Fiesp reúne especialistas para discutir a nova geografia das cadeias globais de valor

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

A nova geografia das cadeias globais de valor e os impactos dessas mudanças nos países em desenvolvimento foram os temas de seminário realizado na manhã desta quarta-feira (03/10) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545051660

Welber Barral (ao microfone) em Seminário na Fiesp. Ao centro, respectivamente, Mario Marconini e Peter Draper

Peter Draper, pesquisador sênior do Programa de Diplomacia Econômica do Instituto Sul-Africano para Assuntos Internacionais, apresentou os dados do relatório The Shifting Geography of Global Value Chains: Implications for Developing Countries and Trade Policy (A Nova Geografia das Cadeias Globais de Valor: Impactos para os Países em Desenvolvimento e Politicas de Comércio Internacional), documento recentemente publicado pelo Fórum Econômico Mundial.

Draper é membro do Conselho da Agenda Global sobre o Sistema Global de Comércio e fez parte do grupo que elaborou o relatório, ao lado de outros especialistas presentes no Seminário, como  Mario Marconini, diretor de Negociações Internacionais do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Jean-Pierre Lehmann, professor de política econômica internacional do Institute for Management Development International da Suíça, e Karan Bhatia, vice-Presidente e Conselheiro Sênior de Políticas e Relações Internacionais, Governamentais e Política da General Eletric (GE).

Mário Marconini deu as boas vindas aos convidados e especialistas presentes e ressaltou a importância de promover esse tipo de debate e que a federação busca de modo permanente discutir os principais temas que afetam a competitividade do País.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545051660

Mario Marconini: discussão importante. Foto: Everton Amaro.

O ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e atual presidente do BIC (Brazil Industries Coalition), Welber Barral, comentou que o Brasil, assim como a África do Sul, enfrenta os altos custos logísticos, principalmente por conta de suas grandes extensões territoriais e por estarem distantes dos grandes centros econômicos.

Barral também apontou como desafios para exportação e importação brasileiras, os erros de planejamento em infraestrutura das últimas décadas – apesar dos recentes investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (PAC) – e também a questão de capital humano e o complexo sistema de taxas brasileiro.

Em sua apresentação, Jean Pierre Lehmann, abordou as perspectivas em relação à China nesse dinâmico cenário, trazendo dados de sua análise publicada no relatório do Fórum Econômico que fizeram parte do relatório The Shifting Geography of Global Value Chains: Implications for Developing Countries and Trade Policy, do Fórum Econômico Mundial.

Serviços e Cadeias Globais de Valor

O Seminário traz ainda a apresentação de Ailton Barberino, vice-presidente global da Stefanini IT Solutions, empresa  de mais alto índice de internacionalização do setor de serviços segundo o ranking da Revista Valor Econômico/Sobeet, além dos cases de sucesso da empresas General Eletric (GE) e da companhia Metalfrio Solutions.

Em suas reflexões finais, Mario Marconini relembrou os velhos e conhecidos entraves à competitividade: alto Custo Brasil, uma infraestrutura que encarece o custo logístico, a pesada carga tributária, entre outros. No entanto, para o diretor do Derex, é necessário que as indústrias brasileiras deem um salto de competitividade, do contrário correrão o risco de ficarem de fora nessa nova conjuntura do mercado internacional.