Sustentabilidade vem de fontes eólica, hidrelétrica e da biomassa, diz secretário do MME

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME

O Brasil tem muito a dizer no contexto da energia sustentável, pois tem uma matriz que resulta de política adotada nas ultimas décadas. “O país tem presença respeitada e é um exemplo em todo o mundo”, afirmou Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), em sua participação no 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante o painel “Energia no Contexto da Economia Sustentável”, Ventura Filho recordou que, no final da década de 70, era alta a dependência energética brasileira. “Importávamos quase 30% da energia produzida e o Brasil foi se tornando dependente de energia de outros países”, afirmou.

No final da década, período em que o Brasil consumia 50% de sua matriz energética a partir do petróleo, quase não havia gás natural naquele contexto. “O petróleo era barato e figurava um quadro chocante em relação ao desenvolvimento sustentável”, lembrou.

De acordo com o representante do MME, decisões estratégicas como a construção de grandes e médias usinas hidroelétricas pela Eletrobras, aliada à prospecção de petróleo no mar pela Petrobras e o Programa Pró-Álcool diminuíram a participação de combustíveis fósseis na matriz energética.

“Três fontes que contribuem para preservarmos e ampliarmos a sustentabilidade do setor energético brasileiro são hidro, eólica e biomassa. As demais têm um aspecto complementar”, afirmou o secretário, ao explicar que estas fontes mostram o resultado das politicas energéticas. “O país é um exemplo mundial reconhecido pela sua matriz energética competitiva e segura, em termos ambientais com baixa emissões”, atestou.

Altino Ventura Filho garante que todo o quadro energético essencial para o país tem sido feito com grande responsabilidade social. “Programas do governo levaram energia a quem não tinha. Quase 100% dos brasileiros têm acesso a ela atualmente”, sublinhou.

Inclusão social e agroenergia

Marcelo Alves Souza, representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, a Onudi (agência da ONU para fomento de utilização de energias renováveis no mundo), concorda que a inclusão social não acontece sem a oferta de energia para todos.

Ele apresentou um programa de agricultura de baixo carbono, que consiste em três objetivos com meta de redução de 1 bilhão de toneladas equivalentes de CO2. Deu ainda o exemplo de um condomínio de agroenergia no estado do Paraná, no qual um produtor de suínos consumia cerca de R$ 3 mil mensais em energia elétrica.

Com a geração de agroenergia para a agricultura familiar e ausência de passivos ambientais nas propriedades, houve a criação de pequenas indústrias de energia locais que vendem o excedente de energia – produzida sem passivos ambientais – para a concessionária. “É a bioenergia movimentando a indústria em locais isolados”, resumiu.