Em reunião com presidente da Petrobras, Skaf defende equilíbrio na avaliação do conteúdo nacional

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, apresentou nesta segunda-feira (26/9) na sede da Fiesp o Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. E na reunião se comprometeu a estudar duas questões levantadas pela Fiesp. A primeira é relativa ao mercado de asfalto, tema sobre o qual Parente recebeu um estudo do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), entregue por seu diretor titular, Carlos Eduardo Auricchio.

A segunda questão é o desinvestimento no setor de gás natural. Foi levantada por Carlos Cavalcanti, diretor titular do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra).

No encontro, Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, disse que é preciso buscar equilíbrio entre as visões sobre conteúdo nacional, lembrando que muitas empresas investiram e se prepararam para atender à Petrobras. Parente se disse a favor de uma política de conteúdo local, mas afirmou que havia muita coisa errada na que foi adotada. Metas irrealistas, reconheceu Parente, provocaram uma série de problemas. “Com nossa escala e nosso poder de compra, podemos alavancar a indústria nacional”, declarou, ajudando-a a se tornar competitiva. “Queremos ter política inteligente de conteúdo nacional.”

Reunião na Fiesp em que Pedro Parente apresentou o Plano Estratégico da Petrobras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O Plano

Antes de Parente fazer sua apresentação, Paulo Skaf listou a longa lista de cargos do executivo em importantes empresas privadas e estatais. Foi boa notícia sua nomeação, por sua seriedade e competência, afirmou Skaf. Sabíamos da importância da Petrobras para o país e das dificuldades da empresa, disse. Ninguém está mais preparado do que ele para resolver esses problemas. Cadeia de petróleo e gás tem grande alcance, destacou.

O presidente da Petrobras explicou que no plano, de 5 anos, há horizonte de 2 anos para concentração de esforços para uma virada na empresa, em segurança e alavancagem. Depois virá período de volta do crescimento. Terminados os 5 anos, a empresa produzirá 3,4 milhões de barris de petróleo e gás, mas o período inicial será de austeridade.

>> Ouça o presidente da Petrobras

A intenção da Petrobras é se tornar uma empresa integrada de energia, com foco em óleo e gás. Para Parente, a capacidade técnica da Petrobras é única, reconhecida especialmente na exploração em águas profundas.

Pela primeira vez, disse Parente, há métrica de segurança (36% de redução na taxa de acidentes registráveis, de 2,2 acidentados por milhão de homens-hora para 1,4) e financeira, de redução da alavancagem de 5,3 para 2,5 dívida líquida/EBDA até 2018. Resultados na segurança demandarão muito treinamento.

Cerca de 100 pessoas participaram da elaboração do plano, que prevê para o novo sistema de gestão metas compartilhadas e cruzadas, com seu acompanhamento sistemático e a correção de desvios. Principal ferramenta será o orçamento base zero. Aspecto muito importante é a meritocracia.

Pilares são preços competitivos, redução de investimentos mantendo a produção, eficiência de Opex (despesas operacionais) e parcerias em desinvestimentos. A transformação cultural é vista pela direção da Petrobras como essencial para o sucesso do plano. Metas para 2018 são desafiadoras, mas a simulação de cenários mostra que são factíveis. Nos gastos operacionais gerenciáveis a meta é redução de 18%.

O programa de parcerias e desinvestimentos, na estimativa do Plano, pode alavancar investimentos adicionais de mais de US$ 40 bilhões em 10 anos.

Produtividade do pré-sal é maior do que a esperada (em média 26.000 barris por dia). Há menor necessidade de Capex para a mesma produção. Aumento da participação do pré-sal na carteira de produção leva a uma diminuição dos custos operacionais.

Petrobras pretende reduzir seu risco principalmente no midstream e no refino. Para isso, mais do que parcerias, quer alianças estratégicas que tragam aprendizado. Vai sair de uma série de áreas, como produção de biocombustíveis, distribuição de GLP e produção de fertilizantes. Vai ainda reestruturar os negócios de energia, consolidando-os em busca de maximização de valor para a empresa.

Investimentos em refino e gás serão para manter capacidade, não para ampliá-la.

