Diretor da Fiesp participa de fórum de sustentabilidade promovido pela Folha

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Nelson Pereira dos Reis: é urgente a criação de um código ambiental que supere os entraves burocráticos e que confira mais responsabilidades para as empresas e menos controle para órgãos licenciadores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Nelson Pereira dos Reis, foi um dos convidados do Fórum de Sustentabilidade, evento promovido pelo jornal Folha de S. Paulo no Museu da Imagem e Som (MIS), em São Paulo.

Em sua fala no fórum, na manhã desta terça-feira (03/06), o diretor abordou questões relacionadas aos chamados “excessos” da burocracia ambiental, fator que, em sua visão, engessa a implantação de novos projetos no Brasil. “Em muitos casos, um empreendimento pode demorar até cinco anos para obter uma licença ambiental”, afirmou.

De acordo com Pereira dos Reis, é necessária a construção de um novo arcabouço legislativo, que dê rapidez e precisão às normas ambientais, as quais, além de existirem em grande quantidade, são, em muitos casos, ineficazes. “Temos cerca de mil normas ambientais, muitas delas ultrapassadas, com objetivos opostos e em superposição”, argumentou.

Segundo o diretor da Fiesp, é urgente a criação de um código ambiental que supere os entraves burocráticos e que confira mais responsabilidades para as empresas e menos controle para órgãos licenciadores.

Pereira dos Reis disse que a descentralização das tomadas de decisão também é uma saída boa para a superação do entrave burocrático. Para ele, estados e municípios devem atuar sobre essas questões, com atenção às especificidades locais, para maiores ‘ganhos ambientais’ e com celeridade legislativa.

O painel teve a participação de André Ferretti, coordenador de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.  Na opinião de Ferretti, o país evolui em leis, mas os órgãos ambientais não acompanham essa evolução e não cumprem seus papéis. “Essa burocracia atrapalha o próprio setor”, disse.


Empresas investem mais no reúso e na gestão dos recursos hídricos

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

No mesmo mês em que começa vigorar a cobrança pelo uso da água, o município de Rio Claro, São Paulo, recebeu a 11ª edição do Fórum Sesi/Ciesp de Sustentabilidade, realizado na última terça-feira (19) no Auditório da Floresta Estadual Navarro de Andrade (antigo Horto Florestal).

Mais de 100 participantes, representando indústria, poder público e universidades locais, compareceram ao evento promovido pelo Ciesp e o Sesi, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

“Agora, mais do que nunca, nossas empresas têm mais motivo para racionalizar o uso da água e adotar medidas alternativas, como as que estão sendo mostradas aqui pela Owens Corning e Grafimec”, sintetizou José Tadeu Leme, diretor do Ciesp de Rio Claro. “É importante que todos lancem perguntas e tirem suas dúvidas junto aos especialistas aqui presentes”, incentivou Tadeu.

Inserida na Bacia do PCJ (Rios Piracicaba-Capivari e Jundiaí), a região de Rio Claro representa o maior polo de cerâmica de revestimento do País (Santa Gertrudes, Cordeirópolis e Rio Claro). A demanda por água, por isso mesmo, é uma questão preocupante para o município, que já conta com uma lei (Lei 3.937/09), do vereador Júlio Dias, que prevê reaproveitamento da água de chuva nos edifícios e instalações a partir de 500 metros quadrados.

Economia de água potável

“Essa medida foi adotada nas grandes cidades como prevenção a enchentes. Mas aqui a legislação tem caráter obrigatório. O objetivo é economizar água potável, usando água da chuva na rega de jardins, lavagem de piso e outros fins”, explicou o parlamentar, autor da lei.

O reaproveitamento das águas pluviais foi também tema de uma das empresas escaladas para a primeira mesa-redonda: a Grafimec, de Araras. “Numa viagem à Alemanha, observei a prática na empresa de um amigo. Embora não traga resultados econômicos expressivos, contribui para reduzir o consumo de água tratada da rede pública ou captada nos mananciais”, declarou o diretor Etienne Henrique Jensen.

Já a Owens Corning, fabricante de fibras de vidro, vem economizando água e também dinheiro com reúso da água na sua planta industrial em Rio Claro. Com a ampliação do tanque de tratamento para 500 metros quadrados, a empresa deixou de captar 28 mil metros cúbicos ao mês.

“A água reaproveitada é usada, entre outros fins, na irrigação de 70 mil metros quadrados de área verde”, explicou Danusio Diniz, gerente de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da companhia norte-americana, que já completou 40 anos no País. “Deixamos de lançar 5.760 metros cúbicos na rede pública, o que hoje seria um custo para a empresa, a partir da cobrança pelo uso da água”, acrescentou.

Instituto Consulado da Mulher

A segunda mesa-redonda do Fórum, com foco nas boas práticas de Responsabilidade Social Corporativa, foi aberta pelo diretor adjunto de RS no Ciesp, Luiz Fernando Araújo Bueno, com a exibição de um vídeo da Eco92, conferência realizada no Rio de Janeiro, em que uma garota canadense faz um apelo comovente ao mundo em defesa do planeta.

Atualmente com 30 anos, Severn Suzuki tornou-se ativista ambiental, como seus pais, e trabalha em projetos socioambientais no seu país.

“Esse discurso sensibiliza sempre, embora já tenha 18 anos”, comentou Bueno ao abrir o painel que teve participação da Fundação Cosan e do Instituto Consulado da Mulher, braço social da Whirlpool Latin America, e seus programas de geração de trabalho e renda entre mulheres.

A empresa recebeu o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social em 2009 e foi considerada, em pesquisa recente, a melhor empresa para se trabalhar.

“Os investimentos sociais da Whirlpool são da ordem de R$ 4 milhões ao ano”, assinalou Leda A. Börger, coordenadora geral do Instituto Consulado da Mulher, criado há oito anos em Rio Claro. Hoje, o Instituto mantém programas sociais também em Joinville (SC), Manaus (AM) e na capital paulista.

Dicionário Ambiental Básico

Ao final do encontro, o Ciesp Rio Claro presenteou participantes com a entrega do Dicionário Ambiental Básico, idealizado pelo promotor de Justiça José Fortunato Neto. Já em quinta edição, a cartilha lançada em 2008 tem sido distribuída nas escolas da rede pública e nas empresas, visando oferecer uma iniciação à linguagem ambiental.

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