Ética, liderança e empreendedorismo são temas de seminário promovido pelo CJE da Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

Diante de um público entusiasmado, o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Intento, realizou na noite de quarta-feira (27/02), na sede da entidade, o Seminário Ética e Liderança.

Com o objetivo de debater inspirações para mudanças nas empresas, o evento contou com a presença da presidente do Grupo Fulll Jazz, Christina Carvalho Pinto; do fundador da Temenos (líder mundial em softwares para bancos), George Koukis; e do vereador do município de São Paulo Ricardo Young.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789754

Da esquerda para a direita: George Koukis, fundador da Temenos; José Camargo, vice-presidente da Fiesp; Christina Carvalho Pinto, presidente do Grupo Fulll Jazz; Ricardo Young, vereador do município de São Paulo; Sylvio Gomide, diretor do CJE/Fiesp; e Tom Coelho, diretor-titular do NJE/Ciesp. Foto: Talita Camargo/Fiesp

Para o diretor-titular do CJE da Fiesp, Sylvio Gomide, esse evento é um convite para debater e refletir sobre esse tema. “Ética e empreendedorismo são temas que têm muito a ver com a agenda do CJE e estamos sempre atentos com as novidades no Brasil e no mundo”, afirmou Gomide ao falar sobre a presença de George Koukis.

Gomide explicou que o formato do evento, em que cada palestrante contou com um tempo de apenas 15 minutos para falar sobre ética e expor suas experiências, teve o objetivo de proporcionar uma dinâmica mais prática, concentrando-se em valores para fazer emergir um novo empreendedorismo.

Christina Carvalho Pinto questionou qual a base de valores que guia as pessoas em posição de comando. “Qual o processo que temos que fazer para mudar essa nova liderança?” Para ela, o Brasil é um país de alma jovem e por isso é preciso falar sobre integridade. “As sementes que estão sendo plantadas aqui e agora vão germinar no mundo inteiro”, afirmou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789754

Koukis: "Acreditei no sucesso da minha empresa e é por isso que ela deu certo." Foto: Talita Camargo/Fiesp

George Koukis relatou sua história pessoal e destacou a origem humilde de sua família, lembrando que depois de casado, mudou-se para Austrália, onde cresceu profissionalmente e ganhou muito dinheiro, mas, num investimento arriscado, perdeu tudo. “Essa foi a única vez na minha vida que eu quis fazer dinheiro, que tive esse objetivo específico. E perdi tudo. Hoje penso em melhores inovações, melhores tecnologias e melhores pessoas”, afirmou ao ressaltar que, quando perdeu tudo, não se desesperou. “Disse para minha esposa: ‘viemos ao mundo sem nada e hoje não temos nada novamente, mas não se preocupe: vamos reconstruir’”.

Koukis diz que hoje compreende que o mundo não é sobre como arrancar dinheiro das outras pessoas, mas sim sobre como ajudar e tornar a vida delas melhor. “Crimes são cometidos todos os dias, nas mais diversas esferas: florestas devastadas, corrupções politicas, entre outros. Temos que pensar que o que fazemos deve ser bom para o outro, ser bom para o mundo”, afirmou. “Você pode olhar através da sociedade e entender a sociedade sustentável”, explicou.

“Acreditei no sucesso da minha empresa e é por isso que ela deu certo”, afirmou referindo-se à criação da Temenos, empresa líder mundial em softwares para bancos. O empresário explicou que durante a crise financeira mundial, em 2008, ele não demitiu nenhum funcionário. “Fiz um acordo de redução de salário, incluindo o meu e, ao final do ano, contratamos 1.200 novos funcionários”.

Para ele, o capital humano é responsabilidade da empresa, pois os funcionários são seres humanos, que têm vida e família. “Não demito pessoas, exceto as que são desonestas ou preguiçosas. E para essas eu digo: ‘vocês não pertencem a esta empresa; não estou aqui para alimentá-los, mas para dar a vocês uma oportunidade’”, afirmou.

O empresário acredita que o sucesso está relacionado à liberdade. “Você deve viver sem medo, sem culpa, sem emoções negativas. Assim, descobrirá um mundo de liberdade de viver e se tornará responsável por suas ações”. E completou: “assim você se torna invencível. Nada e nem ninguém poderá te atingir”.

Ao concluir, Koukis questionou: “qual é o seu propósito nesse mundo? Quando você expressa o que há dentro de você, não pode se cegar. Não podemos ser egoístas”, finalizou.

Na base da confiança

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789754

Ricardo Young, vereador do município de São Paulo, durante o Seminário 'Ética e Liderança'. Foto: Talita Camargo/Fiesp

O vereador do município de São Paulo Ricardo Young acredita que o mundo atual é baseado em relações humanas de desconfiança e isso não é bom. “A palavra confiança e muito importante, porque o ato de confiar significa que você dá ao outro a responsabilidade da relação, sem mesmo antes cobrar do outro isso”, afirmou.

Para ele, a confiança gera relações de qualidade – as que permanecem, independentemente de todo o resto. “As relações de qualidade, pautadas pela confiança, são relações sem medo. E essas são as relações mais preciosas que podemos ter em nossas vidas”, completou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542789754

O Seminário 'Ética e Liderança', promovido pelo CJE/Fiesp, lotou o auditório do 15º andar da entidade. Foto: Talita Camargo/Fiesp

O vereador acredita que a sociedade atual é egoísta, em um cenário no qual a desconfiança vem em primeiro lugar. “Pelo pressuposto de desconfiança, não estabelecemos relações de qualidade, mas sim, de medo. E, portanto, elas precisam ser reguladas pelas instituições, que também são guiadas pela desconfiança, que produzem os resultados que já conhecemos. E isso resulta num mundo e numa sociedade insustentável sob o ponto de vista econômico, social, dos valores”, afirmou.

Ao concluir, Young citou a Carta da Terra, uma carta que contem todos os valores éticos que podem orientar uma sociedade que acredita na interdependência. “Já tentamos a arrogância, a desconfiança e o individualismo e estamos onde estamos. Que tal apostarmos agora na confiança, na interdependência e entendermos as limitações que temos como espécie humana?”, concluiu.