Medalhistas no Sul-Americano, lutadores do Sesi-SP contam suas histórias de superação

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Com as medalhas que conquistaram nos Jogos Sul-Americanos, disputado no Chile, Ronisson Brandão, Gilda Oliveira, Aline Ferreira, Laís Nunes e Rafael de Jesus estiveram entre os atletas homenageados da luta olímpica, nesta terça-feira (18/03), na unidade do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) de Osasco. No entanto, mais do que a conquista na competição, eles merecem homenagens por suas histórias de superação.

A carioca Gilda começou com 16 anos a lutar, primeiro no jiu-jtsu. Mesmo sem ter ninguém da família envolvida com esporte, ela sempre teve interesse na luta e chegou a ser campeã brasileira e mundial de jiu-jitsu. Mas a falta de patrocínio quase fez com que ela desistisse da carreira de atleta.

“Ganhava campeonatos e nada de patrocínio. E chega uma hora que fica difícil se manter no esporte, que a vida começa a colocar outras prioridades. Foi quando descobri que um caminho seria tentar um esporte olímpico”, disse a atleta de 30 anos, medalha de ouro no Chile. “Comecei a treinar luta e, mesmo sem conseguir o patrocínio, me apaixonei e não quis mais me dedicar a outro esporte.”

Em 2009, Gilda veio para o Sesi-SP, no início do projeto da modalidade. “O Sesi-SP está fazendo um trabalho maravilhoso, cada vez mais dando visibilidade para a luta olímpica e dando oportunidade para que as pessoas conheçam e pratiquem. Sem contar o contato com as crianças, saber que somos exemplos para eles e receber esse carinho é muito legal.”

Gilda, Laís e Aline (da esq. para a dir.): exemplos de dedicação e esforço. Foto: Tamna Waqued/Fiesp

Do judô para a luta olímpica

Também foi por meio de outro esporte que Aline conheceu a luta olímpica. Desde pequena praticando judô, ela teve dificuldade para manter os custos do treino e começou a buscar alternativas.

“O judô ainda é um esporte elitizado, começando pelo quimono que é muito caro. No começo, os amigos me ajudavam, mas quando fiz 16 anos, precisava escolher um caminho e ajudar minha mãe que trabalhou muito para me criar”, lembrou a lutadora de 27 anos.

Sem condições de pagar uma academia de judô, Aline foi levada para treinar no Centro Olímpico. Lá, conheceu o sensei Joanilson, que dava aula de judô e luta olímpica. “Eu já estava procurando emprego e pensando em parar com o esporte, mas ele insistiu e disse que eu tinha jeito para a luta.”

E o treinador tinha razão: no primeiro brasileiro que disputou, a atleta já saiu campeã e foi convidada para lutar em Nova York e conheceu a tradição da luta olímpica.

Mas depois disso, a lutadora passou por sérias dificuldades. Uma lesão a tirou dos Jogos Pan-Americanos Rio-2007 e também ficou sem clube. Foi convidada para participar de um projeto de luta olímpica em Curitiba, que não deu certo, e chegou até a ficar doente por não comer direito. “Foi quando em 2009 recebi o convite do Sesi-SP, que caiu do céu! Larguei tudo e voltei para São Paulo.”

“O Sesi-SP tem o melhor projeto de luta sendo executado no Brasil, porque não visa só o rendimento. O Sesi-SP já está preparando para o futuro.”

Falando em futuro, Aline, como toda atleta, quer estar nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Mas o foco, por enquanto, é outro. “Meus próximos objetivos são o Pan, em julho, e o Mundial, em setembro. No dia a dia, não coloco 2016 nos meus objetivos. É um degrau de cada vez. Meu foco é no Pan, que é o próximo.”

