24º PRÊMIO FIESP DE MÉRITO AMBIENTAL – MENÇÕES HONROSAS

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540345999A edição 2018 do prêmio promovido pelo Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp recebeu 65 cases. Os finalistas premiados com Menção Honrosa receberam o diploma de Mérito Ambiental.

Saiba mais sobre os cases vencedores das menções honrosas nos links abaixo:

Empresas de médio e grande porte:

HP Brasil

Economia Circular nas operações de manufatura da HP Brasil

Companhia Brasileira de Alumínio

Gestão preventiva para melhoria do desempenho ambiental, social e econômico da transformação plástica do alumínio

Eaton

Aterro Zero

BASF

Projeto Triple E – Excelência em Eficiência Energética

MRV Engenharia e Participações

Plano de Gestão de Carbono MRV


Empresas de micro e pequeno porte:

GEDi – Desenvolvimento e Inovação

Projeto de reutilização do Lodo da ETA para produção de cargas para Tintas Acrílicas

Solum Ambiental e Equipamentos Eletromecânicos

Vorax DuoTherm – Equipamento para processamento de resíduos de qualquer classe através de gradiente térmico

4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos

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Acesse as apresentações dos palestrantes que participaram do 4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos.

O evento organizado pela Rede Brasil do Pacto Global com apoio da Fiesp teve como objetivo facilitar o acesso de empresas e organizações aos recursos financeiros e linhas de créditos voltado às mudanças climáticas.




Como acelerar o desenvolvimento sustentável?

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Confira as apresentações realizadas no dia 28/09, no evento: Como acelerar o desenvolvimento sustentável?

O cenário bioeconômico suecoSr. Dusan Raicevic, Gerente, Vera Park

Estratégia nacional do Brasil para perceber a diminuição dos gases de efeito estufa, Sr. Marcelo Cupolo, Gerente Territorial, Associação Brasileira de Biogás e Biometano

Extrações de biogás de resíduos sólidos – uma fonte sustentável e renovável de energia para combater a emissão de gases de efeito estufa, Prof. Torleif Bramryd, Lund University

Transporte municipal sustentável usando combustíveis renováveis. Efeitos no clima, infraestrutura e serviços de ecossistema, Prof. Michael Johansson, Lund University

“Going gas” – ônibus a biogás como uma alternativa para as cidades, Sr. Silvio Munhoz, Diretor, Scania

Apresentações – MUDANÇA DO CLIMA E SEGURANÇA HÍDRICA: REFLEXOS E IMPACTOS PARA A SOCIEDADE


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Confira abaixo as apresentações realizadas durante o seminário “Mudança do Clima e Segurança Hídrica” que ocorreu na Fiesp no dia 21/03/2017.


Lançamento do Estudo FIESP “Mudança do Clima : Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira”

Palestrante: Angelo Costa Gurgel 


Lançamento do Estudo FGV – “Simulação de Sistema de Comércio de Emissões

Palestrante: Mariana Nicoleti – Fundação Getúlio Vargas


Estratégia e Instrumentos Econômicos Aplicados à Política de Mudança do Clima do Brasil

Palestrante: Jailson de Andrade – Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento – SEPED/MCTIC


Painel I – “Adaptação às Mudanças do Clima e a Segurança Hídrica”


Palestrante: Alexandre Gross – Coordenador de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da FGV-EAESP

Palestrante: Alexei Macorin Vivan – Diretor Presidente da ABCE

Palestrante: Mário Leopoldo de Pino Neto – Gerente de Sustentabilidade da Braskem


Painel II – “Desafios do Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos”


Palestrante: Barbara Dunin – Assessora da Rede Brasil do Pacto Global – CBPG


CLIQUE AQUI e veja as fotos do evento.

COP 22 tem dia decisivo para aprovação da Plataforma de Marrakech

Solange Sólon Borges e equipe técnica enviada à COP 22

A COP 22, realizada em Marrakech, iniciada no dia 7 e que se encerra nesta sexta-feira, 18 de novembro, tem profunda significação: o Acordo de Paris já está em vigor com o peso da assinatura de 197 países, dos quais 110 já o ratificaram em suas instâncias nacionais, somando aproximadamente 77% das emissões globais de Gases de Efeito Estufa (GEE). A Conferência das Partes (COP) é o órgão supremo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Em sua abertura, pediu-se maior atenção ao continente africano e suas necessidades, em função de milhões de pessoas passarem fome e os países desenvolvidos terem uma dívida ecológica com a África e com os países mais vulneráveis. A Conferência da Partes foi instalada pelo rei Mohammed VI, do Marrocos, que exortou os países que ainda não ratificaram o Acordo de Paris a assim o fazerem o mais rápido possível, além de estimular as Partes no sentido de se engajarem nos processos de facilitação para transferência de tecnologia.

Ressaltou-se mais uma vez o quanto é importante implementar o Acordo de Paris e a Decisão 1.CP/21 (decisão da COP 21 de ações estabelecidas até 2020) em benefício das gerações futuras e do Planeta.

O presidente da França, François Hollande, frisou que o Acordo de Paris é irreversível e ele já se encontra na consciência das pessoas diante da urgência decorrente dos efeitos da mudança do clima. Conforme dados científicos, os últimos anos têm sido os mais quentes da história moderna. Portanto, torna-se imperativo acelerar as ações negociadas. Hollande também tratou, em seu discurso, do movimento para precificação do carbono: 74 países e mais de 1.000 empresas estão engajados e há mobilização do sistema financeiro, no qual US$ 80 bilhões em Obrigações Verdes (Green Bonds) deverão ser emitidos até o final de 2016. A França fará a primeira emissão soberana, em 2017.

O Acordo de Paris representa avanço incontestável em Adaptação e Perdas e Danos, na avaliação da secretária-executiva da Convenção (UNFCC), Patricia Spinoza, que também enfatizou o incremento dos financiamentos, auxiliares na estruturação dos caminhos para o fortalecimento da Economia de Baixo Carbono.

Ban Ki-Moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), solicitou o engajamento de toda a sociedade em função do cenário de mais de 150 milhões de pessoas vivendo em locais ameaçados por inundações devido ao aumento do nível dos oceanos, o que geraria onda migratória sem precedentes, levando à instabilidade social. “Não temos, o direito de brincar com o destino das futuras gerações ou colocar em risco a sobrevivência das espécies com as quais recebemos o privilégio de compartilhar a morada neste Planeta”, disse.

O secretário-geral da ONU também lembrou às Partes quanto aos compromissos com o Fundo Verde (GCF) para que este venha a dispor dos US$ 100 bilhões previstos a partir de 2020, cuja finalidade é socorrer nações em desenvolvimento para se implementarem as ações de mitigação e adaptação, além do enfrentamento às vulnerabilidades decorrentes de eventos climáticos extremos.

 

CMA -1 – Conferência das Partes sob o Acordo de Paris

Em função da rapidez com que se deu a entrada em vigor do Acordo de Paris, foram estabelecidos em regime de urgência os procedimentos e regras para instalação da Conferência das Partes sob o Acordo de Paris (CMA-1). A CMA-1 e a Plenária de Alto Nível, com a participação dos Chefes de Estado e autoridades governamentais, foram agendadas para o dia 15 de novembro.

Com os trabalhos concluídos nesse prazo, os resultados (drafts) foram encaminhados à Presidência da COP 22 para sua devida consolidação e negociações finais. Esses pontos serão submetidos à plenária programada para o dia 18/11, sexta-feira, para aprovação.

A expectativa é que desse processo resultem dois documentos: a Plataforma de Marrakech para suporte à implementação do Acordo de Paris; e uma manifestação de apoio político das Partes, com ênfase no cumprimento do que está estabelecido no Acordo de Paris. Efetivamente, para estruturar a agenda e os trabalhos da COP 22, foram criados 176 subgrupos de trabalho com tarefas específicas.

Eleição norte-americana

Hollande também exortou o governo dos Estados Unidos a cumprir seu compromisso perante o Acordo de Paris, entendendo que o combate ao aquecimento global é indissociável da segurança e da estabilidade.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Sr. John Kerry, em entrevista coletiva, enfatizou a urgência das ações no campo da mudança do clima, apontando que ninguém tem o direito, especialmente quando está envolvido o interesse de bilhões de seres humanos, de escolher a inação “baseada somente em ideologia”, repercutindo o desfecho das eleições presidenciais norte-americanas.

Em 2001, em decorrência de eleições similares à época, obstáculos e interferências se refletiram nas negociações, culminando com a não-ratificação do Protocolo de Kyoto pelos Estados Unidos. A meta dos EUA é reduzir emissões de GEE entre 26% e 28% em 2025 (ano-base 2005) dentro de um cenário ainda intensivo em carvão; limitar o avanço das termelétricas e incentivar as energias renováveis.

Eventos no Espaço Brasil

Até o encerramento da COP 22, estarão representando o governo brasileiro os ministros do Meio Ambiente (MMA), José Sarney Filho, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Blairo Maggi. Para demonstrar a atuação e o protagonismo do País, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o MMA organizaram importantes eventos no Espaço Brasil.

Entre eles, foi lançado a Biofuture Plataform, plataforma de iniciativa nacional a fim de acelerar o desenvolvimento e a implantação de processos modernos e sustentáveis baseados em biocombustíveis avançados, como alternativa aos combustíveis fósseis nos setores de transporte, químicos, plásticos e outros. Participaram do evento ministros e embaixadores representantes dos países signatários como Argentina, Estados Unidos, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Itália, Indonésia, Marrocos, Moçambique, Países Baixos, Paraguai, Filipinas, Suécia, Reino Unido e Uruguai. Eles destacaram a liderança brasileira nesta elogiável iniciativa, sublinhando o esforço e competência dos órgãos envolvidos na construção desse Projeto.

