estados Unidos. O primeiro dos movimentos é uma parceria transpacífica, que pretende integrar em um acordo de livre comércio as economias do NAFTA, as economias dos países da franja sul-americana (Peru, Colombia, Chile), Japão e a Coreia do Sul. A segunda parte desse movimento é a parceria transatlântica, que resultará em um acordo de livre-comércio entre EUA e Europa , para ser iniciado já em 2015”, contou.

“São eventos da maior magnitude dos quais o Brasil parece não ter ideia. Temos inúmeras possiblidades, as quais não são aproveitadas”, encerrou.

O Consea volta a se reunir no dia 20 maio, quando Roberto Teixeira da Costa falará sobre o tema “Tendências Globais para 2030 – Como ficamos nesse cenário global?”.

Na reunião estiveram presentes o presidente do conselho, Ruy Martins Altenfelder, e a vice-presidente, Ivette Senise Ferreira.

Embaixador Carlos Henrique Cardim: ‘Copa do Mundo é um grande negócio’

da esq. p/ dir.: Celso Monteiro de Carvalho; Carlos Henrique Cardim; Ruy Martins Altenfelder (FOTO: EVERTON AMARO)

Da esquerda para a direita: Celso Monteiro de Carvalho, Carlos Henrique Cardim e Ruy Martins Altenfelder. Foto: Everton Amaro

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

“O Brasil tem um papel importantíssimo na globalização do futebol. Até 1958, a Copa do Mundo era um evento muito limitado, não tinha essa importância mundial. Foi o Brasil, com sua grandeza absoluta e criatividade no futebol, que trouxe essa outra perspectiva ao esporte. Por isso, o fato de ter uma Copa do Mundo aqui é uma coisa natural”, declarou nesta segunda-feira (17/09), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), assessor internacional do Ministério do Esporte, embaixador Carlos Henrique Cardim.

Ele participou da reunião mensal do Conselheiro Superior de Estudos Avançados (Consea) da entidade, onde debateu o tema “Repensando o Brasil – Política Externa e Esporte: Estratégia e Gestão”, sob coordenação do presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder Silva. O encontro contou ainda com a participação do embaixador Adhemar Bahadian; do ex-senador José Konder Bornhausen; da presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo, Ivette Senise; e do vice-presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), Celso Monteiro de Carvalho.

O embaixador afirmou que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, está à frente de todas as obras e projetos relacionados à Copa do Mundo (2014) e aos Jogos Olímpicos (2016). E informou que a criação de um código de conduta e ética é uma das prioridades da pasta. A ação, segundo Cardim, limitará entre três e quatro anos o tempo de mandato dos dirigentes das confederações. Hoje, não há um limite de tempo para o exercício do cargo.

“A expectativa é ter um projeto de esporte nacional, e não somente ações voltadas a estes eventos esportivos”, explicou o embaixador, que defende uma regulamentação básica de esporte, “coisa que nós ainda não temos”, além de uma lei voltada à profissionalização dos atletas.

Oportunidades de negócios

Cardim também ressaltou que a Copa do Mundo pode proporcionar boas oportunidades de negócios para os empresários brasileiros. “A Copa do Mundo é um grande negócio. A Fifa tem hoje mais de mil contratos assinados. Estamos falando de um big business internacional, com uma audiência acumulada de quase dez bilhões de pessoas em todo o mundo”, sublinhou.

Sobre os riscos de violência nos estádios brasileiros durante a Copa do Mundo, o embaixador lembrou a parceria firmada entre os Ministérios do Esporte e da Justiça, que prevê a implantação de câmeras dentro dos estádios, além de uma punição mais rigorosa para torcedores envolvidos em conflitos com torcidas rivais.

Essas iniciativas, conforme ele, serão tratadas pelos dois Ministérios durante o seminário internacional sobre o combate à violência no futebol, que acontecerá em fevereiro de 2013, no Memorial da América Latina, na capital paulista.

Na visão de Cardim, o Brasil precisa tirar proveito de toda a visibilidade obtida nos últimos anos no cenário internacional para divulgar os projetos desenvolvidos pelo país: “Vivemos um momento excepcional, de grande visibilidade e responsabilidade internacional. [Esses grandes eventos esportivos] representam uma grande oportunidade para enfatizarmos a nossa presença no mundo, tanto do ponto de vista cultural como comercial, social e político”, concluiu o embaixador.

Veja a cobertura da reunião de agosto/2012 do Consea