Integração lavoura-pecuária-floresta promete ganhos econômicos e ambientais

Agência Indusnet Fiesp

Reunião nesta sexta-feira (14 de setembro) do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), presidido por Jacyr Costa, teve como tema “Integração lavoura-pecuária-floresta”, conhecida pela sigla ILPF.

Renato Rodrigues, secretário de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa e presidente do conselho executivo da Rede ILPF, iniciou sua apresentação sobre o assunto explicando a dependência brasileira em relação à qualidade das pastagens para a competitividade da pecuária.

Há 178 milhões de hectares de pastagem no Brasil, com cerca de 50% com algum nível de degradação (abaixo de sua capacidade de lotação). A produtividade atual das pastagens cultivadas é de 32% a 34% de seu potencial. Elevar para 49% o índice já atenderia à demanda interna, afirmou.

O processo de degradação ao longo do tempo está ligado a causas como uso de sementes de baixa qualidade, práticas inadequadas de manejo, fatores como pragas e efeitos climáticos. Há perda de qualidade do solo, aumento das emissões por cabeça de emissões de gases do efeito estufa (por problemas na ruminação). A ILPF muda o quadro.

A ILPF é a grande revolução do século 21, afirmou. É, explicou, um pacote tecnológico completo, que visa à produção sustentável. Entre suas características estão o aumento do bem-estar animal, manutenção da biodiversidade, redução da sazonalidade da mão de obra no campo, maior geração de empregos diretos e indiretos e melhora da imagem do agronegócio. Pode, destacou Rodrigues, ser adotada em praticamente todos os portes de propriedades. E diminui a pressão por expansão de áreas cultivadas.

De 18,7 arrobas por hectare por ano da pecuária –de boa produtividade- atual, a ILPF permite passar para mais de 30 arrobas por hectares por ano já no primeiro ano de sua adoção, chegando a 40,6 arrobas por hectare no segundo ano.

A ILPF reduz em 20% o consumo de água por animais. A produção de 7 toneladas de palhada por hectare ajuda a manter a umidade do solo. Há redução de 99% na perda de solo e de 91% na perda de água. O estoque de carbono é aumentado em 8% na ILPF (contra perda de 4% na pecuária), e há redução de 50% na emissão de GEE.

De R$ 700 de lucro líquido de uma fazenda com boa aplicação de ILPF por hectare cai para R$ 1,78 por hectare para unidades ruins. A ILPF também reduz o risco para o produtor, graças à diversificação. Havia 11,5 milhões de hectares de ILPF em 2015, com a projeção de 15 milhões para 2018.

Há desafios para o produtor, como o gerenciamento de um sistema muito mais complexo do que ao que ele está habituado. A ILPF exige apoio, mão de obra qualificada (o que exige atualização das grades curriculares), extensão rural, modelo de crédito ajustado ao sistema.

Rodrigues mostrou o exemplo da fazenda Santa Brígida, que conseguiu sair de prejuízo de R$ 300 por hectare para lucro de R$ 3.000 por hectare.

A rede

A Rede ILPF surgiu em 2012 como parceria público-privada (PPP), em projeto de transferência de tecnologia, inicialmente com 3 empresas, passando a 5 em 2015. Entidade privada sem fins lucrativos, tem a Embrapa como sócia honorífica e encarregada de tocar os projetos.

Rodrigues citou o projeto Rural sustentável fase 2 do Cerrado, com a implementação de 300.000 hectares de ILPF, com diferentes características por região, pensada como ferramenta de desenvolvimento regional.

Reunião do Cosag sobre integração lavoura-pecuária-floresta, com a participação de Renato Rodrigues. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião do Cosag sobre integração lavoura-pecuária-floresta, com a participação de Renato Rodrigues. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Cadeia produtiva do papel e da comunicação reforça informação sobre florestas plantadas

Agência Indusnet Fiesp,

De Gutenberg à era da informação, dos tipos móveis ao teclado, é chegada a hora do esclarecimento junto à sociedade do conhecimento.

A rápida linha do tempo foi traçada por Mário César de Camargo, presidente da Associação Nacional da Indústria Gráfica (Abigraf), ao longo do lançamento da

Campanha de Valorização do Papel e da Comunicação Impressa
, nesta quinta-feira (24), na Fiesp.

