Gastos sociais elevados refletem aumento da despesa pública, afirma pesquisador

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Mansueto Facundo de Almeida Junior, pesquisador do Ipea

Durante reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp nesta segunda-feira (8), o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mansueto Facundo de Almeida Junior, também membro do Cosec, abordou o aumento dos gastos sociais no País.

De acordo com Junior, há uma escolha embutida. Favorável ou contra, em sua avaliação, este é um modelo premiado pelo eleitor, com custos e benefícios. “Quando se pondera os gastos e divide pelo PIB, a despesa aumenta para 4,8%, depois cai e termina em 4,6%”, afirmou. Para ele, o crescimento poderia ter sido menor.

O pesquisador explicou que o INSS é um dois itens que mais cresce na despesa pública, investimento que parte de uma base muito baixa entre 1999 e 2003. “Nesse período, até 2011, tivemos dois anos de ajustes fiscais fortes, que não foram bons e que devem ser revertidos”.

De 1999 a 2010, 86% do crescimento do gasto não financeiro do governo federal está ligado a INSS, custeio de saúde e educação e gastos sociais. Para Junior, de um lado há um aspecto positivo, que desmistifica a questão do descontrole do setor público. “Por outro lado, torna o debate mais difícil, porque o eleitor esta escolhendo esse tipo de política, temos um imposto alto por causa do gasto elevado”, analisou.

Mansueto defende o choque de gestão, mas com agenda permanente. “Não acredito que vá reduzir o gasto público em dois anos no Brasil, pois grande parte do crescimento deste montante vem dos gastos sociais”. Junior acredita que, em médio prazo, se consegue um ajuste fiscal apenas com o controle, por exemplo, da politica de reajuste do salário mínimo.

“Não é deixar de dar o aumento real [do salário mínimo], mas a velocidade de expansão acaba tendo grande impacto nas contas públicas. Isso não é uma decisão técnica, é uma decisão politica que tem que ser discutida com a sociedade”, enfatizou.