‘A Fiesp está totalmente empenhada no apoio à sustentabilidade’, diz Skaf no Dia do Meio Ambiente

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Como prova de seu empenho em nome da sustentabilidade, a Fiesp realizou, na manhã desta segunda-feira (5 de junho), Dia Mundial do Meio Ambiente, em sua sede, em São Paulo, a 80ª Reunião Conjunta do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema), Conselho Superior de infraestrutura (Coinfra) e Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da federação. O encontro foi aberto pelo presidente da entidade, Paulo Skaf, que deu as boas-vindas aos participantes.

“Estamos atentos a questões como o maior uso do etanol, por exemplo”, disse Skaf. “A Fiesp está totalmente empenhada no apoio à sustentabilidade.”

Os cumprimentos foram complementados pelo presidente do Cosag, Jacyr Costa. “Donald Trump deu um passo para trás em relação ao meio ambiente, mas outros países importantes reiteraram seus compromissos, como a China e vários outros da Europa”, disse, numa referência à decisão norte-americana de sair do Acordo de Paris, sobre a redução das emissões gases de efeito estufa na atmosfera. “Até Estados dos Estados Unidos, como a Califórnia e Nova York reiteraram seu envolvimento com a qualidade do ar no mundo.”

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No Dia do Meio Ambiente, abertura de reunião conjunta de conselhos superiores da Fiesp, com a participação de Paulo Skaf. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Entre as autoridades presentes no debate, o ex-ministro Aldo Rebelo, relator do projeto da reforma do Código Florestal brasileiro na Câmara dos Deputados. “Olho para os produtores rurais e não me preocupo com o que eles pensam, mas com o que eles fazem, o que oferecem para o Brasil”, afirmou. “Por isso sempre buscamos esse equilíbrio e fizemos mais de 200 audiências públicas em todo o país para debater o Código Florestal”, explicou. “Debater o Código é debater o Brasil.”

De acordo com Rebelo, “trabalhadores e produtores cabem unidos num Brasil com riqueza material e sustentabilidade”. “Vamos olhar para o horizonte, não para o casco do navio como faz um marujo na hora da tormenta”, sugeriu.

O vice-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, também foram convidados da reunião conjunta. “Estamos à disposição”, disse Covas. “Devemos seguir uma linha de conduta em nome da sustentabilidade”, destacou Jardim. “Um protagonismo que deve ter São Paulo”, explicou. “Esse encontro aqui hoje é uma reunião nacional, com representantes do Mato Grosso e de Minas Gerais.”

Liderança

Entre as iniciativas em prol da sustentabilidade debatidas, mereceu atenção o Programa RenovaBio, do governo federal. Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério das Minas e Energia, Márcio Félix Carvalho Bezerra, explicou que a ação foi criada para expandir a produção de biocombustíveis no Brasil, com a definição de diretrizes estratégicas nesse sentido. “Somos saudados como lideranças nesse campo”, afirmou.

Representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética do Ministério das Minas e Energia, Plinio Nastari também falou sobre o programa, traçando um panorama nacional e mundial em relação ao uso de energias renováveis.

“Hoje, as energias fósseis representam 78,3% do uso total no mundo, com 19,2% de participação das renováveis”, explicou.

Nesse cenário, segundo Nastari, o Brasil é terceiro maior consumidor mundial de combustíveis para transporte, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. “Ao mesmo tempo, tivemos um percentual de 26,8% de consumo de etanol e biodiesel em 2016, um recorde no mundo”, disse. “Somos o segundo maior produtor mundial de etanol, o primeiro lugar é dos Estados Unidos.”

Entre as vantagens nacionais conquistadas nesse ponto estão o bom sistema de distribuição das energias renováveis e o uso em especial de energia solar. “O etanol, por exemplo, é uma opção moderna e eficiente, apoiada pelas montadoras.”

É nesse contexto que, de acordo com Nastari, se insere o RenovaBio. “O programa visa dar credibilidade e favorecer a rentabilidade para estimular a produção das energias renováveis”, disse. “E isso buscando um tratamento de equidade entre todos os agentes envolvidos, sempre focando a sustentabilidade.”

