Economia ilegal do Brasil gera quarto maior PIB da América Latina

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A economia subterrânea, ou seja, a comercialização de produtos ilegais em território brasileiro, movimentou mais de R$ 782 bilhões no ano passado. A cifra supera o Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia – de R$ 651,8 bilhões – e fica abaixo apenas do PIB de Brasil, México e Argentina.

As informações foram apresentadas pelo presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Luiz Vismona, durante o seminário “Rastreabilidade de Produtos – A ilegalidade e seu impacto na competitividade da Indústria Brasileira”, organizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Edson Luiz Vismona, presidente do FNCP: “Temos que chamar a atenção da sociedade, mostrar que ela não pode criticar o que é ilegal, a corrupção e praticar a microcorrupção”. Foto: Tâmna Waqqued/Fiesp


Segundo Vismona, a Receita Federal estima que ao menos R$ 20 bilhões em contrabando são transportados do Paraguai até o Brasil a cada ano. Isso significa que o contrabando paraguaio é a 17ª maior indústria do país em vendas líquidas.

“Não existe prática isolada. Não existe a máfia do cigarro, do óculos ou do pneu. São organizações criminosas que atuam como o mercado exige”, afirmou Vismona.

Conscientização

Durante sua palestra na Fiesp, ele afirmou ainda que o foco do combate à pirataria e à ilegalidade de produtos deve estar na conscientização da sociedade, uma vez que o consumidor brasileiro minimiza o impacto de um produto pirata e visa apenas o lucro imediato ao pagar mais barato por uma mercadoria.

“Não estamos falando de marca. Estamos falando de problemas que afetam a saúde dos brasileiros, a segurança pública, o comércio e a nossa indústria. A sociedade brasileira aceita essas práticas. Quantas vezes a polícia atua no combate a essas práticas e a sociedade repele dizendo: ‘vão cuidar de crimes mais graves, deixa o camelô trabalhar para sustentar a família’.”

Ele ponderou, no entanto, que a ação de venda do camelô é apenas a ponta de todo um sistema que, por sua vez, destrói a indústria. “O que está por trás desse camelô? Não há indústria. Ela foi embora e ficou o comércio ilegal.”

De dezembro de 2010 a dezembro de 2012 foram conduzidas 72 operações em São Paulo contra a pirataria. No período foram apreendidos mais de R$ 2 bilhões em mais de 78 milhões de produtos.

Vismona reiterou que a disseminação de produtos piratas se concentra em grandes cidades como São Paulo. “O que estamos vivendo não é no sertão do Pará; é aqui na 25 de março, na Avenida Paulista.”

Trabalho escravo

Além do prejuízo ao consumidor com mercadorias que não funcionam como o esperado, no caso dos eletrônicos, e que podem fazer mal à saúde, como os cigarros e tênis falsificados, Vismona citou outro dano provocado pela pirataria e ilegalidade: o trabalho escravo.

“Há vários porões no Bom Retiro com famílias bolivianas e haitianas trabalhando sob regime de tranca. No térreo, uma lojinha bem organizada, no porão famílias trancadas fazendo roupas em condições insalubres”, afirmou o presidente do FNCP.

Ao enfatizar mais de uma vez a necessidade de conscientização do consumidor brasileiro contra o produto pirata, Vismona questionou a dubiedade da sociedade que ora critica a corrupção na política do país, ora minimiza as pequenas infrações que comete.

“Temos que chamar a atenção da sociedade, mostrar que ela não pode criticar o que é ilegal, a corrupção e praticar a microcorrupção”, defendeu.

O seminário “Rastreabilidade de produtos – A ilegalidade e seu impacto na competitividade da indústria brasileira” é organizado pelo Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp.