Concessão de aeroportos e gestão aeroportuária em debate no Encontro de Logística

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Robson Bertolossi, da Jurcaib. Foto: Luis Benedito/FIESP

Durante o segundo dia do 8° Encontro de Logística e Transporte da Fiesp, nesta terça-feira (07/05), Robson Bertolossi, representante da Junta dos Representantes das Companhias Aéreas Internacionais no Brasil (Jurcaib), foi um dos convidados do painel “Oportunidades de investimento no Brasil”.

Um dos enfoques da apresentação de Bertolossi foi a situação do transporte de cargas nos aeroportos brasileiros. “O cenário mundial do setor é de crescimento de 2% ao ano. O transporte de carga aéreo ainda não é muito representativo em relação ao naval, tanto em importação quanto em exportação”, afirmou o representante da Jurcaib.

Exportações e importações de carga via aeronaves se concentram em Guarulhos e Viracopos, aeroporto localizados perto da cidade de Campinas (SP). Para Bertolossi, o Brasil conta com problemas graves de estrutura e a necessidade de novos sítios, o que entrava o crescimento. “Aplaudimos a iniciativa do governo de conceder os aeroportos para a iniciativa privada, é o caminho sustentável. Recentemente, em Campinas, um acidente fechou o aeroporto por dois dias. O que é inaceitável, tendo em vista a importância de Viracopos”, encerrou Bertolossi.

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Adalberto Febeliano. Foto: Everton Amaro

Adalberto Febeliano, representante da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abar), falou sobre a agenda das indústrias do transporte aéreo para os próximos anos.

“A mudança da estrutura tarifária gerou crescimento da indústria. Os preços das passagens mudaram radicalmente – isso foi vital para o crescimento do setor. Agora podemos incluir um número enorme de pessoas que antes não viajava.”

Febeliano disse que, hoje, é mais barato viajar de avião do que de ônibus. “Essa é a grande transformação do transporte aéreo brasileiro. Hoje transportamos massas. E isso gera a necessidade de adequação de infraestrutura e logística nos aeroportos nacionais”, disse.

Segundo o representante da Abar, o crescimento do setor será tão grande nos próximos sete anos que serão realizadas cerca 200 milhões de viagens em 2020. “Uma viagem por habitante: esse é o desafio. É isso que vamos buscar. As empresas aéreas querem voar onde há possibilidade. Queremos atuar em 169 aeroportos no Brasil”, revelou.

Segundo Febeliano, o setor passará a operar com o dobro do número atual de aviões até o fim desta década. “Dobraremos o número de aeronaves para atender à demanda. Mas isso gera dificuldades operacionais. Temos poucos pátios para a manutenção e para o pernoite das aeronaves. Há também uma incômoda limitação do número de pistas. Viracopos, por exemplo, precisa de mais uma pista; é urgente”, afirmou.

Febeliano também deu um panorama sobre a atual situação dos aeroportos ainda não concedidos para a iniciativa privada. “Os aeroportos de Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Recife são os candidatos a concessão no futuro. Entretanto, esses aeroportos ainda têm estrutura muito aquém da necessária. Porto Alegre, por exemplo, precisa de um novo sítio aeroportuário. Recife é um caso perdido pois está encravado no coração da região urbana, como Congonhas, em São Paulo. Recife também precisa de outro aeroporto”, afirmou.

Segundo o representante da Abar, administrações privadas poderiam no máximo elevar a qualidade do serviço em aeroportos como Congonhas e Santos Dumont, já que os dois aeroportos não têm possibilidade de alcançar maior produtividade.

“O novo modelo de gestão aeroportuária – agora privado – cria a necessidade de novos conceitos e novos debates. É isso o que fizemos aqui, nesta manhã. O debate mostra o quanto precisamos de investimentos e concessões para ter aeroportos adequados ao público”, encerrou o painel, Mozart Alemão, diretor-adjunto da Divisão de Logística e Transportes da Fiesp.

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