Fiesp lança estudo que mostra impacto no PIB das metas de redução de emissões

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp lançou nesta terça-feira (21 de março) o estudo Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira. A apresentação, a cargo de Angelo Gurgel, professor da FGV, foi feita na sede da Fiesp durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade.

Na abertura do evento, João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp, disse que os fatos, a natureza e a sociedade obrigarão ao enfrentamento da questão climática. Ometto destacou o incentivo dado pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, ao tema ambiental. Em relação ao evento, disse que dele sairiam grandes contribuições.

Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), lembrou do stress hídrico, incluindo os problemas em São Paulo e cerca de 6 anos de seca muito forte no Nordeste. Manifestou preocupação com a situação das agências norte-americanas de proteção ambiental. Todos precisam fazer sua parte, afirmou.

Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, disse que a pauta do evento é muito importante, destacando a discussão sobre gerenciamento de recursos hídricos. Também os instrumentos econômicos atinentes à mudança climática têm grande relevância, disse. O Código Florestal, em sua opinião, vai obrigar ao seu uso. Jardim listou iniciativas do Governo estadual em relação ao agronegócio. O Brasil poderá ter papel de protagonismo na economia de baixo carbono, que virá, afirmou.

Impacto no PIB

Ao apresentar o estudo, Gurgel explicou que a ideia do levantamento é “pôr um pouco mais de ciência neste cenário em que o Brasil se encontra”. O modelo usado para o estudo, personalizado para o Brasil, considera por exemplo a forte presença do etanol e a base florestal do país. Essa modelagem, segundo o pesquisador, vai além do usualmente adotado, considerando a reação de outras economias do mundo.

Se forem adotadas as medidas com que o Brasil se comprometeu na COP de Paris, o modelo mostra que as metas para 2030 seriam atingidas, mas depois disso as emissões voltariam a crescer, caso não sejam tomadas medidas adicionais. Para que isso não aconteça, uma opção é a precificação.

O modelo considerou a precificação de carbono, via tributação e instrumentos de mercado (cap-and-trade). Pela taxação é possível atingir a redução pretendida, com um custo, disse Gurgel. Usando o comércio de créditos de carbono também.

Em 2030 o PIB seria 0,8% menor que se não se tomassem as medidas previstas na COP (cenário business as usual, BAU). Até 2030 a precificação via tributo não muda muito o panorama, mas o impacto negativo no PIB se acelera a partir daí, chegando a uma redução de 6,5% em 2050 em relação ao cenário sem esforço de redução das emissões.

Via cap-and-trade, o PIB seria 3% menor em 2050 que sem a adoção de medidas contra a mudança climática. E se o esforço fosse feito apenas forçando a troca por energia renovável, o PIB seria 19% menor.

Para cada setor da economia há um custo diferente da precificação nos dois casos, tributação e cap-and-trade, de 3 dólares a 60 dólares por tonelada de carbono até 2030, conforme o setor. A proposta levada pelo Brasil a Paris, pelo modelo, parece ter sido bem feito, disse Gurgel, mas a partir de 2030 serão necessárias novas ações. Ele destacou, entre as conclusões do levantamento, que com tributos, o custo de mitigação é elevado. Do ponto de vista de custo-efetividade, um mercado amplo de permissões de emissões (cap-and-trade) tende a ser melhor. A necessidade de haver esforços internacionais coordenados é outra conclusão do estudo da Fiesp. Clique aqui para ter acesso à íntegra do levantamento.

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Mesa de abertura do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Simulação com dados reais

Mariana Nicoletti, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, apresentou, também no evento sobre mudança do clima e segurança hídrica, o estudo Simulação de Sistema de Comércio de Emissões. O início do projeto, na FGV, se deu em 2013, como instrumento didático, explicou. A simulação usa dados reais, fornecidos por 30 empresas de diversos setores em 2016, totalizando 60 MtCO2e. A negociação é feita numa plataforma online, da BVRio.

