Rio+20 foi importante passo para garantir amplo diálogo global, diz embaixador dos EUA

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Para o embaixador norte-americano Thomas A. Shannon, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) foi o início concreto de um amplo diálogo global sobre sustentabilidade.

O embaixador norte-americano Thomas A. Shannon, durante Fórum Brasil-EUA, na Fiesp

O embaixador norte-americano Thomas A. Shannon, durante Fórum Brasil-EUA, na Fiesp “Se você ler na mídia, a conferência fracassou. Isso me surpreende, a imprensa está enganada. A Rio+20 não falhou. Ela foi um importante passo para garantir um amplo diálogo global sobre a estrutura do desenvolvimento sustentável”, afirmou Shannon, nesta terça-feira (27/06), durante a abertura do Fórum Brasil-Estados-Unidos, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O evento reuniu empresários, autoridades e acadêmicos brasileiros e norte-americanos para repensar a relação comercial entre os dois países e estabelecer uma parceria estratégica.

Também estava presente o economista-chefe da área de Integração e Comércio Exterior do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Mauricio Mesquita Moreira, que insistiu sobre a diversificação de mercados como principal estímulo ao crescimento da indústria nacional.

“Se a gente quer evitar o futuro de produzir e exportar minério de ferro e soja, precisa ter acesso a mercados que demandem produtos distintos desses”, reiterou.

Relação estratégica Brasil-EUA deve se basear em transferência de tecnologia, diz Rubens Barbosa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Rubens Barbosa fala durante Fórum Brasil-Estados Unidos

Na atual fase das relações entre Brasil e Estados Unidos, o papel do empresariado ganhou uma dimensão maior do que no passado. A avaliação é do embaixador e presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), Rubens Barbosa, para quem uma relação estratégica com os norte-americanos só será possível se a transferência de inovação tecnológica for considerada uma prioridade.

“Aí está o relacionamento estratégico. É o interesse em transferência de absorção de tecnologia. Há muita coisa que a área privada pode fazer. O que devemos fazer é focar em missões comerciais para captar tecnologia”, afirmou Barbosa, ao participar da abertura do Fórum Brasil-Estados Unidos, nesta terça-feira (26/06), na sede da Fiesp, sugerindo a federação como líder das missões.

Presente ao evento, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas A. Shannon, concordou em perseguir uma agenda que priorize o tema inovação tecnológica na relação entre os dois países.

“Da mesma maneira que devemos reinventar a relação Brasil-EUA em áreas de comércio também temos de repensar em relação à área de tecnologia. A relação deve ser colaborativa, temos que pensar em acordos que vão facilitar a transferência de tecnologia”, disse o embaixador norte-americano.

Perspectiva da relação

O embaixador Rubens Barbosa acrescentou que, para reformular a relação entre o Brasil e os Estados Unidos, também é preciso considerar três aspectos. E, segundo ele, a primeira preocupação é como aliar os interesses dos setores privado aos interesses dos governos dos dois países.

“Nós temos de verificar como conectar esses interesses concretamente. Uma grande oportunidade de cooperação entre as indústrias dos dois países é o acordo espacial”, destacou Barbosa, explicando que, se as empresas americanas e brasileiras atentarem para as perspectivas, “sobretudo em relação à Alcântara”, será um acordo de médio prazo e importante. “Isso não é muito mencionado, mas em algum momento as empresas vão acordar para essa possibilidade”, afirmou.

O presidente do Coscex da Fiesp disse, ainda, que o Brasil precisa ser considerado pela administração norte-americana em posição diferenciada no contexto sul-americano, já que o país alcançou o patamar de sexta maior economia do mundo e figura entre decisões globais como as recentemente anunciadas intenções de criação pelo Brics (formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) de um fundo de reservas internacionais contra a crise, além das negociações lideradas por brasileiros na Rio+20.

“Hoje há um fator que é a China, e isso torna o Brasil diferenciado na região. Como os EUA vão enfocar o Brasil nessa nova atitude, como uma economia sólida, que cresce e ultrapassa as fronteiras?”, indagou Barbosa.

O embaixador reconheceu, no entanto, que o terceiro aspecto a ser pensado é a definição do que os brasileiros esperam da relação com os Estados Unidos.

“Eu acho que a gente não sabe o que quer. Identificar e definir o interesse nacional são o grande desafio para o Brasil. E, ao definir seus interesses, o país também precisa definir suas responsabilidades no mundo”, concluiu.