Governos me lembram década de 1980, diz Skaf sobre falta de inovação para a indústria

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de o governo estar caminho correto de simplificar processos e baratear os custos para a micro e pequena indústria, algumas instituições públicas ficaram paradas na década de 1980, afirmou nesta segunda-feira (26/05) o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf.

Ele participou da abertura do 9º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pelo Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp e do Ciesp. O evento segue até o final desta segunda-feira (26/05), no Hotel Renaissance, na capital paulista.

“O caminho é simplificar, baratear. Mas os governos, em certo ponto, ainda me lembram a década de 1980, enquanto a sociedade está em 2014. Há uma mentalidade, uma deficiência de inovação tecnológica que acaba atrapalhando, sem falar na falta de seriedade de algumas pessoas quando se fala em repartições que deveriam simplificar”, criticou Skaf  na abertura do MPI.

Skaf na abertura do MPI: “O caminho é simplificar, baratear”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Skaf na abertura do MPI: “O caminho é simplificar, baratear”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp rebateu ainda o mau uso da substituição tributária, mecanismo de arrecadação de tributos que atribui ao contribuinte a responsabilidade pelo pagamento do imposto devido por seu cliente.

Segundo Skaf, um organismo que foi criado para setores com poucos fornecedores e muitos clientes como forma de evitar a sonegação “se espalhou para todos os setores e, em vez de o pequeno ser mais competitivo, ele passa a ser menos porque está comprando mais caro”.

Congresso MPI

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Milton Bogus: MPI propõe debate sobre o ganho de produtividade das pequenas e micro indústrias. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A edição deste ano do MPI deve propor discussões sobre o ganho de produtividade das pequenas e micro empresas.  De acordo com o diretor do Dempi, Milton Bogus, ao menos 1.800 participantes se inscreveram no congresso.

“Isso mostra que a Fiesp tem atendido às reivindicações da micro e pequena indústria. Mas ainda precisamos inovar a gestão e a produção para gerarmos melhores resultados por meio de ganhos de produtividade nas empresas”, afirmou Bogus.

Motor de aquecimento

Representando a Frente Parlamentar em Defesa das Microempresas da Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Floriano Pesaro trouxe um tom menos otimista à abertura do MPI.

“A despeito do cenário atual não ser dos mais estimulantes para o setor, sabemos que a atitude do empreendedor é o motor de aquecimento do país, por isso deve-se continuar fomentando as políticas industriais de incentivo”, afirmou Pesaro.

Durante seu discurso, ele citou uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2013. Segundo o levantamento, houve um crescimento de apenas 2% no faturamento real já com desconto da inflação em comparação com o ano anterior.

“A maior alta foi representada pelo comércio, atingindo 4,3%. Em segundo lugar se encontra o [setor] de serviços, com 1%, entretanto a indústria teve economia reduzida em 1%, primeiro ano negativo de 2009”, disse Pesaro.