Uma conclusão do estuado, segundo Nicoletti, é que a alocação inicial gratuita (parcial) de permissões baseada em indicador de intensidade carbônica é vista pelas empresas como medida para minimizar impactos da precificação e reconhecer seu esforço (early action).

Também se concluiu que tanto “cap” absoluto quanto relativo são semelhantes. O mais importante é haver comunicação, monitoramento de performance e o ajuste contínuo dos parâmetros. A sinalização de preços estáveis é importante para o planejamento das empresas.

Para 2017 é previsto grupo maior, e serão feitas análises setoriais. Também deve haver aproximação com o Governo, para debate e aprendizado, disse Nicoletti.

Clique aqui para ter acesso às apresentações feitas durante o seminário.

Curso de capacitação de inventário de Gases de Efeito Estufa tem segunda edição

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizou em 18 e 19 de maio a capacitação para elaboração de inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE).

O curso foi ministrado pela equipe do Centro de Sustentabilidade da FGV (GVces) e voltado a empresas. Trata-se de uma forma de as organizações colaborarem na minimização dos impactos globais das mudanças do clima.

O objetivo principal do curso se concentrou na elaboração de inventários corporativos e suas diretrizes de acordo com as especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol. As regulamentações existentes em São Paulo, sobre emissões, utilizam o GHG como metodologia.

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Ferramenta do GHG Protocol auxilia empresas na construção da política climática do país. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O inventário corporativo também é uma ferramenta de apoio para a tomada de decisão em uma economia de baixo carbono e oferece oportunidade de novos negócios para as empresas. Sua implementação traz melhorias internas como redução de emissões, economia de recursos, otimização de processos e aumento de eficiência.

Durante o treinamento, representantes do Programa Brasileiro apresentaram os princípios de contabilização e elaboração de inventários, além de seus limites organizacionais e operacionais. A parte prática se concentrou na apresentação da ferramenta de cálculo, além de exercícios, relato das emissões e como fazer o registro público.

A especialista da área de mudança do clima da Cetesb, Josilene Ferrer, esclareceu dúvidas sobre a Decisão de Diretoria n. 254/2012, que trata dos critérios de elaboração do inventário de emissões de GEE no Estado de São Paulo e dos 27 setores que obrigatoriamente devem reportar as suas emissões.

Ferrer frisou que a ferramenta GHG está em harmonia com o ISO 14.064, padrão internacional atrelado à Gestão de GEE, que se baseia nos seguintes princípios: relevância, integridade, consistência, transparência e exatidão. O objetivo é internalizar a cultura de monitoramento e auxiliar a construir uma política climática no país, segundo a participante.

Os inventários devem ser entregues à Cetesb em meados do segundo semestre deste ano, os obrigatórios e os espontâneos.

Foto: programa de capacitação para inventários corporativos em GEE

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) ofereceram ao longo desta quarta-feira (05/11) um programa de capacitação em inventários corporativos e Gases de Efeito Estufa (GEE) para diretores, gerentes, coordenadores e técnicos ligados ao setor industrial. A oficina também será realizada nesta na quinta-feira (06/11) na sede da Fiesp.

O objetivo é preparar empresas para a elaboração de um inventário de Gases de Efeito Estufa, o primeiro passo para se estabelecer um processo de gestão de emissões.

Na oficina foram apresentadas as diretrizes para elaboração e publicação de inventários corporativos de GEE, conforme especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol. O foco principal é a identificação e descrição da metodologia e terminologias normalmente utilizadas na elaboração do inventário.

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Primeiro dia da oficina de capacitação em inventários corporativos e Gases de Efeito Estufa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Apresentações do Seminário sobre Gestão de Gases do Efeito Estufa

Foi realizado na sede da Fiesp, no dia 05/12/13, Seminário sobre o tema Gestão de Gases do Efeito Estufa. Confira as apresentações do evento abaixo.

Gestão de Gases de Efeito Estufa – Mario Hirose

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Isabel (1)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Isabel (2)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Ricardo (1)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Ricardo (2)

Gestão dos Gases de Efeito Estufa – Alexandre

Empresas preparadas para gerir gases de efeito estufa terão vantagens competitivas, afirma diretor da Fiesp em seminário

Ariett Gouveia e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Foi realizado nesta quarta-feira (04/09), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o seminário “Gestão dos gases de efeito estufa: um novo mercado para pequenas e médias empresas”.  O encontro foi mediado por Mario Hirose, diretor da divisão de Mudanças Climáticas do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da instituição.


Hirose abriu o seminário realizado na Fiesp

Hirose abriu o seminário realizado na Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Durante seu discurso, Hirose ressaltou a importância do tema.  “A Fiesp  sabe que questões relacionadas à gestão dos gases de efeito estufa são de extrema importância para a competitividade de um novo mercado que está surgindo”, afirmou.

Segundo Hirose, já em 2014 muitas empresas vão exigir a contabilização dos efeitos dos gases estufa por parte de empresas fornecedoras. “Sendo assim, as empresas preparadas para essa demanda serão diferenciadas e terão vantagens competitivas”.

De acordo com o diretor do departamento, países como China e Estados Unidos começam, nesse momento, a dar mais atenção a esse tema, que “está muito próxima de toda a cadeia produtiva da indústria”.

Para ele, todas as cadeias produtivas precisam estar preparadas para o novo mercado que está nascendo. “A gestão do gás é uma das ações estratégicas das grandes empresas. Entretanto, sua implantação e difusão é ainda um desafio para as empresas de menor porte”, afirmou.

Hirose falou também sobre as ações realizadas DMA/Fiesp. “Preparar os empresários e empresas para uma atuação melhor na questão ambiental é um dos focos. A questão ambiental é uma questão de sobrevivência e competitividade para algumas empresas”.

Ao participar do seminário, Marco Antonio dos Reis, diretor titular adjunto do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp, explicou a atuação do departamento.

“Noventa e nove por cento  das indústrias, das 100 mil que existem no Estado de São Paulo, são pequenas e médias. Trabalhamos para representar esse setor tão importante da economia. Capacitamos empresas e sindicatos. Realizamos salas de crédito e, anualmente, fazemos o Congresso das Pequenas e Médias Indústrias, que acontece dia 10 de outubro”, disse.

Em seguida, Júlio Jemio, consultor do projeto da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de fomento e gestão dos gases de efeito estufa, explicou o funcionamento do projeto. “O projeto do ABNT/BID visa conscientizar as pequenas e micro empresas sobre a importância da gestão consciente dos gases de efeito estufa.”

Jemio: projeto do ABNT/BID visa conscientizar pequenas e micro empresas. Foto: Julia Moraes.

Jemio: projeto do ABNT/BID visa conscientizar pequenas e micro empresas. Foto: Julia Moraes.


Jemio detalhou objetivos da empreitada: “preparar a ABNT para ser o primeiro organismo para a validação e verificação de gases de efeito estufas na indústria brasileira, disseminar informações e conhecimentos do projeto e, por fim, desenvolver a implantação do Programa de Gestão dos Gases do Efeito Estufa em pequena e média empresa”.

No fechamento do encontro, Stefan Jacques David, consultor de sustentabilidade e meio ambiente da Abividro e gerente de negócios da MGM Innova, trouxe um pouco da sua experiência nas duas instituições para alertar os empresários sobre a necessidade de “fazer a lição de casa” com relação às emissões de carbono. “Muitos disseram que as mudanças climáticas eram balela, interesses de determinado país, mas isso é passado, ficou para trás. Não se discute mais isso, é irreversível. A questão, agora, é como se preparar para o cenário regulatório e para a competição internacional, em que o carbono já faz parte”, declarou.

“Se eu quiser me preparar para o futuro, eu preciso aprender a gerenciar as emissões de carbono. Não adianta só pensar em eficiência energética e melhoria de processos. Se não trabalhar na gestão do carbono, provavelmente, vai ter problemas”, concluiu.

Geopolítica energética está na pauta do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A relação de países quanto ao planejamento estratégico será um dos focos de discussões entre empresários e autoridades no 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), evento que será realizado nos dias 6 e 7 de agosto, no Hotel Unique, na capital paulista. Com seis temas centrais, o encontro propõe o tema “Geopolítica Energética”, com debates sobre a energia no contexto da economia sustentável, visão estratégica e diálogo entre os mercados.

“No capítulo geopolítica energética nós não falamos exclusivamente de planejamento energético no Brasil, mas retomamos no encontro todas as discussões sobre energia e emissões de gases efeito estufa e seus efeitos na mudança do clima”, destaca Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

Cavalcanti antecipa que no centro das discussões do evento estará o papel da hidroeletricidade como fonte de energia mais competitiva e de menor emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) no mundo.

Segundo levantamento da Agência Internacional de Energia (AIE), dois terços (66%) das emissões mundiais de GEE derivam da produção de energia. O estudo aponta ainda que o Brasil – que figura na lista das maiores economias do mundo – tem a matriz energética mais limpa, com 47% de utilização de fontes renováveis e de baixa emissão de GEE.

No Brasil, a hidroeletricidade predomina com 84%. E a Fiesp defende que os recursos hídricos disponíveis não só no país, mas no mundo, devem ser aproveitados por meio da construção de usinas hidrelétricas, já que o nível de emissão de GEE é baixo, cerca de 6 kg de CO2e/MWh contra 878 kg de CO2e/MWh gerados pela produção de eletricidade a partir do carvão mineral.

Preço da tarifa

O preço da tarifa de energia está entre os problemas do setor de energia em pauta no encontro da Fiesp, segundo Carlos Cavalcanti. “Para dar um exemplo, o governo desonerou o imposto para não subir o preço da gasolina. É isso que eles têm de fazer com a energia elétrica”, disse o diretor do Deinfra/Fiesp sobre a decisão do governo, no mês passado, de zerar a alíquota da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para manter o preço do combustível que chega ao consumidor final.

Serviço
13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp
Data/horário: 6 e 7 de agosto de 2012, das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique
Endereço: Av. Brigadeiro Luis Antonio, 4.700, Jardim Paulista, capital
Veja a programação no site: http://www.fiesp.com.br/agenda/encontro-energia/

Brasil ganhará novo inventário de emissões de gases de efeito estufa

O último inventário brasileiro de emissões de gases de efeito estufa é de 1994. E nele, o mal uso da terra e das florestas (queimadas e desmatamentos) destaca-se como responsável por 55% das emissões.

O governo brasileiro prepara novo documento, que será apresentado até o final deste ano, segundo informações da senadora Ideli Salvati. Ela participou nesta terça-feira (6) do encerramento do 


10º Encontro Internacional de Energia


que a Fiesp e o Ciesp promoveram em São Paulo.

“O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, maior reserva florestal, maior quantidade de água potável e energias renováveis. O maior crime é o desmatamento, mas que está sendo reduzido”, apontou a senadora.

Ideli, que preside a Comissão Mista Permanente Sobre Mudanças Climáticas (que reúne deputados e senadores), defende a liderança do Brasil nas discussões sobre clima na próxima Conferência do Clima (a COP-15), a se realizar em dezembro deste ano na Dinamarca.

“Não será possível avançar em compromissos se não houver viabilidade econômica. As metas envolvem interesses econômicos, mudança no modelo produtivo e no padrão de consumo”, acrescentou.


Meio ambiente


O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, salientou que desde o início de seu mandato tem se preocupado em discutir questões ambientais com transparência. “Este é um tema de alta relevância”, explicou.

Segundo Skaf, os diferentes setores da sociedade serão responsáveis pelo posicionamento do Brasil durante a Conferência do Clima em Copenhague. “Precisamos ter cuidado para não comprometer o desenvolvimento do Brasil”, alertou. 


O presidente da Fiesp/Ciesp e a senadora Ideli Salvati  concederam entrevista à Agência Radioweb.



