Leilões de dólares favorecem pequenas empresas, afirma presidente do BC

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Henrique Meirelles

O governo brasileiro decidiu aumentar o raio de alcance das medidas destinadas ao financiamento das exportações. A previsão é leiloar U$ 20 bilhões “sem direcionamento” para irrigar a base do sistema financeiro nacional, por meio de bancos menores, conforme revelou nesta segunda-feira (13) o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

“Aumentamos a abrangência dos recursos direcionados para o comércio exterior. Isso permitiu que fosse feita a captação de recursos no Brasil para emprestar a qualquer empresa com demanda por crédito”, declarou Meirelles, durante a abertura do Fórum do Impacto da Crise na Micro, Pequena e Média Indústria, realizado na sede da Fiesp e do Ciesp.

Já foi repassado US$ 1,3 bilhão para bancos de pequeno e médio portes, segmento responsável pela maior parte dos financiamentos concedidos às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

De acordo com Meirelles, as medidas visam ao restabelecimento do crédito. “Há um plano do governo e uma ação forte dos bancos públicos para garantir leilões de dólares a bancos pequenos e oferta [de crédito] crescente”, revelou.

Competitividade

O presidente do BC anunciou que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) passa por reformulações para facilitar a captação de recursos por bancos de menor porte. Entre as mudanças:

  • Ampliação da garantia para depósitos a prazo para até R$ 20 milhões, estando todos os depósitos do sistema (não somente ‘a prazo’) de até R$ 60 mil assegurados;
  • Aumento do prazo de devolução para até 60 meses pelos bancos;
  • Valor máximo de R$ 5 milhões por instituição financeira.Segundo Henrique Meirelles, as medidas estão permitindo a captação de recursos que são repassados às MPMEs. “A ideia é irrigar a base do sistema com os leilões de dólares sem direcionamento e fazer com que o crédito seja restabelecido no País muito antes do que no exterior”, garantiu.SelicMeirelles reconheceu que a autoridade monetária é moderada ao promover cortes na Selic. “Não há dúvida de que o Brasil tem uma taxa básica muito alta, mas que vem caindo nos últimos anos”, considerou. “Uma economia que cresce 9,3% [na demanda interna] não é uma economia que tem um Banco Central conservador.”

    De acordo com o presidente do BC, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem como perspectiva reduzir os juros no longo prazo para não desestabilizar a economia. “É importante garantir o crescimento sustentado, com juros reais e taxas nominais mais baixas no futuro, sem que isso possa desequilibrar a inflação”, sinalizou.