General das Forças Armadas explica esquema de segurança na Copa do Mundo de 2014

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

As iniciativas para garantir a segurança dos milhões de turistas que visitaram o Brasil entre junho e julho deste ano, por conta da Copa do Mundo de futebol, foram um dos temas da reunião plenária do Departamento da Indústria de Defesa (Comdefesa), realizada na tarde desta segunda-feira (01/12) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O convidado para abordar o tema, o general José Carlos de Nardi, coordenador das Forças Armadas brasileiras, apresentou os mecanismos de segurança desenvolvidos para a Copa do Mundo. Ele informou que as atividades para o evento começaram em 2011, dois anos antes da Copa das Confederações, evento teste que acontece um ano antes da competição principal.

General detalhou ações realizadas durante a Copa do Mundo do Brasil. (Foto: Tamna Waqued)

General detalhou ações realizadas durante a Copa do Mundo do Brasil. Foto: Tamna Waqued/Fiesp

 

Durante sua apresentação, o general Nardi explicou as fases de preparação e execução para um dos maiores eventos esportivos do mundo. “A integração entre os diferentes agentes foi total. Principalmente na final da Copa, que reuniu dezenas de autoridades de muitos países.”

O projeto aplicado à Copa, contou ele, foi o resultado de um acúmulo de experiências em grandes eventos ocorridos no Brasil. “[A Copa] foi resultado, principalmente, daquela visita realizada pelo Papa Francisco, em 2013.”

Segundo ele, a visita foi um grande resultado, já que o sumo-pontífice era “imprevisível” e andava entre a multidão.

O convidado afirmou que a Copa das Confederações foi outro grande desafio devido às manifestações que ocorreram entre junho e julho de 2013. “Tiramos muitas experiências para a preparação da Copa.”

O general ainda detalhou as ações realizadas especificamente para a Copa. “A Fifa impõe itens que devem ser seguidos pelo país-sede. Entre eles, que a segurança interna nos estádios seja privada.”

“Nossos agentes estavam à paisana. Tínhamos um hospital pronto caso houvesse algum atentado químico ou biológico. Mas não podíamos entrar no estádio. Foi um momento de preocupação, por não estarmos ali dentro”, relatou.

Segundo ele, durante a realização dos jogos do Mundial, as forças policiais e as Forças Armadas se ocupavam do entorno dos estádios, “preparados para atuar, mas somente a pedido dos governadores”.

Segurança na Copa em discussão na Fiesp. Foto: Tâmna Waqued

Segurança na Copa em discussão na Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O militar ainda revelou que em todas as ações realizadas durante a Copa, o contingente sempre portava armas com munição não-letal. “Não poderíamos aceitar atuar com armas com munição real. Para isso, precisamos preparar a tropa para enfrentar os desafios.”

Também foram detalhados pelo general o Controle do Espaço Aéreo e a Operação Ágata, um plano estratégico de fronteiras para prevenir e combater crimes praticados em pontos estratégicos do território nacional.

“Ao todo, 160 mil homens estiveram envolvidos em segurança e defesa durante a Copa”, concluiu.