Lutando pelo Brasil

Natural de Barro Alto, interior de Goiás, aos 13 anos, Laís, hoje com 21 anos, entrou em um projeto social que promovia a prática de esportes. “Disseram que era um projeto de judô e, quando me avisaram, senti que aquela era a minha chance de fazer algo importante, fez meus olhos brilharem”, conta a atleta, que quando chegou na primeira aula viu que era um esporte diferente. “Era a luta olímpica. Logo começaram a selecionar os talentos e comecei a competir.”

Com o esporte, Laís viajou para competir em outros estados e, aos 15 anos, recebeu um convite para fazer parte de um projeto de luta em Brasília.

“Meu pai perguntou se era realmente o que eu queria e se acreditava e eu disse que queria tentar. Então consentiu e passou a autorizar todas as minhas viagens. Minha mãe ficou receosa, mas depois aceitou que eu estava me dedicando para ajudá-los e para buscar algo melhor para mim.”

Em 2009, quando o projeto de Brasília acabou, surgiu o convite do Sesi-SP.

“É muito importante o contato que temos com as crianças. Lembro de quando eu comecei, quando era criança, assistia e ouvia falar de campeões, que me inspiravam e eu queria ser igual. Sei que é importante alimentar os sonhos delas porque mais do que ser atletas, sei que eles serão grandes pessoas, porque o esporte traz disciplina e autoconhecimento.”

Perdas e ganhos no esporte e na vida  

Os dois medalhistas sul-americanos do Sesi-SP no masculino viveram momentos opostos e marcantes no período da competição.

Com emoção e superação, Rafael ( à esq.) e Ronisson conquistaram suas medalhas no Sul-Americano do Chile. Foto: Tamna Waqued/Fiesp

Rafael, de 22 anos, perdeu o pai, seu grande incentivador, poucos dias antes de competir. Natural de Tatuí, Rafael começou a lutar judô com apenas 4 anos, no Sesi-SP, pelo Programa Atleta do Futuro. Lá também praticou modalidades, como voleibol, natação e futebol de campo. Mas foi em São Caetano, para onde foi lutar judô de forma competitiva, que conheceu e começou a praticar a luta olímpica.

Para participar do primeiro Mundial, em 2008, Rafael contou com o esforço do pai, que organizou uma vaquinha entre os amigos de Tatuí para patrocinar a viagem do filho para a Dinamarca.

“Meu pai tinha muitos contatos na cidade, foi até a rádio, deu o número da conta e foi assim que consegui pagar tudo: taxas da competição, passagem, hospedagem.”

Na volta do Mundial, o atleta voltou para o lugar onde sua vida esportiva começou. “Eu me identifico muito com o Sesi-SP, que me proporcionou muitas coisas boas e experiências diferentes”, afirmou Rafael, que disputou o Sul-Americano estreando na categoria 74 kg e ganhou a medalha de bronze.

“Estava um pouco nervoso por estar começando em uma nova categoria, mas tive um excelente resultado. E dediquei essa conquista totalmente ao meu pai, que sempre me apoiou muito e torcia muito por mim nas competições.”

Já Ronisson, de 23 anos, ganhou muito mais que uma medalha depois que voltou do Chile. O parto da esposa, que estava agendado, aconteceu antes do esperado.

O lutador espera que o filho também siga o caminho do esporte pelo qual ele é apaixonado. “Pratiquei outras lutas: capoeira, jiu-jitsu e até boxe. Até conhecer a luta, com 14 anos, no Centro Olímpico. É um esporte apaixonante! Nunca vi um atleta da luta ir para outro esporte, mas são vários de outros esportes que começam a praticar a luta.”

Ele lembra que a primeira nome que veio à mente quando falaram em luta olímpica foi um ex-participante do programa Big Brother, Marcelo Zulu.

“Quando cheguei no Sesi-SP, subi para a categoria 84 kg, o que me deu a chance de lutar com o Zulu. Até a disputa de júnior, eu perdia para ele, mas no meu primeiro ano de sênior, em 2011, eu ganhei dele pela primeira vez. Foi um momento muito feliz, porque não só consegui chegar a lutar com ele, mas consegui vencer um atleta que ficou invicto durante muito tempo.”