Venda de distribuidoras de gás natural da Petrobras prejudica concorrência no setor

Fato relevante divulgado pela Petrobras na terça-feira passada (22/9), referente à venda da Gaspetro, informa que a empresa “está em negociação final com a Mitsui Gas e Energia do Brasil Ltda para a venda de 49% da holding”. Isso mantém o monopólio no setor de distribuição de gás, que continuará sob regime estatal, com 51% da holding nas mãos da Petrobras.

A Petrobras deveria ter aproveitado a oportunidade para aumentar a eficiência da cadeia de gás natural, que tem importância estratégica na recuperação da atividade industrial do país e na geração de empregos.

A venda, da forma anunciada, consolida a situação de falta de concorrência na distribuição de gás natural, que é danosa para o preço do produto, importante insumo para a indústria. Para fazer caixa no curto prazo, a Petrobras sacrifica a perspectiva de longo prazo da indústria brasileira, ao inibir novos investimentos no setor.

O processo de venda renderá à Petrobras menos dinheiro do que poderia. Uma estratégia de venda de cada distribuidora individualmente ou em blocos regionais aumentaria significativamente o valor do negócio, além de contribuir para o aumento da concorrência.

A posição da Fiesp é que a Petrobras se restrinja a atuar na área de exploração e produção e deixe a operação da malha de gasodutos e a distribuição de gás natural. “Obviamente, o resultado seria mais efetivo se a Petrobras vendesse, neste momento, 100% de sua participação nas distribuidoras, concentrando-se na produção de petróleo e gás, que é sua atividade-fim”, diz Paulo Skaf, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

O atual modelo tira a esperança de ter o gás natural como fator de competitividade da indústria brasileira.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP

Venda da Gaspetro é novo capítulo na série de maus negócios da Petrobras

A Petrobras está para fazer mais um mau negócio. Está para ser anunciada a venda de 49% da Gaspetro, o braço de gás natural da empresa. Feita de forma apressada e sem transparência, a operação vai agravar a brutal falta de concorrência no setor.

O negócio não é apenas ruim. É o pior possível. Da forma como está sendo encaminhado, com todas as distribuidoras da Petrobras sob a holding Gaspetro, a alienação conseguirá preço mais baixo na venda dos 49% das ações do que se fosse feita a oferta, em leilões sucessivos, de cada distribuidora de gás separadamente ou em blocos regionais. Este modelo seria capaz de gerar concorrência entre os compradores interessados, despertando o apetite dos investidores, aumentando os ganhos da empresa.

A Petrobras negociou com nove empresas, mas sete já se desinteressaram pelo negócio.  “Do jeito que foi noticiado, é claro que pouca gente vai querer comprar”, avalia Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A Petrobras manteria o controle da empresa, cabendo aos novos acionistas apenas o papel de coadjuvantes. “É como comprar um carro novo e não poder dirigi-lo.”

A Fiesp propõe que a Petrobras atue na área de exploração e produção e deixe a operação da malha de gasodutos e a distribuição de gás natural. “Obviamente, o resultado seria mais efetivo se a Petrobras vendesse, neste momento, 100% de sua participação nas distribuidoras, concentrando-se na produção de petróleo e gás, que é sua atividade-fim”, diz Skaf.

A Fiesp, em total alinhamento com a sociedade brasileira e com o momento político, advoga transparência irrestrita nos negócios envolvendo a Petrobras, para evitar a repetição dos episódios da história recente da empresa. O processo de venda da Gaspetro, bem como o programa de desinvestimento da estatal, precisa ser interrompido imediatamente para ser retomado depois de uma ampla discussão com a sociedade. Orgulho e patrimônio do Brasil, a Petrobras precisa dialogar com os brasileiros. “Não dá para a discussão ser feita a portas fechadas, por instâncias internas da empresa”, afirma Skaf.

A Fiesp recorrerá aos órgãos de controle da administração pública, ao Poder Legislativo e, caso necessário, à própria Justiça, para garantir a satisfação dos interesses da sociedade brasileira.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo