Especialistas destacam aumento da oferta/demanda das fontes incentivadas no mercado livre de energia

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Especialistas discutem fontes incentivadas durante 13o Encontro Internacional de Energia da Fiesp

Nos últimos anos, o Brasil registrou o crescimento da oferta e demanda das fontes de energia incentivadas – eólica, biomassa, biogás e solar – no mercado livre de energia. Os investimentos para expansão deste setor e suas regras contratuais foram os temas discutidos no painel “Competitividade das ‘Fontes incentivadas’”, durante o 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, realizado nesta terça-feira (07/08),  no Hotel Unique, em São Paulo.

O evento, coordenado pelo diretor-titular-adjunto da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, Lucien Belmonte, contou com a participação do presidente do conselho gestor dos Mananciais (Comer), Cristopher Vlavianos; do Trader de Comercialização  Ecom Energia, Celso Concato Junior; do diretor-executivo do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado; e do assessor especial de Meio Ambiente da vice-presidência Corporativa de Distribuição Rede Energia, Decio Michellis Junior.

Confira o resumo das palestras:

Cristopher Vlavianos (Comerc): Na avaliação do presidente da Comerc, o desenvolvimento do mercado de fontes renováveis é frutos dos investimentos realizados pelo Programa de Incentivo as Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que estimulou o aumento da oferta e da demanda de fontes renováveis no mercado livre de energia elétrica. “O Brasil dispõem de recursos naturais, tecnologia e crescimento da demanda. Itens fundamentais para que o país cresça de uma forma sustentável. A tendência é que estes novos consumidores migrem para o mercado livre e contratem energia limpa”, pontuou.

Celso Concato (Ecom): De acordo com o Trader de Comercialização da Ecom, nos próximos anos o mercado livre de energia elétrica registrará um crescimento significativo da demanda dos consumidores especiais – potência em torno de 500 KW e 3.000 KW. “O foco do mercado está nos consumidores menores, que só podem comprar energia de uma fonte incentivada”, afirmou.

Decio Michellis (Rede Energia): O vice-presidente da Rede Energia defendeu a interligação das redes de energia para ampliar a eficiência e segurança energética brasileira. Segundo Michellis, o mercado brasileiro é muito oneroso e repleto de cargas tributárias que inibem novos investimentos e, consequentemente, levam ao enfraquecimento do setor produtivo: “Não basta ter uma energia a preço justo. O que nós precisamos é de mercado”. E acrescentou: “Os custos ambientais são resultado do déficit de investimentos públicos. Dos custos ambientais para construção de uma nova hidrelétrica, entre 15% a 20% destes ônus são resultado da falta de políticas públicas, que foram transformados em compensação ambiental”.
Durante sua explanação, Michellis defendeu o desenvolvimento de uma nova geração de reatores nucleares – intrinsecamente seguros – como alternativa para diversificar as fontes de energia: “A continuidade das políticas públicas e o financiamento dos programas e ações são um grande desafio para que o Brasil possa manter uma matriz energética limpa e competitiva”, ressaltou.

Marcelo Furtado (Greenpeace): O diretor-executivo do Greenpeace defendeu a realização de um amplo debate com representantes da sociedade civil para avaliar os tipos de tributos, encargos e impostos que devem ser dedutivos da conta de luz dos brasileiros. “É muito importante que a gente eduque a sociedade sobre quais são os desafios e o preço que nós teremos que pagar”, afirmou. No entendimento de Furtado, o governo precisa investir na criação de políticas de estado que assegurem o desenvolvimento das fontes de energias renováveis: “A instabilidade do mercado livre faz com que investidores e comprador fechem contrato de curto prazo. Temos que adotar uma política de longo prazo. Não podemos adotar políticas de governo, que se encerram de quatro em quatro anos, mas políticas de estado, onde a população tenha o entendimento do que precisa ser feito”.