Outro evento diz respeito à apresentação e debates sobre o Plano ABC. Este encontro tem por finalidade mostrar resultados alcançados pelo setor do Agronegócio no Brasil com a implementação da Agricultura de Baixo Carbono (ABC). O ministro Blairo Maggi enfatizou a importância do setor agropecuário para o sucesso da implementação do compromisso brasileiro no âmbito ao Acordo de Paris, com foco em uma agricultura e pecuária mais resilientes e sustentáveis, fundamentando-se em políticas públicas adequadas e pesquisas científicas consistentes.

Já o MMA tratou da estratégia nacional para implementação do REDD+. O MMA teve por objetivo nesta palestra expor o avanço de sua implementação e governança, no Brasil, e como se pretende, por consequência, prestar auxílio à implementação da NDC brasileira.

A Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim) destacou, em evento, o comprometimento do setor químico para fomentar a economia de baixo carbono e assegurar, em contrapartida, que sua competitividade não venha a ser comprometida, evitando-se possíveis fugas de carbono (carbon linkages), ou seja, substituições de produtos nacionais por importados, segundo Marina Mattar, diretora de Relações Institucionais da entidade.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) fez apresentação sobre adaptação à mudança do clima e oportunidades de negócios com dois casos de sucesso: um trabalho da Fundação Boticário, no Estado do Paraná, e outro nas unidades industriais da Braskem no Brasil a cargo de Jorge Souto, diretor de sustentabilidade da empresa. Ambas as empresas desenvolveram ferramentas de planejamento com o apoio da GVCes (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV) a fim de incorporar o componente adaptação como risco aos seus negócios.

Também ocorreu encontro da Coalização Clima, Floresta e Agricultura que fez a apresentação de seu documento de posição, inclusive com a presença da presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, que tratou das potencialidades atuais e futuras do etanol, atuando como substituto dos combustíveis fósseis, além dos benefícios possíveis quanto à redução de emissões de GEE.

“Estamos comendo nosso planeta, literalmente”, afirma especialista ambiental Pavan Sukhdev

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em função do peso do setor industrial no PIB brasileiro, as iniciativas das empresas em prol do clima são essenciais. O alerta foi dado por Pavan Sukhdev, economista ambiental, fundador e CEO da GIST Advisory (consultoria colaborativa que avalia a performance de corporações), em exposição sobre a “temporada das corporações” em encontro com diretores e conselheiros da Fiesp nesta sexta-feira (26/8).

Atualmente, o setor privado representa 2/3 da economia global com a geração de empregos representativos, segundo o convidado. “O que me marcou na COP de Copenhague [2009] foi a tensão existente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, um antagonismo. Na COP21 de Paris [2015] os participantes questionavam o que podemos fazer como país”, avaliando a mudança de posicionamento como um avanço.

A questão é manter a elevação da temperatura em 2ºC ou próximo de 1,5ºC, como está no Acordo de Paris, uma expectativa e não uma garantia, segundo Sukhdev. De acordo com ele, na África essa elevação poderá oscilar de 2,5ºC a 3ºC, alterando o cenário e levando à escassez de comida.

O especialista avaliou que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC, na sigla em inglês) não serão suficientes diante das necessidades atuais. O Brasil se comprometeu a reduzir 37% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2025 e 43%, até 2030 (ano-base 2005). Para isso, o governo federal pretende assegurar 45% de fontes renováveis. Há, ainda, a previsão de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de vegetação, além de acabar com o desmatamento ilegal. Para o economista, o país precisa ter papel definitivo nesse processo, e a economia sustentável deve refletir o engajamento quanto a temas como preservação florestal e geração de empregos. A urgência da redução de emissões está fortemente associada ao esgotamento dos recursos naturais e riscos atribuídos à escassez.

Ao tratar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são metas globais, Sukhdev deu outra interpretação. Eles não devem ser vistos como um conjunto de itens separados a serem alcançados, mas sim uma estrutura de metas fundacionais que guardam relação com a vida na Terra, o controle do clima e a disponibilidade de água. Trata-se de um passo a passo que leva em conta o econômico, o social e a bioesfera. Como exemplo, citou a sincronia existente entre temperatura, acidificação dos oceanos e disponibilidade de alimentos. Houve um declínio global da pesca. Os oceanos têm capacidade de absorção de gás carbônico, e a acidificação afeta os corais onde os peixes encontram alimentos e se proliferam. A mesma preocupação se deve ter com o solo, quando grande parte dele é destinado aos alimentos e ao gado. O especialista sinalizou a inevitável mudança de hábitos alimentares, no futuro, um desafio. Com maior demanda também crescerão as emissões. Por isso, nesse novo cenário, será preciso preservar o capital natural, preservando-se os recursos.