Com o slogan “Imprimir é dar Vida”, representantes da cadeia produtiva do papel e da comunicação impressa têm a iniciativa de reforçar a origem de seu principal insumo.

“A indústria gráfica é instrumento de comunicação, da difusão do conhecimento. Nós somos instrumentos do desenvolvimento sustentável. Hoje, existe clara consciência de que o desenvolvimento não deve ser feito a custo da destruição do meio ambiente, pois este é um legado para as gerações futuras”, disse Camargo ao tratar da responsabilidade do setor.

Sobre o plantio, o presidente da Abigraf reforçou a necessidade de se esclarecer que a indústria gráfica não é elemento de poluição do planeta, pois o papel provém de florestas plantadas e “somos, assim, contribuintes efetivos na redução da carga de carbono. Temos impacto, mas também um importante crédito ambiental”.


Manejo
A retomada da imagem, não a impressa, mas a real, passa pelas florestas cultivadas de forma sustentável, segundo dados setoriais. O manejo permite manter grandes áreas plantadas, retirando significativa quantidade de CO² da atmosfera.

No País, essas florestas absorvem da atmosfera um bilhão de tonelada de carbono/ano, especialmente quando as árvores estão em crescimento, pois boas sequestradoras de carbono, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

Na raiz do problema há uma miopia cujo foco Camargo deseja ajustar: “O plantio de cana-de-açúcar (insumo do etanol) e da mandioca que chega às nossas mesas não é predador, tampouco as florestas cultivadas para a fabricação do papel.”

No mapa da cadeia produtiva do papel e da comunicação impressa há cerca de 83 mil empresas que, juntas, empregam 588 mil trabalhadores, com faturamento bruto de R$ 85 bilhões.


Brasil: líder mundial de papel e celulose
As florestas plantadas desenham um mosaico no País, convivendo ao lado de matas nativas e recuperando áreas subutilizadas ou degradadas pelo plantio da soja e do milho.Boa parte do solo brasileiro é favorável à produção de madeira, não só em função do clima, mas especialmente porque é pouco exigente em termos de fertilidade.

Nesse sentido, o papel não compete com os grãos. São 1,9 milhão de hectares de área plantada e 1,7 milhão de hectares de Mata Atlântica protegida.

A avaliação é de Sebastião Renato Valverde, professor do departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (MG). Durante o evento, ele reforçou o ambientalismo do papel em um país líder mundial em termos de produção de papel e celulose e com tecnologia invejável.

“As plantações florestais, no Brasil, são mais sustentáveis e competitivas, rendendo aproximadamente 50 metros cúbicos por hectare, quando a média dos competidores mundiais é de 4 ou 5”, informou.

O especialista listou outros potenciais do setor:

  • Capacidade de geração de empregos. A maior parte da atividade não é mecanizada por se encontrar em áreas de relevo difícil e decadente (com sulcos e erosões), e a operação manual é essencial.
  • Impacto ambiental minimizado, pois não há necessidade de desmatamento.
  • Melhoria da qualidade do ar. As florestas plantadas sequestram carbono.

Controle do efeito corrosivo do solo e regularização da vazão dos cursos d’água e dos mananciais.


Campanha palpável
Com exceção dos spots de rádio e as ações em ambiente virtual, como o hotsite, as demais peças da campanha publicitária incluem material palpável (leia-se impresso), tais como selo, anúncios, folhetos, press release e ações diretas, a publicação de uma cartilha.

Também foi sugerida uma mudança de conceito e de assinatura de e-mail, trocando o “pense, antes de imprimir” pelo “evite desperdícios, mas se precisar, imprima este e-mail tranquilo!”.

Foi divulgado, também, manifesto de apoio à campanha, assinado por cerca de vinte entidades da cadeia produtiva, com o peso de diversos segmentos: gráfico (embalagem, formulários, etiquetas etc.), celulose e papel, livros, revistas, máquinas e insumos e, ainda, publicidade, propaganda e marketing.

Assinam o documento: Abap, Abiea, Abemd, Abigraf, Abimaq, Abitim, Abpo, Abraform, Abrelivros, Abro, Abtcp, Abtg, Afeigraf, Anatec, Anave, Andipa, Aner, Bracelpa, CBL e Fiesp. Também se apresentou uma Carta de Princípios.

Veja aqui a íntegra da palestra do prof. Sebastião Renato Valverde.