Em tecnologia há duas estratégias principais, com a de curto prazo voltada a reduzir custos, e a segunda visando à adequação à nova economia, de baixo carbono, com crescimento das energias renováveis no mix e exigência de redução da emissão de CO2.

Parente ressaltou a importância da gestão do processo de contratação, com ações em projetos e operação, conformidade, geração de valor e riscos. O fortalecimento dos controles internos e da governança, disse, dá mais transparência e eficácia do sistema de prevenção e combate a desvios. Série de medidas já implementadas permitem a melhora da governança, afirmou.

Ressaltou que não há decisão que seja tomada fora de um colegiado. Separação de autorização de despesas e autorização de pagamento é outro ponto importante.

Parente encerrou a apresentação com a leitura dos direcionamentos estratégicos de longo prazo, para depois dos cinco anos do plano.

José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), avaliou como consistente e convincente o plano da Petrobras. Ressaltou o enorme peso dela no PIB brasileiro.

Skaf encerrou a reunião desejando sucesso a Parente, lembrando que o êxito dele na Petrobras terá grande reflexo sobre a economia. “Temos que olhar para a frente.”

 

Delegação russa de petróleo e gás visita Fiesp em busca de parcerias

Agência Indusnet Fiesp

O Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) recebeu nesta terça-feira (7) visita de delegação da Rússia da área de petróleo e gás, com 15 representantes, para colaboração e parceiras e negócios para o setor.

Durante o encontro, a CEO do programa “Collaboration over the ocean”, Evgeniya Shamis, apresentou o objetivo da missão e programa de metas. Já o Decomtec mostrou a agenda mínima e o desenvolvimento do setor de petróleo.

O workshop contou com debate sobre o que pode ser feito para o desenvolvimento de uma parceria industrial entre Rússia e Brasil no setor de petróleo e gás. Teve também discussão sobre o desenvolvimento das empresas do setor no estado de São Paulo e da indústria JSC Gazprom Neft.

Reunião na Fiesp com delegação da Rússia da área de petróleo e gás. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp/Ciesp realizam o Paulínia Petróleo & Gás nos dias 21 e 22 agosto

Agência Indusnet Fiesp

Nos dias 21 e 22 de agosto, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Campinas  e o Comitê da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás (Competro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com o apoio da Prefeitura Municipal de Paulínia e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, realizará o Paulínia Petróleo & Gás 2013.

Com uma expectativa de público em torno de 1,5 mil pessoas, o evento, que será realizado no Theatro Municipal de Paulínia, atenderá empresários, investidores, executivos e dirigentes do parque industrial da região de Campinas e do estado de São Paulo.

No primeiro dia haverá um congresso liderado por grandes nomes do setor e rodada de negócios. Já no segundo dia, além do congresso, os empresários terão à disposição a sala de crédito, uma oportunidade para negociar com agências e bancos sobre linhas de financiamento a custos competitivos.

Para os industriais interessados em ingressar na cadeia de fornecedores, haverá atendimento, no local, para esclarecimento de dúvidas, e possíveis orientações sobre o respectivo cadastro.

Ainda para auxiliar a inserção das MPEs no setor, o Ciesp colocará à disposição dos empresários uma mesa de atendimento do Programa Nagi P&G – Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de P&G, único projeto do gênero em desenvolvimento no país, com o apoio financeiro da Agência Brasileira da Inovação (Finep). A inscrição para o atendimento do NAGI P&G poderá ser realizada no local.

A edição 2013 do Paulínia Petróleo & Gás tem como principal objetivo fomentar a cadeia de petróleo, gás e naval do Brasil, principalmente na Região Metropolitana de Campinas.

Serviço

Paulínia Petróleo & Gás 2013

Datas: 21 e 22 de agosto

Local: Rua Padre Camargo Lacerda, 37 – Bonfim, Campinas – São Paulo

Fone: (019) 3743-2200.  Fax: (019) 3243-5769

Site: www.ciespcampinas.org.br

Reserva de gás em São Francisco pode mudar o mercado de gás do Brasil, diz superintendente da Cemig

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Reservas de gás natural em terra, como a bacia de São Francisco, em Minas Gerais, têm potencial para mudar o mercado energético brasileiro, afirmou o superintendente de Gás da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Roberto Ferreira Borges.

Ele vai participar do 14º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em um painel sobre reservas não convencionais de gás.