“Se entendem o que é preciso fazer para o clima por que não criar uma nova economia?”, questionou, sinalizando uma economia não mais centrada apenas no homem e no consumo. “Estamos comendo nosso planeta, literalmente”, afirmou, utilizando-se de uma metáfora para ilustrar o uso excessivo de recursos naturais. “Nós vamos conseguir sobreviver na Terra que sobrevive? O planeta será inabitável para o homem e outras espécies? Temos o direito de afetar o futuro das próximas gerações?”, indagou durante os debates.

Nesse sentido, para ele é preciso pensar na economia circular, apostar na inovação com o desenvolvimento de tecnologias apropriadas, além da criação de um mercado de carbono no Brasil. O economista enfatizou a importância da colaboração inovadora e afirmou que a economia verde deve ser liderada pelo setor empresarial. Ao mesmo tempo, sugeriu que cada setor crie suas metas e gerencie suas emissões.

Pavan Sukhdev também analisou que a questão tributária deve ser avaliada, como faz o G20 atualmente, e que os países integrantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) são a nova economia e devem ter foco na infraestrutura e aproveitar as oportunidades que surgem diante desse novo cenário.

Como consultor especial e chefe da Green Economy Initiative da Unep, Pavan produziu o Relatório TEEB (The Economics of Ecosystems & Biodiversity), referência internacional, além do Relatório da Unep Towards a Green Economy. É autor de Corporation 2020; liderou campanha homônima na Rio+20. Pavan integrou o setor bancário alemão (diretor da Divisão de Mercados Globais no Deutsche Bank).

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Reunião na Fiesp com a participação de Pavan Sukhdev. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp cria grupo de trabalho para estudar projeto de Museu da Indústria

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Na reunião do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema) realizada nesta terça-feira (26/7) foi implantado um grupo de trabalho para estudar a criação do Museu da Indústria. A sugestão do grupo de trabalho foi feita pelo conselheiro Marcelo Morgado, durante sua apresentação, intitulada “Proposta de Construção de um Museu da Indústria”. O presidente do Cosema, Walter Lazzarini, aceitou na hora a sugestão e indicou os nomes para compor o grupo.

Morgado explicou em linhas gerais o que seria o museu. O acervo deve ser físico, com parte dos objetos em corte, para mostrar seu funcionamento. “Nos museus, as pessoas esperam ver objetos, também destrinchados, mostrados por dentro.” E um foco forte na evolução da tecnologia. Museus, defendeu, despertam talentos. A curadoria deveria majoritariamente ser feita por engenheiros, na visão de Morgado.

Em sua opinião, as indústrias deveriam auxiliar a implantar o museu, apesar das dificuldades. “É possível salvar da destruição muito equipamento, muita coisa.” Uma seção seria reservada à memorabilia da Fiesp e do Ciesp, incluindo objetos do dia a dia, mobiliário e brindes. Também seria realçada a história das entidades – por exemplo, as grandes campanhas promovidas pela Fiesp.

Segundo Morgado, o espaço físico ideal seria uma antiga indústria. Citou como possibilidade de sede a antiga Estação Ciência, que foi fechada e não vai ser retomada. É área pública, do governo do Estado, e tem 8.000 metros quadrados, antes ocupados por uma tecelagem.

Efeito estufa

A reunião do Cosema teve mais duas apresentações em sua pauta. Walter Lazzarini explicou a criação das minipalestras, ideia surgida em razão da grande variedade de temas. “Registro Público e Simulação de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil” foi o tema da apresentação do conselheiro do Cosema Aron Belinky, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV Eaesp.

Belinky considera importante que o Brasil não se feche em relação à questão da mudança do clima, para não ficar para trás. O mundo, disse, está se movendo cada vez mais rápido em relação às emissões. Citou o avanço dos Estados Unidos na questão. O mundo está rumando para a economia de baixo carbono rapidamente, enquanto o Brasil parece estar parado.

À taxa atual, só restam 20 anos de emissões para fazer, atingindo o limite de mais 1 trilhão de toneladas suportável pelo planeta. Belinky comentou questão colocada por Celso Monteiro de Carvalho, vice-presidente do Cosema, sobre redução já havida das emissões, pelas forças de mercado e pela conscientização a respeito do problema do clima. Apesar da diminuição da emissão por produto criado, o aumento de volume de produção pressiona para cima as emissões, explicou o professor da FGV. A necessidade de atender ao crescimento da demanda exige aumento da velocidade de redução das emissões.

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Reunião do Cosema, da Fiesp, em 26 de julho, teve três minipalestras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Lembrou que o que for feito hoje em relação às reduções só terá efeito em 20 ou 30 anos na diminuição da concentração de GEE na atmosfera.

Agricultura (35%) e energia (34%) superaram desmatamento (20%) como maiores emissores de gases do efeito estufa (GEE) no Brasil. Mesmo que indústria não seja um grande emissor sob esse ponto de vista, lembrou Belinky, terá problemas de competitividade, porque produtos de grande teor de carbono serão cada vez menos aceitos.

