Brasil pode ser líder em meio à crise, diz Benjamin Steinbruch

Mariane Corazza, Agência Indusnet Fiesp

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Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp, fala durante o 8º Fórum de Economia da FGV

O Brasil nunca esteve tão bem enquanto os países desenvolvidos estiveram tão mal. No entanto, corremos risco severo de redução da atividade econômica e do emprego.

As conclusões foram  apresentadas na manhã desta segunda-feira (26) pelo vice-presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, durante o 8º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

“A crise é mais séria e mais profunda do que parece, mas o Brasil está numa situação favorável”, afirmou Steinbruch. “Esse cenário nos dá força num momento em que todos estão atrapalhados, mas precisamos agir com sabedoria para exercer a nossa liderança e tirar proveito dessa boa fase.”

A necessidade de ajustes na taxa de câmbio, juros e inflação, respeitando o momento histórico do Brasil, foi consenso entre os debatedores do Fórum, como o presidente do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, Delfim Netto, o ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira e o secretário do Programa de Aceleração do Crescimento, Maurício Muniz Barretto de Carvalho.

De acordo com o vice-presidente da Fiesp, a redução da atividade econômica que já vem sendo sentida e o risco de agravamento do fenômeno conhecido como desindustrialização podem quebrar essa corrente de crescimento do Brasil. “É momento de priorizar empregos e desenvolvimento, por isso apoiamos a coragem do Banco Central em baixar os juros.” Para ele, o governo devia ter iniciado a redução de taxa de juros antes, e será muito prejudicial se esse ciclo de queda for interrompido.

A desindustrialização, segundo Steinbruch, não é fruto da falta de competitividade da indústria nacional e sim das distorções da atual conjuntura econômica brasileira, com juros e cargas fiscais elevadas, câmbio desvalorizado e salários irreais. “Da forma como está, não temos a menor possibilidade de competir com a Ásia; precisamos das reformas estruturais básicas”, afirmou.

Ao comentar a alta recente na cotação do dólar, o vice-presidente da Fiesp avaliou que o Banco Central tem que ser ágil para lidar a volatilidade do mercado e não permitir que o Brasil fique à mercê de ações especulativas.

Os debatedores também alertaram para a explosiva combinação de crescimento apenas do setor de serviço, queda da produtividade e elevação de salários. Para diversos especialistas presentes ao evento, os sinais da mudança na condução da política econômica pelo governo federal pode trazer uma nova combinação com tolerância para taxa de juros menores, maior competitividade externa e alta da inflação. Ainda que temida, a elevação da inflação foi vista como parte inglória no caminho por um desenvolvimentismo gradual e sustentando do Brasil.