Interligação de fontes fixas com intermitentes é fundamental para garantir segurança do sistema

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Os leilões devem atender ao mercado livre e regulado, com aproveitamento espetacular das energias alternativas e sua interligação com o sistema, permitindo competitividade e baixa inadimplência.

A avaliação é de José Carlos de Miranda, da Empresa de Pesquisa Energética, ao participar nesta terça-feira (07/08) do segundo e último dia do 13º Congresso Internacional de Energia da Fiesp , em São Paulo. Conforme informações de Miranda, há 253 parques eólicos contratados, de 2009 a 2011, com potência superior a 2.000 MW até 2012.

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Antonio Carlos Tovar da EPE

Já na opinião de Antonio Carlos Tovar, representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o apoio governamental deve incentivar as fontes renováveis. Espera-se incremento médio anual de 3.200 MW, entre 2011-2020. “2011 foi um ano forte e um sucesso. A previsão é de incremento de 30% para 2012”, afirmou.

Energia aeólica

O Brasil tem trocado experiências com a Espanha e Portugal, países que incrementam sua energia solar. A informação dada pelo diretor geral do Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, soma-se à precaução quanto à composição de uma matriz energética que garanta as fontes de biomassa (sazonal) com as eólica e solar (intermitentes) com as tradicionais.

“Só a eólica me preocupa, a complementação deve ser feita com as fontes fixas”, afirmou Chipp, ressaltando que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) precisa evoluir nesta modalidade de leilão, integrando a microgeração com o sistema.

Ao avaliar as regulamentações recentes para o setor de eólica, o diretor geral da ONS disse acreditar em avanços quanto a incentivos e redução de tarifa no uso do sistema. As resoluções normativas 481 e 482, ambas de 17/4/2012, deverão ser normatizadas até o final do ano.

O Nordeste brasileiro lidera em termos de fontes eólicas, seguido da região Sul. Localizadas em áreas nas quais a rede elétrica é fraca, conta com comportamento dinâmico para previsão de reposição de energia.

O Ceará já tem capacidade instalada alta, mas a previsão é que novos investidores entrem com projetos de parques eólicos até o final do ano e que sejam gerados 280 mil empregos verdes até 2020. Na Bahia, por exemplo, há a previsão de investimentos socioambientais da ordem de R$ 9 bilhões/ano.

Energia solar

A energia fotovoltaica experimentou forte expansão na Europa, devido à queda de preço de uma de suas principais matérias-primas, o silício, e também do valor médio de instalação, além da excessiva oferta de painéis. Alemanha e Itália são players líderes neste processo. Esta fonte somou mais 21 MW entre 2010-2011. Mas a conjuntura de crise revela que o mercado chinês vem se consolidando nesta brecha.

Pela Aneel, no Brasil, cresce o número de pedidos de outorgas em energia solar e aguardam-se novos leilões. Osvaldo Soliano, do Centro Brasileiro de Energia e Mudança do Clima (CBEM), alertou que há um mercado potencial até 2020 de 400-600 GW, de acordo com estudos da McKinsey, mas ressaltou desafios a serem superados:

  • Muito pouco deve acontecer, em 2012, neste setor;
  • Há incertezas quanto à redução de tarifas, o que retarda o crescimento do mercado;
  • É preciso definir as estratégias sobre a matriz energética e o papel das energias renováveis.