Indústria brasileira terá oportunidades com 18 plataformas da Petrobras em operação a partir de 2016

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Gerente de fornecedor de bens e serviços da Petrobras, Victor de Saboya. Foto: Helcio Nagamine

Gerente de fornecedor de bens e serviços da Petrobras, Victor de Saboya. Foto: Helcio Nagamine

Oportunidades de negócios devem surgir com o plano de construção, entre os anos de 2016 e 2020, mais 18 unidades das plataformas flutuantes com conteúdo nacional elevado, de acordo com Victor de Saboya, gerente de fornecedor de bens e serviços da Petrobras – palestrante no evento de lançamento do Programa NAGI PG (Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeira de Petróleo e Gás) realizado na manhã desta quarta-feira (25/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

“Um estaleiro do Rio Grande [do Sul] já está construindo os cascos para outras unidades que vão ser utilizadas a partir de 2016”, afirmou Saboya. “Essas 18 unidades vão ser próprias. Então é aí que entra a grande oportunidade da indústria nacional de vender equipamentos para as empresas que vão ser responsáveis pelas montagens”, completou o engenheiro, que já exerceu a gerência de planejamento e gestão da Unidade de Operação/Baixada Santista.

De acordo com Saboya, a implementação das plataformas geram imensas oportunidades para a geração de bens e serviços. “Cada planta de processo que fica dentro do próprio navio tem milhares de equipamentos, válvulas, linhas, conectores, manômetros, medidores de temperatura, bombas, permutadores.

É quase uma minirefinaria, que separa o óleo do gás”, explicou ao apresentar um desenho esquemático de um FSPO – sigla em inglês para a estrutura usada na perfuração em alto mar que abriga trabalhadores e máquinas de perfuração de poços.

As sete FSPO da Petrobras na Bacia de Santos foram “afretadas” (espécie de arrendamento tomado de terceiros) porque havia pressa da empresa em desenvolver os campos descobertos no pré-sal e, segundo Saboya, a indústria nacional não teria capacidade de entregar unidades no prazo estabelecido.

Gás da Bolívia

Saboya afirma que, apesar de a unidade Polo Mexilhão, em Santos, ter capacidade para produzir até 10 milhões de metros cúbicos de gás, o Brasil ainda vai continuar dependente do gás da Bolívia.

Segundo o gerente, o estado de São Paulo consome ao menos 20 milhões de metro cúbicos de gás por dia enquanto a Bolívia, maior fornecedor para o Brasil, oferece entre 25 e 30 milhões de metros cúbicos por dia.

O programa NAGI

O gerente da Petrobras foi primeiro palestrante do evento de lançamento do Programa NAGI PG (Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeira de Petróleo e Gás), fruto de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), Fiesp e Ciesp.

O objetivo da iniciativa é capacitar 400 pequenas e médias indústrias paulistas da cadeia de petróleo e gás para desenvolver projetos de inovação. O programa deve ser aplicado em quatro cidades do estado ainda este ano (São Paulo, Vale do Paraíba, Baixada Santista e Sertãozinho) e em seis regiões em 2013 (Osasco, Guarulhos, ABCD, Campinas, Sorocaba e Piracicaba).

A Financiadora de Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoiam financeiramente o programa com cerca de R$ 2 milhões.