Mercado de Gás Natural na América do Sul é tema de painel do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O mercado de Gás Natural na América do Sul foi tema de painel do 14º Encontro de Energia na tarde desta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, na capital paulista. Para isso, representantes de empresas e governos da América Latina falaram sobre a relação de seus países com o recurso natural. O encontro prossegue até esta terça-feira (06/08).

Frank Look Kin, assessor especial do Ministério de Energia de Trindad e Tobago, abriu o debate falando sobre a história e crescimento da indústria de gás natural em seu país. A produção atual é de 81 753 barris de gás natural por dia. E supera a produção de óleo. “De 1908 a 2012 foram produzidos 3,5 bilhões de barris de óleo. E 3,8 bilhões barris de gás”, disse.

Kin: produção de gás natural super a de óleo em Trindad e Tobago. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kin: produção de gás natural já supera a de óleo em Trindad e Tobago. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para Kin, o futuro da exploração e comercialização do recurso está no campo de extração de gás em parceria com a Venezuela,  exploração de gás em águas profundas e no aumento da ligação entre energia e manufatura. “O gás é o combustível econômico sustentável do século 21. E temos um futuro promissor em Trindad e Tobago”, disse. “Cerca de 56% do mercado é alimentado por gás natural”.


No Chile

Antonio Bacigalupo, gerente geral da GNL Quintero, falou sobre a experiência com gás natural no Chile. “Nosso mercado é dez vezes maior que o de Trindad e Tobago e dez vezes menor que o brasileiro. Somos cada vez menos dependentes de combustível importado através de gasodutos”, disse.

Bacigalupo: menos dependência de combustível importado no Chile. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bacigalupo: menos dependência de combustível importado no Chile. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bacigalupo destacou o trabalho realizado no Terminal de extração de Quintero, na zona central do Chile. “No terminal, o principal que temos, a produção já atingiu 10 milhões de metros cúbicos por dia. Em breve alcançaremos 15 milhões. O objetivo final é 20 milhões”, informou.

Para Bacigalupo, o Chile precisa urgentemente de energia sustentável para apoiar seu crescimento econômico. “A sociedade pede projetos limpos e seguros, os clientes e governo também. O potencial do gás natural é enorme”, encerrou.

Mais integração

Ieda Correa Gomes, diretora de Energia Strategy, fechou o painel, abordando a questão da integração gaseífica na América Latina.  “Há muitos anos sonhamos com uma grande  integração de mercado entre os países da América Latina”.

Ieda analisou os processos de integração gaseífica da União Europeia, afirmando que este seria o modelo sustentável ideal para a região latino americana. “Na Europa há 24 terminais de GML em operação e sete em construção, com 200 mil quilômetros de gasodutos. Na América do Sul, são seis em operação, com quatro em construção ou licitação, sendo 40 mil quilômetros de gasodutos”, informou. “Não somos um mercado gaseífico por natureza”.

Ieda: necessidade de mais integração na América Latina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ieda: necessidade de mais integração na América Latina, a exemplo da Europa. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ieda apontou outra questão do mercado latino-americano: o domínio dos empreendimentos estatais como a Petrobras, a YPFB e a Ecopetrol. “Esse modelo cria limitação ou nenhum acesso ao mercado para os produtores independentes”.

Ieda pediu integração entre os mercados para uma melhoria e evolução do setor energético no continente. “Na Europa há uma integração de infraestrutura entre as nações e mercados, uma interligação de transporte, mobilidade, conexões de gasodutos e pontos de entrada de gás natural. Isso resulta em preços altos e não condizentes com as práticas ideias”, concluiu.

O painel foi presidido por Jaime da Seta Filho, diretor de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp.

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