Nesse cenário, disse que perceberam que não se constrói do dia para a noite uma cultura de redução de emissões. Em 2010 a FGV lançou, depois de trabalho iniciado em 2008, um padrão brasileiro GHG Protocol. Uma de suas ferramentas é um registro público de emissões, para apresentação de seus dados. Tem 1.475 inventários publicados, de mais de 130 empresas (que podem fazer inventários de vários anos e de suas coligadas), com uma área pública de acesso. O sistema, explicou, é voluntário e aberto. Tem sistemas de busca, por formulário e georreferenciada.

O programa, segundo Belinky, capacitou 1.485 gestores desde seu início. Foi feito o download 1.800 vezes da ferramenta de cálculo de emissões.

A partir da criação dessa cultura é possível fazer avanços que vão além do exigido pela regulação, que, segundo Belinky, chega de cima para baixo, de modo descolado do que os agentes podem fazer. Intenção é estimular o uso, para que a regulação seja aderente às práticas empresariais.

Estima que entre 7% e 12% das emissões brasileiras estejam no GHG Protocol. Ele serve, segundo Belinky, como referência para investidores e também para reguladores.

Mercado de carbono

Ter essas informações permitiu lançar a simulação – primeira no Brasil e América Latina – de venda de créditos de carbono. Chamado SCE EPC, tem como conceito simular, treinar “para quando o jogo começar”. Há 30 empresas usando uma plataforma real, com dados reais, mas com moeda fictícia.

A partir do volume de emissões, define-se o cap, o limite, que gera títulos, parte distribuída para os demais participantes gratuitamente e parte que vai para leilões. Empresas podem gerenciar em tempo real suas emissões. Também é possível transacionar para outros setores e ir para o mercado secundário. Belinky disse que houve como efeito do SCE EPC o pessoal de sustentabilidade começar a conversar com o pessoal de finanças, de controladoria.

As 30 empresas que participam representam 9 setores, cobrindo 4% das emissões nacionais de 2014, 44.006.698 tCO2e. Nenhuma se expõe, graças ao uso de pseudônimos. 50% conseguiram conciliar suas emissões – as que não conseguiriam ficariam sujeitas a punições.

Ressaltou que o conhecimento criado tem base não acadêmica, e sim no mercado.

Lazzarini elogiou o fato de serem públicas as informações do sistema.

Poluentes

“Registro de Emissão Transferência de Poluentes – RETP”  foi o tema da palestra da conselheira Claudia Virginia Mistrorigo de Freitas. Explicou que visa a divulgar as emissões de empresas em geral. No Brasil a estrutura é encabeçada pelo Ministério do Meio Ambiente.

RETP deve estar ligado ao cadastro técnico do Ibama e ao relatório RAPP, mas há dúvidas sobre como será implantado na prática. Sua origem é compromisso assumido no 3º Foro Intergovernamental de Segurança Química.

Há tendência grande disso ser implantado o quanto antes, disse, citando a legislação sobre o tema, incluindo o que há na Constituição.

A partir de 2017 o RETP será obrigatório para organizações elegíveis, o que depende das substâncias emitidas ou transferidas pela organização. Há 194 poluentes listados, de 7 categorias.

Para elaborar um RETP, a empresa precisa criar um sistema de coleta e rastreamento de dados e designar um ponto focal, responsável por requisitar as informações e organizá-las, arquivando-as para permitir futuras comparações. Deve depois identificar as emissões e transferências. Escolher métodos de cálculo para as quantificações, quantificá-las, elaborar o RETP e submeter via site do Ibama. Claudia Freitas disse que há muitas dúvidas e dificuldades.

Lazzarini mostrou preocupação com a questão. Burocracia crescente afeta a indústria, lembrou. Pediu a Claudia auxílio, na identificação das dúvidas, para ajudar no trabalho já feito pelo Departamento de Meio Ambiente da Fiesp em relação ao RETP.

Mario Hirose, conselheiro do Cosema e diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, explicou que ainda não há ninguém no Ibama que cuide do tema. Há prazo de implantação, março de 2017, mas existe problema interno. “Mais uma vez será uma daquelas leis obrigatórias, e a indústria vai pagar pela responsabilidade de entrega dessas informações”, algumas das quais já disponíveis em outras fontes. A indústria, afirmou, não está preparada para fazer isso e deve tentar a postergação.

Oficina de capacitação na Fiesp aborda mitigação de emissões de gases de efeito estufa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Opções de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em setores-chave, no Brasil, foram o foco de oficina de capacitação, realizada no dia 30 de julho na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tratou-se de metodologia para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético.

