‘É preciso ter paciência e saber o que se quer’, diz vice-presidente da Yoki em palestra na Fiesp

Guilherme Abati e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Deu vontade de comer pipoca. Gabriel Cherubini, vice-presidente da fabricante de alimentos Yoki, foi o convidado do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) desta terça-feira (30/07).

O executivo falou sobre a sua trajetória de sucesso como dirigente da empresa, que hoje produz de pipoca e farinha de mandioca até salgadinhos e bebidas à base de soja.  “É uma emoção conversar com jovens empresários e passar um pouco da minha experiência”, disse.

O empresário de 65 anos, nascido em Nova Prata, interior do Rio Grande do Sul, relembrou toda sua trajetória durante o encontro. “Meu pai tinha uma madeireira na minha cidade. Comprávamos pinheiros e vendíamos tábua bruta”, lembrou Cherubini. “Eu, que sou o mais velho de nove filhos, cedo descobri que queria estudar economia”, disse.

Gabriel Cherubini: lição de determinação e busca por valor agregado para os jovens empreendedores. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp Cherubini: lição de determinação e busca por valor agregado para os jovens. Foto: Mauren Ercolani/Fiesp

Disposto a fazer a sua gradução na Fundação Getúlio Vargas (FGV) , na capital paulista, perdeu três vestibulares até garantir a sua vaga no curso de economia da instituição. “Depois disso, fiz a faculdade maravilhosamente bem, com todo o capricho e vontade”, contou.

Formado, começou a trabalhar na Gessy Lever (atual Unilever), onde permaneceu por 12 anos. “Foi lá que aprendi a lançar produtos e motivar uma equipe de vendas”, lembra.

Cherubini contou que saiu da empresa em 1986 e, nessa época, casou com uma japonesa. Depois de trabalhar como diretor comercial da Lego, de brinquedos, foi convidado a assumir uma vaga na direção da empresa da família da mulher, a Kitano.  “O grande desafio foi sair de uma empresa multinacional e trabalhar em uma empresa familiar”, lembrou. “Foi então que apareceu a minha veia de empreendedor”.

Bons presságios

A Kitano foi vendida em dezembro de 1989, permanecendo com a família três fábricas, 1,5 mil empregados e algumas produtos, como fubá, farinha e pipoca. Era a hora de criar uma nova marca para a empresa. “Não tínhamos dinheiro para propaganda e achávamos que tinha que ser um nome japonês”, contou. “Já naquela época o Japão já remetia a produtos de qualidade superior”.

Assim, um dia, durante um almoço com a mulher na qual o menu era feijoada, veio a ideia de unir as iniciais do nome do sogro e fundador da Kitano, Yoshizo Kitano. Estava criada a marca: Yoki. “Fomos conferir se a palavra tinha algum significado no dicionário de japonês e o resultado não poderia ser melhor”, contou Cherubini. “Yoki em japonês significa bons presságios, felicidade”.

O novo nome começou a ser adotado em junho de 1990. De lá para cá, a empresa cresceu e prosperou principalmente a partir da pesquisa de mercado e da busca por inovação, valor agregado. “É preciso ter paciência e saber o que se quer”, disse o executivo. “Enxergar uma oportunidade e colocar as suas energias para fazer acontecer”.

Nesse sentido, a Yoki obteve bons resultados de vendas com produtos que oferecem praticidade aos consumidores, como a pipoca com sabores, as farofas prontas e as misturas para pão de queijo, entre outros. “Começamos a viajar e a visitar feiras no exterior, sempre em busca de coisas novas”, afirmou Cherubini. “Na Yoki, estamos todos envolvidos com a inovação, dos promotores de venda ao presidente”.

Dentro desse processo de crescimento, a empresa acabou comprando a Kitano de volta em 1997. “Começamos um novo trabalho de reposicionamento de marca”, explicou Cherubini. “Hoje, a Kitano é sinônimo de tudo o que possa conferir ou realçar o sabor dos alimentos, como molhos, caldos e temperos”.

Empolgado com a apresentação de seu convidado, o diretor-titular do CJE na Fiesp, Sylvio Gomide, disse que a trajetória do vice-presidente da Yoki é inspiradora. “Histórias de determinação e paciência como a do Cherubini servem de exemplo para os jovens empreendedores”, afirmou.

Vice-presidente da Yoki participa da reunião ordinária do CJE da Fiesp nesta terça-feira (30/07)

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza, nesta terça-feira (30/07), reunião ordinária com o vice-presidente da Yoki, Gabriel Cherubini. Durante o encontro, o executivo falará sobre a  sua trajetória de sucesso profissional.

Ganhador de diversos prêmios pela Associação Paulista de Supermercados (APAS), Cherubini também foi executivo da Unilever por 12 anos. Criou a marca Yoki, em 1989, usando as primeiras sílabas do nome de seu fundador, Yoshido Kitano. A empresa foi vendida em 2012 para a multinacional General Mills (EUA) por um valor estimado de R$ 2,1 bilhões.

“Acho muito importante trazermos convidados que possam mostrar oportunidades de empreendedorismo para nossa mesa de discussões. Certamente teremos um excelente encontro com Gabriel Cherubini”, enfatiza o diretor do CJE”, Sylvio Gomide.

Serviço
Reunião Ordinária do CJE com Gabriel Cherubini
Data: 30/07
Horário: 18h45
Local: Avenida Paulista, 1313 – 15º andar