Ouça aqui



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Combate ao desmatamento



Na discussão, o senador Valdir Raupp (PMDB-BA), destacou que o Brasil é carente de programas específicos sobre questões climáticas: “Precisamos investir nestes projetos, tendo em vista a importância do tema”. 

Na avaliação do parlamentar, é preciso repensar o modelo de combate ao desmatamento da Floresta Amazônica. Para ele, a industrialização extingue a pressão que as pessoas geralmente sofrem nas áreas rurais, suscetíveis ao desmatamento. Um exemplo de modelo que deu certo foi a construção da Zona Fanca de Manaus, que tirou as pessoas do campo. Hoje, essa área não é mais ameaçada de desmatamento.



Atraso


O deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA) ressaltou que o País está atrasado em relação ao encaminhamento das propostas para o COP-15, em vista dos 63 dias restantes para o encontro em Copenhague.

“O primeiro relatório da Comissão Mista e Permanente de Mudanças Climáticas do Congresso tem de sair até o fim da próxima semana e o segundo, até meados de novembro”, disse.

A Comissão, composta por 12 deputados e 12 senadores, funciona desde abril deste ano e, de acordo com o deputado, conta com 18 Projetos de Lei. Seu principal objetivo: estabelecer um Plano de ação Nacional para as questões do clima e desenvolver o Fundo de Crédito de Carbono, que aumentaria as vantagens econômicas brasileiras.

“Devemos, sim, pensar os problemas ambientais em conjunto com as nações. Mas não podemos permitir que os países industrializados deixem os emergentes como os únicos responsáveis pelo salvamento do planeta”, salientou Martins. Para isso, completou, o legislativo precisa levar o quanto antes os dados que levantou à aprovação diplomática, para que tenham poder de negociação em Copenhague.

No entanto, ele lembrou que os problemas ambientais estão inseridos num contexto mais amplo e, se pensados isoladamente, não serão suficientes para solucionar os impasses do Brasil, principalmente os sociais.

“Se o País não tiver condições de subsidiar os trabalhadores da Amazônia, por exemplo, não há como pararmos com os desmatamentos que tanto agridem o meio ambiente. Até revertermos este quadro, para estas pessoas uma árvore no chão sempre valerá mais”, ressaltou.


Brasil em foco



De acordo com o senador Marco Maciel (DEM-PE), o Brasil é o quinto maior emissor anual de gases poluentes do mundo. Este cenário está sendo alimentado principalmente por conta do desmatamento das reservas florestais.

“Atualmente, 26% do foco de poluição dos grandes centros urbanos do País são derivados das práticas irresponsáveis de desmatamento”, lembrou o senador.

Em contrapartida, o Brasil possui vantagens competitivas na nova “economia verde”, que desponta no mundo, pois a base energética brasileira é limpa, de baixo custo e de grande potencial. “Para o País crescer economicamente, atendendo as demandas ambientais e garantindo qualidade de vida à população, só é necessário foco político, pois o resto já possuímos”, sublinhou Maciel.

O parlamentar também chamou atenção aos casos do semi-árido, do cerrado e da caatinga, que ainda não têm proteção dos órgãos legais no Brasil. “O Senado está discutindo a inclusão destas regiões dentro das ‘áreas protegidas’. A caatinga e o cerrado são biomas únicos no mundo que estão com cerca de 10% de sua formação original”, afirmou.

Na mesma linha, o deputado federal Jorge Khoury (DEM-BA) completou dizendo que o rio São Francisco pode perder mais de um quarto de sua vazão atual. Além disso, “as mudanças climáticas mundiais afetariam negativamente todas as fontes energéticas do Brasil. Só a hidrelétrica do São Francisco perderia cerca de 8% de sua produtividade”.

E concluiu advertindo: “Se medidas eficientes não forem tomadas, num futuro muito próximo os efeitos do aquecimento global serão mais drásticos que os impactos econômicos”.


O 11º Encontro Internacional de Energia já tem data: 9 e 10 de agosto de 2010

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