Florestas urbanas têm relação direta com qualidade de vida do ser humano

Agência Indusnet Fiesp,

O processo de urbanização é um desafio para as políticas públicas. Atualmente, 50% da população mundial concentra-se nas áreas urbanas; no Brasil, são 80% em áreas urbanizadas.

A ocupação teve característica predatória desde o começo: “A Mata Atlântica foi o primeiro bioma do Brasil que sofreu o impacto da colonização. São Paulo possuía 82% de cobertura com florestas; hoje, há 17,5% de vegetação nativa, sendo 9,5% de cerrado apenas”, segundo o panorama traçado por Rodrigo Victor, diretor geral do Instituto Florestal, ao debater os desafios das florestas urbanas, em painel da XII Semana de Meio Ambiente da Fiesp/Ciesp.

O que São Paulo tem de muito específico é o Cinturão Verde, em seu entorno, um universo complexo sem paralelos com outras metrópoles mundiais. Trata-se de um sistema que abrange 78 municípios das regiões metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista.

Por sua vez, as áreas da Bioesfera – sugeridas pela Unesco – somam 529 sítios em 105 países, diante do desafio da integração do desenvolvimento socioeconômico com a conservação ambiental.

No Brasil, há sete reservas: Amazônia Central, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Serra do Espinhaço, Mata Atlântica e o Cinturão Verde da RMSP. O Cinturão é essencial na manutenção do bem-estar humano, pois reúne as seguintes características:

  • É onde se produz 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, uma megaeconomia;
  • 23 milhões de habitantes, ou quase 15% da população do País, lá residem em um espaço de apenas dois milésimos do território nacional;
  • Concentra todos os oito sistemas de abastecimento de água da RMSP;

Há diversos bolsões de exclusão detectados.

A qualidade da água, por exemplo, é um reflexo claro de conexão com a preservação. No sistema Alto Cotia, plenamente florestada, existe a oferta da melhor água da região metropolitana quando a de Guarapiranga, vítima da ocupação urbana, apresenta péssima qualidade.

Filtros
As florestas urbanas também são auxiliares na regulação do clima, sequestrando o CO² da atmosfera e controlando enchentes. Elas funcionam como filtros ao reter material particulado em seus troncos e suas folhas.

Uma árvore pode transpirar até 400 litros de água por dia, o equivalente a um aparelho de ar-condicionado ligado 24 horas/dia, trabalhando naturalmente na regulação do calor e proporcionando conforto térmico a uma pessoa que se situa a até 10 metros dela, devido à transpiração que propicia um clima ameno.

Isso é fundamental. A Região Metropolitana de São Paulo tem as maiores ilhas de calor do mundo. Por isso, é possível observar uma variação de 12º Celsius no centro da cidade em comparação com as matas da Cantareira, exatamente na mesma hora do dia.

“É preciso lembrar que o Cinturão Verde tem importância ampliada, abrangendo os campos da educação, da cultura e do turismo”, disse Rodrigo Victor, diretor geral do Instituto Florestal, ao encerrar sua apresentação.

Laura Tetti, integrante do Conselho de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, fez um alerta para a delicada gestão da Biosfera e os problemas que acarreta. Já Francisco de Assis, representando a diretoria de Operações da Fundação para a Produção e Conservação Florestal, reforçou a ideia de trazer a comunidade científica e a própria população afetada para estas discussões.

A conclusão dos participantes é que uma questão tão complexa exige, acima de tudo, planos eficientes de manejo e uma boa articulação.