Fiesp debate despoluição do rio Pinheiros durante workshop

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp promoveu na manhã nesta quinta-feira (20/10) o workshop “Despoluição do Rio Pinheiros, na sede da entidade, com o objetivo de discutir propostas, projetos, alternativas tecnológicas, investimentos eficientes e o aprimoramento da gestão dos programas em andamento.

Ricardo Toledo Silva, secretário adjunto da Secretaria de Energia e Mineração do Estado, abriu o encontro falando sobre o “Programa Pinheiros Limpo” do governo, que tem como escopo maior melhorar a qualidade das águas do canal Pinheiros, com foco na sua recuperação ambiental e entorno, além da valorização do espaço urbano.

Há anos o governo vem promovendo estudos de modelagem e viabilidade para a requalificação do rio. “Atualmente, a modelagem que está em curso com o grupo de trabalho é para viabilizar a melhoria gradativa da qualidade da água do canal Pinheiros, permitindo, em etapas, o bombeamento de água para a represa Billings, em até 50 metros cúbicos por segundo, com a qualidade necessária”, disse Silva.

Segundo o secretário, a despoluição do rio gera receitas para uso energético, uso para abastecimento público, obras de infraestrutura de esgotamento sanitário e outras fontes de receitas como a exploração imobiliária, hidroviária, lazer, clubes, parques, bem como receitas de custos evitados, complementares e extras.

Presente no evento, Ruddi de Souza, presidente do Conselho de Saneamento da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), apresentou tecnologias para tratamento de efluentes, que basicamente são duas opções – dentro e fora da calha do rio – utilizando biotecnologia, flotação e eletrofloculação, por exemplo. “As tecnologias existem, têm suas performances plenamente comprovadas e estão totalmente disponíveis no Brasil. Mas é importante considerar que no processo de definição de uma tecnologia a ser empregada, devemos considerar, além dos investimentos, os custos de operação e manutenção”, afirmou.

Souza sugeriu também que fosse criada a figura de uma “autoridade das águas”. “Esta ‘autoridade’ seria responsável pela coordenação de todas as atividades relacionada às aguas, independente de qualquer outro interessado no assunto. Ela iria defender a população”, concluiu.

Stela Goldenstein, diretora executiva da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros, também participou do encontro e afirmou que é preciso entender a origem e a dinâmica da degradação dos rios, conhecer e analisar as estratégias que vêm sendo adotadas – seu alcance, seus limites e fragilidades -, conhecer experiências exitosas e definir conceitos, diretrizes, estratégias e programas.

A diretora afirmou que não é possível despoluir o rio Pinheiros isoladamente, devido à alta densidade de ocupação ao seu redor. “Há uma parcela significativa do território com ocupação informal com infraestrutura e serviços insuficientes, além de impermeabilização excessiva, rios canalizados e enterrados, má gestão de resíduos, erosão e uma parcela importante do esgoto doméstico, que ainda é lançada nos rios”, disse.

Exemplos Internacionais

Monica Porto, secretária adjunta da Secretaria de Saneamento Básico e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, falou um pouco sobre a requalificação de rios urbanos, mostrando exemplos do rio Tâmisa, em Londres, e do rio Sena, em Paris. Ambos não estão em sua condição natural, tanto em relação às condições hidrológicas ou hidráulicas, como em relação à qualidade da água, mas compõem uma paisagem agradável, sem cheiro e com o uso “confortável” da sua área lindeira.

Outro exemplo citado por Monica foi o rio Cheong Gye Cheon, em Seul, capital da Coreia do Sul. Segundo ela, o rio, com extensão de 5,8 km, foi despoluído em apenas três anos com um investimento na ordem de US$ 384 milhões. “O projeto do rio Pinheiros tem muito em comum com esses projetos símbolos. Nosso desafio é pôr à prova a capacidade de fato de gestão integrada. A complexidade de um projeto desses vai além do problema especifico da água, é preciso pensar em abastecimento, coleta e tratamento do esgoto e drenagem urbana”.

O evento foi mediado por Luiz Fernando Orsini, diretor da Divisão de Saneamento Básico do Departamento de Infraestrutura da Fiesp.

Despoluição do Rio Pinheiros foi tema de workshop na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp