Consumo de drogas sociais contribuiu para o aumento dos casos de doping, diz Paulo Zogaib

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Substâncias ilícitas e a qualidade dos suplementos foram alguns dos temas do painel Doping: Situação Atual, durante o 1º Fórum Internacional de Nutrição Esportiva do Sesi-SP, realizado nesta terça-feira (30) no Teatro do Sesi São Paulo.

Paulo Zogaib, médico especialista em Medicina Esportiva e Fisiologia do Exercício, alertou sobre o aumento de casos de atletas pegos no exame de doping por uso de substâncias ilícitas, como maconha, cocaína, anfetamina e ecstasy, conhecidas como drogas sociais. “A droga é a pior praga na nossa sociedade. Muitas vezes o indivíduo não a usa com o intuito de melhorar seu desempenho físico, usa porque é um viciado ocasional”, afirmou.

O especialista mostrou preocupação também com o uso de suplementos alimentares. Zogaib apresentou uma pesquisa realizada na Alemanha com 634 suplementos. Os resultados são alarmantes: 15/% dos produtos continham substâncias não listadas no rótulo, que resultariam no teste antidopagem positivo; além disso, 25% dos suplementos têm potencialidade de contaminação no laboratório.

“A responsabilidade legal do uso do medicamento é do atleta. Mas nós, que trabalhamos com eles temos a responsabilidade moral de orientá-los da forma mais adequada”, analisou o palestrante.

Mário Arruda Campos, diretor da Comissão Antidoping da Comissão de Educação da Federação Internacional de Fisiculturismo e Fitness (IFB), concorda. Ele mencionou o uso de suplementos alimentares e outros medicamentos comprados pela internet por atletas, com custo abaixo do mercado: “O ideal é que a gente preste atenção na procedência do medicamento que a farmácia está produzindo. O barato sai caro e as consequências podem ser muito graves”, alertou.

Campos explicou todo o procedimento de controle antidoping. De acordo com ele, a falta de informação impede que muitos atletas conheçam os seus direitos e deveres durante todo o processo de coleta e resultado do exame de doping. “Vários atletas que participaram dos Jogos Pan-Americanos não sabiam que tinham o direito de escolher os potes para amostra da urina que será encaminhado ao laboratório”.

No final da palestra, o diretor da IFB parabenizou os profissionais do esporte pelo trabalho de conscientização de atletas sobre os malefícios do consumo de drogas e entorpecentes. “O esporte é a unida área da sociedade que está batendo de frente no combate contra as drogas. Eu não vejo o mesmo empenho dos outros setores sociais”, afirmou.