“Brincadeira de câmbio” rouba US$ 410 bilhões da indústria brasileira, afirma Delfim Netto

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Nos últimos 20 anos, foi desviado da indústria brasileira o equivalente a mais de US$ 410 bilhões em demanda, com o setor de transformação brasileiro sendo substituído nos últimos anos por indústrias chinesas, afirmou nesta segunda-feira (14/9) o ex- ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto.

“Roubamos essa demanda da indústria nacional por conta dessa brincadeira de câmbio, não apenas por conta dela, mas basicamente por conta dela”, afirmou Delfim, ao participar de uma mesa sobre competitividade e custo do capital durante o 12º Fórum de Economia da FGV, apoiado pela Fiesp.

Delfim, que também é presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp, reforçou que o baixo dinamismo da indústria tem puxado para baixo o crescimento econômico do Brasil nos últimos anos.

“O Brasil não cresceu porque a política econômica roubou-lhe as condições isonômicas de competição. No chão da fábrica, a produtividade no Brasil é a igual à de seus concorrentes. O que não é igual são os custos. Nós roubamos da indústria nacional as condições de competição e por isso estamos pagando o preço que estamos pagando”, reiterou.

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Delfim Netto durante o 12º Fórum de Economia da FGV. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Câmbio e capital

Delfim Netto afirmou ainda que usar o câmbio para controlar a inflação “é a morte de todo ministro da Fazenda. Não tem ministro que não tente ser esperto e use o câmbio para controlar a inflação, mas não dá certo”.

Ele também defendeu o investimento e o aumento da quantidade de capital por hora/homem. “Não tem forma de crescer a não ser educando os homens para usar um capital cada vez mais sofisticado. O Brasil tem uma revolução em andamento: não tem uma empresa no país hoje que não tenha uma sala para ensinar o sujeito.”

O vice-presidente da Fiesp João Guilherme Sabino Ometto participou da abertura do Fórum da FGV, que termina nesta terça-feira (15/9). Segundo ele, o custo com capital de giro representa um acréscimo nos preços dos produtos industriais de 4,1% em comparação com os principais parceiros comerciais do país.

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João Guilherme Sabino Ometto na abertura do 12º Fórum de Economia da FGV. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp