Diminuição de gases de efeito estufa não deve trazer prejuízos para a economia

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Desde 1860 há crescimento da temperatura global e isso não é explicado sem a constatação de que há participação humana no processo. A opinião é do pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), Luiz Gylvan Meira Filho, que participou da abertura da 16ª Semana do Meio Ambiente, na manhã desta segunda-feira (02/06).

O evento é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). E segue até a sexta-feira (06/06).

Para Filho, doutor em astrogeofísica pela Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, o controle do aumento da temperatura do planeta dependerá inteiramente das ações humanas a serem desenvolvidas pelos governos e entidades civis.

Filho: debate sobre as emissões futuras de gases de efeito estufa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Filho: debate sobre as emissões futuras de gases de efeito estufa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo o especialista, o clima futuro da Terra “depende do ser humano decidir qual será a quantidade de emissões do futuro, variável esta que dependerá do consumo e da natureza da matriz energética”.

Caminho possível

Para o futuro, Filho acredita que o cenário mais provável é aquele em que haverá limitação de emissões de gases de efeito estufa. “Limitar as emissões é uma alternativa considerada segura pelos participantes da Convenção do Clima de Copenhague, realizada em 2009”, diz.

Com a limitação estipulada para as emissões, a temperatura, segundo o especialista, não deverá crescer mais de 2ºC até 2100.

Há uma questão importante na visão de Filho quando se fala em limitação ou diminuição de emissões de gases que contribuem para a mudança climática. “Para que haja redução é preciso haver coordenação de ações para que não ocorram prejuízos para as economias globais”, alerta.

O presidente do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, Ruy Martins Altenfelder Silva, também participou do evento. Para ele, a importância do debate em torno de questões relacionadas às mudanças climáticas é enorme.

“Não devemos nos deixar incomodar com as verdades inconvenientes relacionadas ao clima. Devemos enfrentá-las”, afirmou.

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Conferência da ONU sobre mudança do clima confirma novo período de Quioto

Lucas Alves, de Doha, no Catar, para Agência Indusnet Fiesp

Com um resultado considerado pouco ambicioso pela maioria das partes, a 18ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP18), realizada nas últimas duas semanas, no Catar, adotou um segundo período de compromissos para os países desenvolvidos (chamado de Anexo 1), por meio do Protocolo de Quioto, para cumprimento de metas de redução de emissão de gases de efeito estufa, entre 2013 e 2020.”]Imagem relacionada a matéria - Id: 1544925456

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que acompanhou as negociações em Doha por meio de uma equipe técnica, considera que, embora pouco satisfatória, a decisão pela manutenção de Quioto como instrumento legal no combate as emissões de gases que provocam o efeito estufa é essencial para um futuro acordo que devera ser negociado até 2015.

“A continuidade do Protocolo é uma decisão importante para não haver uma lacuna no processo e, assim, evitar abrir margem para que os países retrocedam a tudo aquilo que vem sendo negociado nos últimos anos”, defendeu o segundo vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

Além de ter estabelecido um período de oito anos de compromissos – muitos países defendiam que fossem apenas cinco anos –, Quioto definiu uma meta agregada de redução de emissões pelos países desenvolvidos de 18%, considerando 1990 como ano-base. Entretanto, as nações que aderiram a este segundo período deverão se esforçar para revisar, de maneira ambiciosa, suas metas, de pelo menos 25 a 40%.

O segundo período do Protocolo de Quioto foi aceito pelos seguintes países: Austrália, Belarus, Cazaquistão, Mônaco, Noruega, Suíça, Ucrânia e pela União Europeia. Ficaram de fora nações importantes como os Estados Unidos, Japão e Rússia.

Pós-2015

Em Doha, as discussões também avançaram para a elaboração de um novo acordo global, que deverá ser concluído ate 2015 para entrar em vigor em 2020, reunindo todos os países que participam da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), previsto na Plataforma de Durban (definido na COP17, realizado no ano passado, na África do Sul).

De acordo com a agenda do novo acordo, no ano que vem deverão ser identificadas e exploradas opções de ações que levem a medidas de mitigação mais elevadas, com o objetivo de reduzir as emissões pré-2020. Na decisão, está explicita a forte preocupação com as atuais promessas de redução de emissões (pouco ambiciosas) que poderão comprometer os esforços para que se evite o aumento da temperatura em 2ºC, segundo observou a equipe da Fiesp em Doha.

A COP18 também marcou o encerramento de um importante trilho de negociação, iniciado em Bali, em 2007, o chamado Acordo de Longo Prazo (LCA em inglês). Com o fim deste mandato, as pendências de caráter técnico serão discutidas no âmbito de dois grupos de trabalho, o SBI e o SBSTA, enquanto que as decisões politicas serão tomadas no âmbito do secretariado da COP.

Desta maneira, o pacote com todas as decisões da COP18, chamado de “The Gateway a Second Commitment Period”, deverá ser publicado nos próximos dias.