“O tempo do não convencional caiu em nosso colo, no centro do Brasil, em uma bacia entre Brasília e Belo Horizonte. Então, é muito oportuno começar a pensar em não convencional”, afirmou Borges. “É uma bacia que tem potencial para mudar o mercado brasileiro de gás”.

O gás natural convencional e o não convencional são iguais – a diferença está no tipo de reservatório. A reserva convencional possui uma pressão natural; a não convencional precisa ser estimulada, em um tipo de extração mais complexa e mais cara, que provoca fraturas no reservatório.

“É uma produção mais cara, mas não absurdamente porque ela tem certa ordem de escala industrial”, disse Borges. “Se você fratura mais, você produz mais. É mais caro fraturar, mas você tem mais produção”, explicou.

Para o superintendente de gás da Cemig, melhor que falar em gás convencional ou não convencional é explorar a oportunidade de gás em terra, um modelo de produção que depende menos de investimentos em infraestrutura, por exemplo, e por estar localizado fora da Bacia de Campos, interioriza o consumo de gás no país.

As melhores perspectivas para exploração e produção de gás estão nas bacias de São Francisco (MG), Parnaíba (MA-PI) e Parecis (AM), apontam estudos.  Em abril deste ano, a Petra Energia fez duas descobertas de gás em terra em São Francisco.

“Fazendo pesquisa em terra você vai depender menos de gasodutos grandes. Se você descobre mais uma imensa bacia de gás em Campos, por exemplo, você não muda o mercado, é mais do mesmo, mas reservas como São Francisco têm uma chance de interiorizar o gás”, afirmou Borges.

Mudança de preço

Embora ainda não haja comprovação da capacidade de produção das reservas de gás no Brasil, a redução do preço para a indústria, principal consumidor, ainda não pode ser quantificada.

“A indústria se beneficia de maneira geral se houver uma oferta de gás mais consistente. Setores de cerâmica são mais sensíveis a preços, mas não significa que eles vão ter uma condição melhor de preço. Ainda falta conhecimento para isso”, alertou Borges. “Mudar o mercado também é questão de preço. Essas bacias têm uma possibilidade muito maior de fazer isso pela sua localização”, ponderou.

 

Valor Econômico: Fiesp aponta benefícios de destinar recursos dos royalties do petróleo em educação

Agência Indusnet Fiesp

O que aconteceria se, no período de 2013 a 2030, os royalties do petróleo brasileiro fossem destinados à educação? A resposta a essa pergunta foi dada pelo estudo sobre crescimento de renda via royalties do petróleo, elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e detalhado em reportagem publicada nesta terça-feira  (06/11) pelo jornal Valor Econômico.

Entre os possíveis benefícios citados no estudo é o aumento de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2030 – passando de R$ 8,01 trilhões (sem investimentos de royalties na educação) para R$9,83 trilhões. A reportagem cita ainda que o principal destino desses recursos, atualmente, é o custeio de gastos públicos.

Para o  vice-presidente da Fiesp e diretor-titular do Decomtec José Ricardo Roriz,  o Brasil não pode perder essa oportunidade. “Desenvolvimento social requer população mais educada com ensino de qualidade, e que atinja maior número de pessoas possível, além de professores bem remunerados”, diz ele na matéria.

Na reportagem, Roriz – que também é coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás da Fiesp – explica  que esse lado social alavanca o desenvolvimento econômico:  “Mais educação significa maior produtividade, produção com maior valor agregado e serviços de melhor qualidade”.

Comentando sobre o mesmo tema, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o Brasil precisa universalizar o atendimento de creches e construir um sistema de educação em tempo integral que proporcione educação de qualidade a todos os brasileiros.

“Sempre digo que a educação é a forma de se dar oportunidades iguais às pessoas. O que este estudo da Fiesp mostra é que além das oportunidades, o direcionamento dos royalties exclusivamente à educação trará maior crescimento econômico. Ninguém pode ser contra a construção de um Brasil que cresça mais e que dê oportunidades iguais aos brasileiros”, afirmou Skaf.

Leia abaixo a íntegra da matéria do Valor Econômico,  ou clique aqui [restrita a assinantes do jornal].

 

Indústria brasileira terá oportunidades com 18 plataformas da Petrobras em operação a partir de 2016

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Gerente de fornecedor de bens e serviços da Petrobras, Victor de Saboya. Foto: Helcio Nagamine

Gerente de fornecedor de bens e serviços da Petrobras, Victor de Saboya. Foto: Helcio Nagamine

Oportunidades de negócios devem surgir com o plano de construção, entre os anos de 2016 e 2020, mais 18 unidades das plataformas flutuantes com conteúdo nacional elevado, de acordo com Victor de Saboya, gerente de fornecedor de bens e serviços da Petrobras – palestrante no evento de lançamento do Programa NAGI PG (Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeira de Petróleo e Gás) realizado na manhã desta quarta-feira (25/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

“Um estaleiro do Rio Grande [do Sul] já está construindo os cascos para outras unidades que vão ser utilizadas a partir de 2016”, afirmou Saboya. “Essas 18 unidades vão ser próprias. Então é aí que entra a grande oportunidade da indústria nacional de vender equipamentos para as empresas que vão ser responsáveis pelas montagens”, completou o engenheiro, que já exerceu a gerência de planejamento e gestão da Unidade de Operação/Baixada Santista.

De acordo com Saboya, a implementação das plataformas geram imensas oportunidades para a geração de bens e serviços. “Cada planta de processo que fica dentro do próprio navio tem milhares de equipamentos, válvulas, linhas, conectores, manômetros, medidores de temperatura, bombas, permutadores.

É quase uma minirefinaria, que separa o óleo do gás”, explicou ao apresentar um desenho esquemático de um FSPO – sigla em inglês para a estrutura usada na perfuração em alto mar que abriga trabalhadores e máquinas de perfuração de poços.

As sete FSPO da Petrobras na Bacia de Santos foram “afretadas” (espécie de arrendamento tomado de terceiros) porque havia pressa da empresa em desenvolver os campos descobertos no pré-sal e, segundo Saboya, a indústria nacional não teria capacidade de entregar unidades no prazo estabelecido.

Gás da Bolívia

Saboya afirma que, apesar de a unidade Polo Mexilhão, em Santos, ter capacidade para produzir até 10 milhões de metros cúbicos de gás, o Brasil ainda vai continuar dependente do gás da Bolívia.

Segundo o gerente, o estado de São Paulo consome ao menos 20 milhões de metro cúbicos de gás por dia enquanto a Bolívia, maior fornecedor para o Brasil, oferece entre 25 e 30 milhões de metros cúbicos por dia.

O programa NAGI

O gerente da Petrobras foi primeiro palestrante do evento de lançamento do Programa NAGI PG (Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeira de Petróleo e Gás), fruto de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), Fiesp e Ciesp.

O objetivo da iniciativa é capacitar 400 pequenas e médias indústrias paulistas da cadeia de petróleo e gás para desenvolver projetos de inovação. O programa deve ser aplicado em quatro cidades do estado ainda este ano (São Paulo, Vale do Paraíba, Baixada Santista e Sertãozinho) e em seis regiões em 2013 (Osasco, Guarulhos, ABCD, Campinas, Sorocaba e Piracicaba).

A Financiadora de Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoiam financeiramente o programa com cerca de R$ 2 milhões.

Convidados nacionais e internacionais discutem preço de gás no Brasil

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

A discussão sobre os preços do gás no mercado brasileiro, os investimentos realizados nos campos do pré-sal, as novas descobertas on e off-shore, o escoamento da produção e formação de preços deram a tônica dos debates acerca dos temas mais relevantes deste mercado em ebulição no nosso país.

Convidados internacionais como Ashley Brown, da University of Harvard e Ray Siada, da empresa Guardian, juntaram-se a Edmar Fagundes, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Flávio Abreu, do Sistema Firjan, para mesclar a experiência doméstica e internacional dos temas durante o painel “E&P e Preço de Gás”, agenda desta terça-feira do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Expansão do gás natural depende de planejamento de oferta e demanda, diz diretora do MME

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento do gás natural no Brasil depende de estudo e planejamento de oferta e demanda, com condições concorrenciais que permitam a sua expansão – esse fator é mais importante do que pensar em ampliar a rede distribuidora, segundo a diretora do Departamento de Gás Natural do ministério de Minas e Energia (MME), Symone Christine Araújo, uma das participantes do painel “Planejamento Estratégico para a Indústria do Gás”, agenda da manhã desta terça-feira (07/08) no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Symone Christine Araujo, diretora do departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia

Para Symone Christine Araújo, levar o gás até o consumidor não significa apenas “ligar os pontos”. É necessário muito trabalho de conhecimento de oferta, da demanda, dos mecanismos do mercado e seu comportamento para se pensar em instalação de infraestrutura.

