Em encontro da Fiesp, especialistas discutem a formação de preço no mercado livre

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

O segundo dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, em São Paulo, contou com o debate “Formação de preço no mercado livre”, moderado pelo diretor da divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, Paulo Auriemo.

O gerente de risco e inteligência de mercado da Ecom, Carlos Caminada, falou sobre a visão geral das características do sistema elétrico brasileiro. Isso para então entender a formação dos preços no mercado livre. “O que mais chama a atenção no nosso mercado é a nossa matriz, 70% focada em fontes hídricas e, o restante, nas fontes térmicas”, afirmou alertando para o problema de sermos totalmente dependentes da chuva.

Caminada: evoluções são necessárias no campo da regulação. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Caminada: evoluções são necessárias no campo da regulação. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para ele, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) atual é o principal balizador para os contratos de curto e médio prazo. “O mercado reage instantemente às mudanças regulatórias, que por isso devem ser feitas com muita calma e depois de muita discussão”, destacou Caminada, ao enfatizar que ‘evoluções são necessárias’.

Ao finalizar, ele lembrou que “o mercado com maior transparência favorece a todos os agentes e tende a melhorar a locação de recursos da cadeia”.

Pela redução dos custos

O assessor da secretaria executiva do Ministério de Minas e Energia, Igor Alexandre Walter, falou do esforço do governo na redução estrutural dos custos, com a prorrogação das concessões de serviços públicos de transmissão e geração. E dos encargos setoriais, somados a políticas públicas. “Com isso, chegamos a uma redução significativa do preço da energia”, afirmou.

Segundo Walter, “a redução de encargos e tarifas beneficia igualmente os dois segmentos de mercado: livre e regulado”.

O professor da Unifei, José Wanderley Marangon Lima destacou: “do ponto de vista da comercialização, o sistema de garantias financeiras melhorou a questão da inadimplência”. Além disso, falou sobre o modelo atual do setor elétrico brasileiro e de seus processos regulatórios.

Walter: "a redução de encargos e tarifas beneficia igualmente os dois segmentos de mercado: livre e regulado". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Walter: "edução de encargos e tarifas beneficia o mercado livre e o regulado". Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

O vice-presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Paulo Cezar Tavares, apresentou diversas incertezas do setor. “O atual modelo de mercado livre está acabando com a competitividade da indústria brasileira”, afirmou ao alertar para o fato de que esse é um tema muito complexo: “ninguém tem as respostas sobre este assunto”.

Tavares explicou que “hoje, o mercado livre tem grande potencial de crescimento”, mas destacou, principalmente, as deficiências do âmbito regulatório. “É um campo de incertezas, pois ninguém entende algumas coisas que foram feitas e nem outras em discussão”.