118 milhões de brasileiros não têm acesso a esgoto tratado, diz governador do Conselho Mundial da Água

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Pelo menos 34 milhões de brasileiros não têm acesso à rede de água. Desse volume, 11 milhões estão nas cidades, informou nesta terça-feira (08/10) o governador do Conselho Mundial da Água, Giancarlo Gerli, citando dados do Ministério de Cidades.

Gerli participou do 3º Seminário de Saneamento Básico – Recuperar o Tempo Perdido, organizado pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Se olharmos para o quadro de esgoto a situação é ainda mais dramática, são 118 milhões de pessoas que não têm esgoto tratado, isso é mais da metade da população brasileira”, afirmou Gerli.


Gerli: situação do saneamento é dramática no Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Gerli: situação do saneamento pode ser considerada dramática no Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp


O Plano Nacional de Saneamento Básico (PlanSab), discutido desde 2007, prevê investimentos de R$ 508,5 bilhões em 2013 e 2033 para universalizar o acesso à agua e ao esgoto tratado. Ainda assim, Gerli acredita que falta um plano de investimento em serviços de saneamento.

“Temos uma situação caótica principalmente na área de esgoto”, disse. “Não está faltando dinheiro e sim investimento efetivo”, afirmou o governo do Conselho Mundial da Água.

Custo para a sociedade

Segundo o médico Anthony Wong, embaixador do Instituto Trata Brasil, 2 mil crianças morrem por ano vítimas de diarreia. “Isso é causado por falta de saneamento, que leva a condições de desnutrição”.

“A falta de saneamento não é só causa de morte, mas também de menor desenvolvimento estrutural, representando, no fim, um custo maior para a sociedade”, informou Wong ao participar do painel Saneamento Básico e Qualidade de Vida, o segundo do encontro na sede da Fiesp, na capital paulista.

Wong: “A falta de saneamento não é só causa de morte, mas também de menor desenvolvimento”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Wong: falta de saneamento não é só causa de morte, ainda trava o desenvolvimeno. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Também presente no debate, o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, Gustavo Zarif Frayha, afirmou que o governo tem clareza de quais são os entraves à universalização do saneamento básico, “mas temos que ter determinação para resolver”.

Frayha destacou a falta de recursos,  a descontinuidade dos investimentos, as incertezas da regulação, as demoras dos licenciamentos ambientais e o desperdício como as principais barreiras.

“Outros obstáculos paralelos são a morosidade das licitações, os problemas com tarifas e a descontinuidade administrativa dentro do setor público”, afirmou o especialista em infraestrutura. “Temos ainda a cultura jurídica e burocrática que se acumulou ao longo de décadas e produziu 12.800 leis federais, 108.117 decretos e 140 projetos de leis complementares”, criticou.

Ele ainda avaliou que falta à população brasileira conhecimento sobre o que é saneamento básico. Na opinião do especialista, se houvesse uma conscientização maior a sociedade iria exigir mais. “Foi feita uma pesquisa que apontou que 60 milhões de brasileiros não têm ideia do que é saneamento básico”, informou Frayha.