Nova geopolítica do petróleo será a maior revolução econômica

Agência Indusnet Fiesp,

“Estamos no meio daquela que será uma das maiores revoluções econômicas; só comparada à Revolução Industrial”. Foi com esta frase que o especialista americano Herman Franssen iniciou sua palestra para uma plateia repleta de empresários sobre a geopolítica de petróleo e gás.

No evento, promovido pelo Departamento de Energia da Fiesp, o especialista norte-americano disse que a “China tem uma história de sucesso única no mundo e que a Índia está seguindo pelo mesmo caminho”.

Apesar disso, Franssen alerta que, após a crise financeira mundial de 2008, “este será um longo período de incertezas”.

“De acordo com as tendências atuais, em 2030, os combustíveis fósseis serão responsáveis por 80% da matriz energética mundial”, previu. Entretanto, para atingir esta meta, os países estão buscando maior eficiência, como a fabricação de carros elétricos, por exemplo.

Brasil
“Ninguém esperava a descoberta do pré-sal, e ela foi possível graças ao desenvolvimento da tecnologia”, destacou. O consultor acredita que ainda há muito petróleo na terra e que, além do Brasil, a Rússia também tem muito a produzir.

Segundo Franssen, China e Índia deverão responder juntas por 80% da demanda por combustíveis nos próximos cinco anos.

Ele também elogiou o programa brasileiro de biocombustíveis, que é “lucrativo e não recebe subsídios do governo”, além de reduzir em 50% as emissões de gás carbônico quando comparado à gasolina.


Vazamento
O especialista comentou o vazamento de petróleo em um poço no Golfo do México, nos Estados Unidos, que já é o maior da história. “Ainda não se sabe exatamente o que aconteceu; se foi falha humana ou técnica, ou a combinação das duas coisas”.

O acidente deverá custar de 20 a 35 bilhões de dólares à empresa British Petroleum (BP), que viu nesta semana suas ações despencarem 40%. “Isso poderá custar a ‘cabeça’ do CEO da BP”, revelou.


Crise
Sobre os constantes conflitos no Oriente Médio, Franssen teme por um desastre nas relações diplomáticas, o que poderia encarecer significativamente o preço do barril de petróleo, chegando à marca de 200 dólares.

“O Irã sempre foi um império e, ao contrário de antigamente, as informações estão disponíveis em tempo real. É difícil ser otimista em relação à situação no Oriente Médio, mas rezo todos os dias para que não aconteça um desastre”, finalizou.