Unidade do Sesi-SP Belenzinho receberá 1ª turma do projeto ViraVida

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Projeto ViraVida, do Sesi, Jair Meneguelli. Foto: Helcio Nagamine

Jair Meneguelli: 'Queremos oferecer uma oportunidade a estas crianças'. Foto: Helcio Nagamine

A inserção de jovens e crianças carentes, vítimas de abuso sexual, no mercado de trabalho, por meio de cursos profissionalizantes e acompanhamento psicossocial é um compromisso de todos. A afirmação é do presidente do Conselho Nacional do Serviço da Indústria (Sesi), Jair Meneguelli, que participou, nesta terça-feira (04/12), do seminário de lançamento do projeto ViraVida, em São Paulo.

Criado em 2008, o programa já atendeu mais de 2.700 jovens de 16 Estados, abrangendo 19 cidades. O objetivo é dar oportunidade de formação profissional e emprego a adolescentes e jovens, com idade entre 16 e 21 anos, vitimas de exploração sexual. No total, 1.373 alunos concluíram os cursos e 927 estão em sala de aula. Dos formados, 966 estão inseridos no mercado de trabalho, enquanto o restante participa de processos de seleção e aperfeiçoamento profissional. A unidade do Sesi Belenzinho, será a primeira a abrigar  o ViraVida na capital paulista e a expectativa é que o projeto atenda, a partir do mês de janeiro, 100 jovens vítimas de abuso sexual.

“Essas crianças têm talento e inteligência; só não tiveram uma oportunidade”, salientou Meneguelli. “Dados estatísticos mostram que 80% destes jovens foram abusados sexualmente dentro das suas próprias famílias, depois ganham as ruas, violência, drogas e depois a morte precoce – sem ter tido uma oportunidade. É isso que nós queremos oferecer a estas crianças: uma oportunidade. E quando elas têm isso agarram com unhas e dentes”, afirmou.

Projeto ViraVida, do Sesi. Jair Meneguelli e Walter Vicioni. Foto: Helcio Nagamine

Walter Vicioni: 'VivaVida;tem o objetivo de resgatar pessoas'. Foto: Helcio Nagamine

Nesse sentido, o superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, enfatizou que a Fiesp e o Sesi-SP adotaram uma política de colocar as pessoas como centro de suas iniciativas. E citou como exemplo os investimentos da indústria paulista na área de educação e na formação profissionalizante.

“O VivaVida tem o objetivo de resgatar pessoas. Por isso, o Sesi-SP se alia ao Sesi Nacional para criar oportunidades por meio da formação profissional e educação básica, proporcionando dignidade e a inserção dos jovens que sofrem abuso no mercado de trabalho”, destacou Vicioni.

Violência sexual

A secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania do Governo do Estado de São Paulo, Eloísa Arruda, relatou algumas ações realizadas pelo Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que trata especificamente da exploração sexual de jovens, crianças e adultos. No seu entendimento, o projeto ViraVida contribuirá para a redução dos altos índices de prostituição registrado no país.

“O Brasil não pode mais ser reconhecido internacionalmente como destino de exploração sexual de meninas e travestis. Nós precisamos mudar esta imagem”, frisou a secretária.

Projeto Viravida, do Sesi. Alda Marco Antônio. Foto: Julia Moraes

Alda Marco Antônio: 'Este programa é absolutamente importante e dará frutos". Foto: Julia Moraes

Opinião compartilhada pela vice-prefeita e secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Alda Marco Antônio, que mostrou os resultados de alguns projetos realizados no Estado de São Paulo no combate a prostituição.

“Posso dizer, com convicção, que este programa é absolutamente importante e dará frutos. Os jovens de zonas muito pobres perdem o espaço do sonho, da esperança e não têm a certeza de que existe um lugar adequado na sociedade, por isso são ganhos pela marginalidade. Vamos produzir seres humanos diferentes, para ter uma sociedade justa e que poderá, um dia, dar oportunidade igual para todos”, afirmou.

Desenvolvimento socioeconômico

Projeto Viravida, do Sesi. Miguel Barbosa Fontes. Foto: Julia Moraes

Miguel Barbosa Fontes: 'Investir no ViraVida não é apenas um gasto social, mas investir na sustentabilidade socioeconômica do país, além de salvar vidas'. Foto: Julia Moraes

O diretor-presidente da John Snow Brasil Consultoria, Miguel Barbosa Fontes, lembrou que mais de 1 milhão de crianças e adolescentes sofrem exploração sexual em todo o mundo, o que faz com que este seja o terceiro crime mais lucrativo do planeta. Diante disso, argumentou que o projeto ViraVida deve ser considerado pelos empresários e representantes do governo como uma “ação de desenvolvimento socioeconômico”.

Conforme números apresentados por Fontes, para cada R$ 1 investido no projeto, houve um retorno econômico de R$ 1,26. Nos últimos quatro anos, o programa registrou 78% de eficácia em todas as metas estabelecidas. E seu custo médio por aluno é de R$ 1,5 mil, por mês – valor este superior aos gastos do governo do Estado de São Paulo com jovens retidos na Fundação Casa, que são, em média, de R$ 7 mil.

“O programa ViraVida não é um programa a fundo perdido, mas mexe com eixo da sustentabilidade econômica e social do país. E, para isso, nós precisamos do auxílio dos empresários, porque investir no ViraVida não é apenas um gasto social, mas investir na sustentabilidade socioeconômica do país, além de salvar vidas”, reforçou o executivo da John Snow Brasil.