O treinamento integrou as ações de projeto que mobiliza 11 ministérios com vistas ao esforço do país quanto à mudança climática em setores-chave, como indústria, energia, transportes, edificações, LULUCF (Uso da Terra, Mudança de Uso da Terra e Florestas), gestão de resíduos e outras alternativas intersetoriais. O projeto está sendo implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Segundo Régis Rathmann, do MCTI, as opções de mitigação auxiliam na identificação de seus respectivos potenciais e custos quantificados a fim de minimizar incertezas. “Muitos setores são produtores de energia e também dependentes”, avaliou. Rathmann detalhou os três componentes avaliados, na oficina:

1 – opções de mitigação identificadas e seus respectivos potenciais e custos quantificados para os períodos 2012-2035 e 2036-2050.

2 – análise integrada das diferentes opções de mitigação em estrutura de otimização integrada, considerando a não-aditividade das diferentes opções e outras considerações econômicas; e avaliação dos possíveis impactos dos custos de abatimento e diferentes políticas climáticas sobre a economia brasileira.

3 – capacitação de instituições, governo federal, estaduais e cidades-sede da Copa do Mundo 2014, bem como organizações da sociedade civil para implementação de ações de mitigação de emissões de GEE em setores-chave da economia.

Já Pedro Rochedo teve como foco a energia e frisou que o sistema energético brasileiro é bem diferente dos demais, no mundo. Aqui, há forte concentração de energia renovável, com 46% da energia primária renovável em 2013 (Fonte: EPE, 2014), contando com hidroelétricas como maior fonte de eletricidade, além do etanol, que representa cerca de 14% do consumo de combustível no setor de transporte.

Rochedo tratou, em detalhes, da estrutura do setor energético, composto por óleo e gás, carvão, sucroalcooleiro, biomassa e setor elétrico. Em termos de óleo e gás, por exemplo, o pré-sal oferece recurso enorme, com reserva entre 70 e 100 gigabarris de petróleo, porém, presente entre 200 a 300 km da costa, e a 8 mil metros abaixo do nível do mar, o que requer tecnologia, inclusive para o aproveitamento do gás acumulado nessa área. Em sua avaliação, óleo e gás contam com tecnologias maduras e, portanto, com baixa perspectiva de inovação.

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Oficina sobre mitigação de emissões de GEE, realizada na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Em termos de carvão mineral, predominante na região Sul do país, seu uso é pouco representativo em função da baixa qualidade que oferece e, em função do baixo preço, acaba sendo destinado ao uso térmico. O setor sucroalcooleiro brasileiro, como maior produtor de cana-de-açúcar, especialmente no Sudeste, só perde em etanol para os Estados Unidos, cujo etanol é feito à base de milho. Esse processo demanda vapor e eletricidade, e o bagaço deixou de ser avaliado como resíduo para se tornar fonte de energia.

Outro exemplo dado por Rochedo diz respeito à controversa energia nuclear. O Brasil conta com a 5ª maior reserva mundial de urânio, mas não domina toda essa cadeia produtiva. No entanto, a reserva existente é capaz de atender a demanda por mil anos.

O especialista do MCTI alertou para um caráter prático quanto à demanda energética: “Nos Estados Unidos, entregam-se à população de baixa renda, em algumas localidades, geladeiras mais eficientes porque isto é mais fácil do que expandir a base do setor elétrico”, exemplificou.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa das Conferências Climáticas Mundiais desde 2009, quando foi assinado o Acordo de Copenhague. Na ocasião foi reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius, até o final do século, para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então a Fiesp tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, a Fiesp integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina realizada no dia 30 de julho. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final deste ano.

Oficina de capacitação na Fiesp aborda tecnologias de baixo carbono

Agência Indusnet Fiesp

Com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realiza dia 30 de julho oficina de capacitação com foco em metodologias para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético. Esse treinamento faz parte das ações do projeto Opções de Mitigação de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), integrando os esforços do país quanto à mudança climática.

A implantação do projeto é feita em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Os cenários integrados do potencial de mitigação das emissões de GEE auxiliam na tomada de decisão sobre ações que possam reduzir as emissões.

A oficina será dividida em duas etapas:

Tecnologias de baixo carbono aplicáveis para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa nos segmentos energético e industrial. Das 9h às 12h.

Construção de cenários de baixo carbono nos segmentos energético e industrial. Das 14h às 17h.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa desde 2009 das Conferências Climáticas Mundiais, quando foi assinado o Acordo de Copenhague e reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius até o final do século para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina que está sendo realizada no próximo dia 30. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final do ano.

SERVIÇO:

Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono e Construção de Cenários de Baixo Carbono nos segmentos industriais e energético

Data e hora: 30 de julho das 9h às 17h

Local: Avenida Paulista, 1.313, São Paulo, SP

Inscrição: inscrições podem ser solicitadas até 28/07 pelo e-mail ctc_mitigacao@mcti.gov.br. Vagas limitadas.

Mudança do Clima: novo Acordo em Paris trará impactos para a indústria

João Guilherme Sabino Ometto – vice-presidente e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da Fiesp

A Mudança do Clima afeta todos os países, desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos, e o tema destaca-se cada vez mais com a proximidade da 21ª Conferência das Partes (COP21), no final deste ano, na França, quando haverá esforço conjunto para atingir a meta de limitar a menos de dois graus Celsius o aquecimento global até o final deste século.

Relevante, o encontro em Paris será mais um marco na linha do tempo das discussões globais, como o foram a Rio92, a assinatura do Protocolo de Quioto, em 1997, e o encontro de Copenhague, em 2009, inserindo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) na agenda prioritária de diversos países. Há grande expectativa em função da assinatura do novo Acordo a ser assumido e o que ele representará para garantir a sustentabilidade do planeta e seus ecossistemas.

O Brasil é partícipe ativo desse encontro, em 2015, e das negociações globais com reflexos de impacto em âmbito nacional. A aprovação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), em 2009, e sua implementação ao longo dos anos, com base nos planos setoriais, bem como a aprovação de leis estaduais, refletem a relevância do tema para o País.

A questão climática igualmente integra a agenda da indústria e é um dos pontos fortes de atenção. Por isso a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acompanha, de maneira construtiva com o governo brasileiro, o desenrolar das negociações a fim de compreender de qual forma as negociações multilaterais avançam com vistas a conter o aquecimento global.

O processo de definição das contribuições nacionalmente determinadas (iNDCs), que o Brasil deverá submeter à Convenção em 2015, deve trazer exigências para os diferentes setores, especialmente em relação a ações de mitigação e adaptação. Esses compromissos promoverão reflexos sobre a indústria e o agronegócio que movem economicamente o País e há questões implícitas e essenciais, como a garantia da segurança alimentar e a manutenção dos sistemas produtivos, por exemplo.

Na avaliação da Fiesp, houve contribuição decisiva da indústria para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), ao longo dos anos, com o aprimoramento dos seus processos e a evolução das tecnologias. Assim, em momento tão sensível do cenário nacional, a preservação da competitividade deve ser central, sem prejuízo ao crescimento econômico e aos avanços sociais conquistados nas últimas décadas.

Por isso, a proposta brasileira a ser apresentada em Paris deve considerar por um lado os esforços já empreendidos no passado e, por outro, os mecanismos futuros, incluindo os voltados a financiamento e transferência e incremento de novas tecnologias entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nesse contexto, devem ser reforçados os programas de cooperação Sul-Sul, ou seja, dar ênfase entre os países em desenvolvimento que compartilham desafios e experiências semelhantes quanto à redução das suas emissões.

O aporte de recursos financeiros internacionais oriundos do Fundo Verde (Green Climate Fund) e de outras fontes é avaliado como essencial pela indústria para que o Brasil possa se adaptar à mudança do clima e enfrentar eventos meteorológicos extremos. Este é um ponto forte.

Outro item crucial é o reconhecimento das ações antecipadas de mitigação (early actions), entre 2010 e 2020, e a expressiva participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira, auxiliares na pauta de discussão movida pelos programas de etanol, biodiesel, biocombustível e hidroeletricidade do País.

O nosso ativo florestal resultante do combate ao desmatamento até 2014 – mais de 650 milhões de CO2 equivalente – deve ser creditado como contribuição nacional à redução das emissões globais. Nesse mesmo sentido, entende-se como fundamental que as ações de restauração decorrentes do Novo Código Florestal, que promoverão o incremento no sequestro de carbono, sejam consideradas na composição das iNDCs brasileiras.

Diante da recente afirmação da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, de que o Brasil é quem mais reduz e tem comportamento de país desenvolvido frente ao clima e deverá, em curto espaço de tempo, definir o caminho para estabelecer os alicerces da economia de baixo carbono, é fundamental que o novo Acordo conte com mecanismos de flexibilização de mercado. A criação de taxas sobre a emissão de carbono é inaceitável e incompatível com mecanismos de mercado, qualquer que seja o grau de ambição e o formato do Acordo.

A Fiesp, que participa oficialmente das COPs desde 2009 e estará presente na COP21, concorda que a proposta brasileira estabeleça metodologia para quantificar e qualificar as responsabilidades anteriores de emissões de carbono, uma forma de preservar as nações mais vulneráveis às mudanças do clima.

Compreende-se igualmente que o novo Acordo deve ser legalmente vinculante e estar estruturado no princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, além da preservação de um formato flexível de contribuição nos moldes da proposta de enfoque de diferenciação concêntrica, apresentada pelo Brasil em outubro de 2014 e durante a COP-20, em Lima (Peru).

Ativa, a indústria pauta sua ação na participação cooperativa entendendo que a inércia não é solução válida para os setores produtivos que igualmente sofrerão com as consequências das mudanças do clima, bem como a sociedade como um todo. Essa é uma tarefa a ser abraçada por todos nós.


Curso de capacitação de inventário de Gases de Efeito Estufa tem segunda edição

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizou em 18 e 19 de maio a capacitação para elaboração de inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE).

