Restrições orçamentárias podem limitar expansão da energia nuclear, aponta estudo da FGV

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A política energética brasileira pode valorizar mais a diversificação e o equilíbrio da oferta entre as diversas fontes energéticas que podem ser geradas no país. Inclusive com o maior uso de energia nuclear. A recomendação é da divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em estudo divulgado nesta quarta-feira (03/07), sobre o futuro da energia e a geração nuclear no Brasil.

“Isso se refere a um quadro que entendemos que pode ser ampliado e melhorado”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador da FGV Projetos, durante o seminário Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela fundação em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mielnik: mais opções de matrizes energéticas para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Mielnik: necessidade de desenvolver mais opções de matrizes energéticas para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Durante o encontro, a FGV divulgou um levantamento sobre o cenário atual e futuro da energia no Brasil, levando em conta a geração de energia nuclear.

Segundo o estudo, as reservas de urânio no país –matéria prima para geração de energia nuclear– em 2012 eram de 309 mil toneladas, com condição para manter dez usinas nucleares de 1.000 MW durante cem anos.  Mas as estimativas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta as condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

O documento da FGV afirma ainda que as restrições orçamentárias do governo podem frear a expansão do setor de energia nuclear, limitando número de usinas construídas que poderiam atender a essa demanda. Essa restrição, no entanto, pode ser superada com a participação do setor privado como investidor e concessionário na operação das plantas.

Alegando a necessidade de novos cálculos para aumentar a segurança da unidade, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, informou, em junho, que o início da operação da usina nuclear Angra 3 foi adiado de 2016 para 2018.