“A quantidade disponível de Gás Natural no pré-sal, por exemplo, ainda é uma incerteza, pois se grandes quantidades tiverem de ser reinjetadas para aumentar a produção de óleo, certamente isso será feito e vai alterar o volume a ser ofertado.”

A especialista no setor Ieda Gomes, da Energix Strategy, afirma que o gasoduto é decorrente de oferta e demanda. “No Brasil, a fatia de gás natural ainda é pequena, por volta de 9% da matriz energética, mas deve dobrar nos próximos oito anos. No mundo, essa participação ultrapassa os 23% da matriz.”

Ieda Gomes reclama da alta carga tributária incidente sobre o energético, por volta de 30%, e alerta para a falta de incentivo para o uso de energias menos poluentes. “Quem quer fomentar energia mais limpa não poderia cobrar tanto imposto.”

 

Brazil Automation ISA 2012 acontece de 6 a 8 de novembro em SP

Agência Indusnet Fiesp

Apresentar tendências tecnológicas e os mais expressivos lançamentos do mercado mundial no setor de automação. Este é o objetivo do Brazil Automation ISA 2012 – 16º Congresso Internacional e Exposição de Automação, Sistemas e Instrumentação, que acontece de 6 a 8 de novembro no Expo Center Norte, São Paulo.

Consagrado entre os profissionais da área como o mais amplo fórum de debates sobre o estado da arte da tecnologia e, ainda, como a maior vitrine de produtos e soluções das Américas, o evento é uma realização da Associação Sul-Americana de Automação – ISA Distrito 4, coligada à ISA – International Society of Automation, principal organização mundial do setor de automação, que reúne cerca de 30 mil membros em mais de 50 países.

Há 16 anos funciona como ambiente para negócios entre empresas e profissionais interessados em estreitar relações e firmar parceiras comerciais em diferentes segmentos industriais, com ênfase para os setores de óleo e gás, químico e petroquímico, papel e celulose, mineração, metalurgia e siderurgia, alimentos, bebidas e embalagens, açúcar e etanol, saneamento, farmacêutico, manufatura, predial, dentre outros.

Nesta edição, além das novidades para o setor de automação, o Brazil Automation ISA 2012 irá proporcionar capacitação técnica e uma ampla integração entre usuários, fabricantes, distribuidores, pesquisadores, estudantes, prestadores de serviços e demais profissionais.

A expectativa dos organizadores é a de que o evento conte com a participação de 150 conferencistas no Congresso, 130 expositores e receba 16 mil visitantes. Mais informações no site: http://www.brazilautomation.com.br

Serviço
Brazil Automation ISA 2012 – 16º Congresso Internacional e Exposição de Automação, Sistemas e Instrumentação
Data: 6 a 8 de novembro de 2012
Local: Expo Center Norte – Pavilhões Branco 7 e 8, São Paulo, SP
Contatos: tel. (11) 5053-7400, e-mail: isa2012@isadistrito4.org.br

Porto de Santos vai além da vocação comercial e ganhará novo impulso com Pré-Sal

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

São Paulo está atrasado quanto ao tema petróleo e gás. E a atividade naval e marítima encontra-se de costas para o Porto de Santos. A crítica foi feita por Luís Antonio Awazu, diretor-presidente da SP Portos, nesta terça-feira (24/04), ao participar dos debates sobre o Complexo Bagres, primeiro projeto a integrar soluções do Porto e do pré-sal no Estado de São Paulo. Awazu cobrou uma plataforma logística eficaz não dependente das rodovias.

Luís Antonio Awazu, diretor-presidente da SP Portos: há deficiencias estruturais e de serviços no porto

Na avaliação do especialista, há deficiências estruturais e de serviços no Porto que é o maior do hemisfério Sul, por onde escoa boa parte da economia brasileira, recebendo 6 mil navios/ano. Uma das deficiências apontadas por Awazu, em encontro com o Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, é que se um navio precisar de reparo, será levado para o Rio de Janeiro, o Uruguai ou outro país qualquer. Isto aumenta custos e perda de competitividade.

Apesar de o Brasil ser a 6ª economia mundial, no comércio exterior, o país contribui com apenas 1,2%, e será player importante na produção de petróleo e gás mundial, com previsão de 4,8 milhões a 5 milhões de barris/dia em 2019. “Mas é preciso acabar com o mito de que o Porto de Santos tem somente vocação comercial”, apontou o empresário, para quem o mesmo investimento aplicado no Complexo irá atender tanto navios comerciais quanto as necessidades do pré-sal.

Gargalos à frente

Ao ser questionado pelos membros do Cosema quanto à mão de obra necessária e aos impactos no tráfego de Santos – um município turístico –, o diretor da SP Portos reafirmou que a capacitação realmente é um dos gargalos a ser superado. De acordo com Awazu, há aproximadamente 100 mil pessoas, no Guarujá, vivendo em áreas subnormais. E a proposta é que se criem escolas técnicas no interior do próprio Complexo, que tem capacidade prevista para gerar 14,5 mil empregos diretos e indiretos e massa salarial da ordem de R$ 290 milhões.

No traçado do projeto, estão previstas a construção de perimetrais, para escoar o tráfego, e a modernização ferroviária da MRS Logística, que recebeu investimentos. “Todo açúcar descerá de trem”, exemplificou o diretor da SP Portos. E concluiu: “A proposta é também retirar das ruas os caminhões de fertilizantes. Estes problemas precisam ser resolvidos com gestão de processos”.

Para auxiliar a escoar o tráfego na Baixada, a MRS Logística fez investimentos que resultaram na modernização ferroviária. Estão previstas, ainda, a construção de perimetrais.

Conheça o projeto

O Complexo está instalado na Ilha de Bagres, ao lado da Ilha Barnabé e em frente ao Porto de Valongo. Com capacidade para receber navios até 60 mil toneladas, tem cais acostável potencial de 2.500 metros de extensão. Os investimentos feitos pela iniciativa privada chegam a R$ 2 bilhões.

Em sua infraestrutura de mais de 1,2 milhão de metros quadrados, comportará:

  • Estaleiro para reparo naval;
  • Cluster industrial;
  • Base offshore;
  • Terminais para armazenamento e movimentação de graneis líquidos e fluídos e também sólidos;
  • Área de utilidades;
  • Retroárea.

O projeto também contempla acesso à área continental. Aliás, de acordo com Awazu, este será o primeiro green port, por incorporar conceitos de sustentabilidade, como utilização de água de reúso e captação de água de chuva, além do uso de bicicletas e de ônibus elétricos para locomoção. O projeto também prevê a construção de um terminal retroportuário como apoio às operações na ilha. Está sendo licenciada uma área de 174 mil metros quadrados, em sua fase inicial, que integra um terreno com 1,5 milhão de metros quadrados, em sua totalidade.

Petróleo e gás levam governo paulista a planejar investimentos sustentáveis no litoral

Agência Indusnet Fiesp,

Adequar um novo cenário, que permita a manutenção e expansão da tradicional logística portuária e a inserção da atividade do petróleo, com mínimos impactos ambientais nas cidades do litoral paulista. Este foi o principal entendimento de especialistas convidados para a palestra “As áreas litorâneas e o desenvolvimento urbano”, realizada na segunda-feira (7), no âmbito da XII Semana Fiesp-Ciesp de Meio Ambiente.

Na visão dos palestrantes, a realidade petrolífera na Bacia de Santos ganha, a cada dia, novas dimensões em decorrência das oportunidades advindas do pré-sal e expõe a correlação do setor do petróleo com a infraestrutura logística na região. Nesse contexto, iniciativa privada, Poder Público e comunidades locais já se movimentam com vistas à nova realidade da região.

