Redução do gasto fiscal atinge investimentos do governo, afirma Andrea Calabi

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Andrea Calabi, secretário da Fazenda do Estado de SP

A 57ª reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp recebeu o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Andrea Calabi, que fez uma análise do panorama atual da economia brasileira nesta quarta-feira (13), na sede da Fiesp.

De acordo com o secretário, o Brasil do século passado cresceu em média 5% ao ano e entre 1940 e 1980, 7%. “Isso significou um crescimento vigoroso, no qual uma das marcas do processo de desenvolvimento brasileiro é esta experiência de crescimento”, afirmou Calabi.

A dificuldade, segundo ele, é recuperar e manter estes padrões históricos de evolução no período mais recente, cujo crescimento médio nos últimos 20 anos foi de 2,5%. “Hoje enfrentamos uma inflação muito elevada e preocupante, de índices de preço ao atacado da ordem de 6%”.

Gasto fiscal

Conforme Andrea Calabi, com o enrijecimento orçamentário, a contração repentina do gasto fiscal atinge investimentos e programas do governo, o que vai à contramão do que seria necessário para sustentar o crescimento dos gastos em infraestrutura e nos programas de melhoria da qualidade de educação e serviços sociais (saúde, segurança etc).

“Com estes altos níveis de inflação, de 12% ao consumidor, as práticas de indexação, tão enraizadas no Brasil, se reacendem. E se considerarmos a política relativa ao salário mínimo, estaríamos embutindo um reajuste na ordem de 14%, que realimenta ainda mais os temores da retomada desta prática, que foi tão difícil de superar e de controlar”, sinalizou o secretário da Fazenda.

Investimentos

Calabi informou que o governador Geraldo Alckmin estabeleceu como meta em sua gestão investir, em termos reais, mais do que no último quadriênio, o que implica pelo menos R$ 80 bilhões em aportes nos próximos quatro anos. “Um desafio enorme, posto que parte dos recursos das fontes extraordinárias evidentemente não estarão disponíveis, mas possível dentro dos limites das Lei de Responsabilidade Fiscal”, ressaltou.

Ao classificar como “canibalismo” a guerra fiscal entre os estados, Calabi observou que são “todos contra o estado de São Paulo”. Explicou ainda que a guerra fiscal mostra descoordenação federativa entre as políticas federal, estadual e municipal,  causando, na base empresarial, uma carga tributária particularmente elevada.