O curso foi ministrado pela equipe do Centro de Sustentabilidade da FGV (GVces) e voltado a empresas. Trata-se de uma forma de as organizações colaborarem na minimização dos impactos globais das mudanças do clima.

O objetivo principal do curso se concentrou na elaboração de inventários corporativos e suas diretrizes de acordo com as especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol. As regulamentações existentes em São Paulo, sobre emissões, utilizam o GHG como metodologia.

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Ferramenta do GHG Protocol auxilia empresas na construção da política climática do país. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O inventário corporativo também é uma ferramenta de apoio para a tomada de decisão em uma economia de baixo carbono e oferece oportunidade de novos negócios para as empresas. Sua implementação traz melhorias internas como redução de emissões, economia de recursos, otimização de processos e aumento de eficiência.

Durante o treinamento, representantes do Programa Brasileiro apresentaram os princípios de contabilização e elaboração de inventários, além de seus limites organizacionais e operacionais. A parte prática se concentrou na apresentação da ferramenta de cálculo, além de exercícios, relato das emissões e como fazer o registro público.

A especialista da área de mudança do clima da Cetesb, Josilene Ferrer, esclareceu dúvidas sobre a Decisão de Diretoria n. 254/2012, que trata dos critérios de elaboração do inventário de emissões de GEE no Estado de São Paulo e dos 27 setores que obrigatoriamente devem reportar as suas emissões.

Ferrer frisou que a ferramenta GHG está em harmonia com o ISO 14.064, padrão internacional atrelado à Gestão de GEE, que se baseia nos seguintes princípios: relevância, integridade, consistência, transparência e exatidão. O objetivo é internalizar a cultura de monitoramento e auxiliar a construir uma política climática no país, segundo a participante.

Os inventários devem ser entregues à Cetesb em meados do segundo semestre deste ano, os obrigatórios e os espontâneos.

Apresentações do Seminário sobre Gestão de Gases do Efeito Estufa

Foi realizado na sede da Fiesp, no dia 05/12/13, Seminário sobre o tema Gestão de Gases do Efeito Estufa. Confira as apresentações do evento abaixo.

Gestão de Gases de Efeito Estufa – Mario Hirose

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Isabel (1)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Isabel (2)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Ricardo (1)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Ricardo (2)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Alexandre

Transporte aquaviário seria solução para reduzir poluição em São Paulo

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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Frederico Bussinger, durante reunião do Cosema/Fiesp

O transporte representa 13% das emissões totais planetárias, mas São Paulo ocupa posto crítico nesta contabilidade: tem mais de 90% do seu transporte concentrado no sistema rodoviário, enquanto no Brasil soma 60%. Os dados foram apresentados por Frederico Bussinger, que já esteve à frente da Secretária dos Transportes de São Paulo e do Metrô e foi secretário-executivo do Ministério dos Transportes.

Ao tratar da “Modalidade, Logística e Meio Ambiente: aliados estratégicos”, na reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, realizada nesta terça-feira (25), Bussinger lembrou que o Brasil sofre de um fenômeno perverso: tem matriz energética limpa comparada a outros países e, ao mesmo tempo, uma das matrizes de transporte mais sujas do mundo, cenário desenhado por conta do que chamou de “rodoviarismo”.

Ele também criticou o fato de os transportes representarem um subconjunto dentro do setor de energia nas políticas públicas, quando deveria ser prioritária. O transporte representa 23% das emissões mundiais de Gases de Efeito Estufa (GEE). Em São Paulo, é bem mais.

Bussinger explicou que, apesar da dificuldade real na obtenção de dados, tendo como referência o balanço energético de 2008 (ano-base 2007), o resultado é que o setor responde por 57% das emissões totais.

Previsões

Ao comentar sobre a Lei da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) – que prevê a redução de 20% na emissão de GEE até 2020 para todos os setores –, o palestrante reforçou: “Ou há mudanças na matriz do transporte ou não será atingida a meta estabelecida nem para São Paulo, nem para o Brasil”. E recomendou:  “O sistema precisa duplicar a sua eficiência”.

De acordo com dados de 2005, ano base da PEMC, São Paulo emite 40 milhões/toneladas de CO², patamar que pede redução para 32 milhões até 2020. As projeções, segundo Bussinger, é que São Paulo cresça 75% (2005-2020), tendo como principal vilão o transporte individual, que dobrará se nada for feito. A emissão alcançaria, então, 76 milhões/ton.

“Para que se cumpra a lei, seria necessário reduzir 44 toneladas, mais do que se emite hoje”, disse o especialista. E citou o fato de aproximadamente 46% dos caminhões transitarem, em São Paulo, sem carga, indicando o baixo grau de eficiência sistêmica e a concentração do transporte no sistema rodoviário.

Como solução, apontou o que já foi feito em outros países: a condução de mercadorias sobre águas com baixo impacto ambiental. “O transporte aquaviário é parte da solução, mas é preciso estar no planejamento de São Paulo”, concluiu.