O Governo do Estado, por exemplo, trabalha com projetos de expansão de sul a norte da área litorânea. Os investimentos previstos contemplam desde a expansão e duplicação de rodovias (Tamoios, Mogi-Bertioga, Osvaldo Cruz, SP55), implantação do VLT (veículo leve sobre trilhos entre São Vicente e Santos), remodelação de aeroportos e do porto de Santos até a transformação do Porto de São Sebastião no primeiro porto ambientalmente planejado do Brasil.

Segundo José Roberto dos Santos, coordenador de Infraestrutura e Logística da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, os investimentos irão dinamizar a economia e promover o desenvolvimento ordenado dos municípios.

Estão, também, no programa do governo, a criação de polos e distritos industriais, geração de empregos e capacitação de mão de obra, maior oferta de energia, estímulos à prestação de serviço e armazenagem e fomento da vocação turística da região.

“Nossa proposta é aproveitar as oportunidades que a atividade do petróleo irá oferecer à região, de maneira a não impactar negativamente as áreas sociais e ambientais”, afirmou Santos.


Desafios e pés no chão
A expansão sustentável das atividades econômicas no litoral paulista deve ganhar um importante aliado em julho. Uma parceria entre governo do estado, prefeituras locais e o Ciesp Santos deve anunciar no próximo mês uma avaliação ambiental estratégica para a região. O estudo deverá avaliar a capacidade de suporte ambiental, social, econômico e de uso dos equipamentos públicos com os novos cenários da cadeia do petróleo.

“São Paulo sempre esteve à frente na linha de refinaria, mas nunca como ator principal da atividade extrativa de petróleo. Essa nova condição potencializa outras situações, como o desafio de administrar conflitos que certamente surgirão por conta da dinâmica petrolífera”, previu Sergio Paulo Aquino, presidente do Conselho da Autoridade Portuária (CAP).

Aquino citou seis potenciais tipos de conflitos, inerentes da nova atividade na Bacia de Santos e que precisam de reflexão.

  • Conflito portuário/petróleo e gás;
  • Questões trabalhistas;
  • Comunidades regionais;
  • Meio ambiente;
  • Clareza quanto a atuação da Petrobras.

O sexto conflito citado por Aquino é a “administração da ansiedade”, por parte dos agentes que compõem o novo momento do litoral paulista.

“É preciso cautela para que tudo não se transforme em frustração”, alertou, lembrando que a primeira rodada de concessões na Bacia de Santos começou em 1999 e que esse processo leva tempo para ser maturado. “Não será da noite para o dia que Santos irá se transformar na Miami brasileira”, reforçou.

Fiesp: Revisão tarifária do gás deve acontecer em seis meses


Nota Oficial



Diante da insuficiente redução feita nesta sexta-feira (29) pelo governo do estado de São Paulo na tarifa do gás natural consumido pela sociedade, a Fiesp defende que nos próximos seis meses haja nova revisão no preço do produto.

“São inaceitáveis os números anunciados pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), muito aquém do possível e esperado por todos os consumidores. A Fiesp lutou por uma tarifa justa para a população de São Paulo, e também competitiva para a indústria”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Skaf.

A tarifa do gás natural é composta pela carga tributária, a margem de comercialização e o preço do combustível pago pela distribuidora à Petrobras. Entre 1º de janeiro e 1º de abril deste ano, o preço do gás boliviano, importado pelo Brasil, baixou 34,6%. Na combinação entre o produto comprado no Exterior e no Brasil, a Comgás se beneficiou da redução de 23,5%.

“Esta redução sequer foi, como se poderia esperar, repassada ao consumidor na média dos novos preços”, reclamou Skaf.

Quanto à margem de distribuição – composta pelos custos operacionais, pelos investimentos, pela base de remuneração e pela projeção de consumo – a Fiesp lamenta que a Arsesp não tenha aproveitado a oportunidade para atender os interesses da população, reduzindo ainda mais o preço do produto. Afinal, o estado de São Paulo tem a mais alta tarifa de gás natural do Brasil.

Há sérias divergências sobre o critério para remunerar o capital da concessionária, com base no fluxo de caixa descontado e não na valoração dos ativos, como prevê o contrato de concessão.

“O estado de São Paulo tem a obrigação de atuar com transparência, esclarecendo esta dúvida através de um debate amplo, baseado em estudos técnicos”, comentou Skaf, para quem a tarifa deve ser revista, no mínimo, em seis meses.