Com aeroporto, Guarulhos foi o município brasileiro que mais cresceu nos últimos 100 anos

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento da infraestrutura é um dos maiores aliados do mercado da construção. E a cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, é uma prova disso. Para debater o assunto, foi realizada, na manhã desta quarta-feira (30/11), a reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra), com o tema “A Infraestrutura e o Mercado Imobiliário”. O encontro teve a participação do presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), Flavio Amary. E foi coordenado pelo presidente do Coinfra, Marcos Marinho Lutz.

“Obras de infraestrutura e investimentos em construção estão ligados”, disse Amary. “Todas as obras na área são muito importantes para nós”.

Em estudo realizado pelo Secovi sobre o assunto, Guarulhos, na Grande São Paulo, foi apontada como exemplo dessa tendência. “O aeroporto fez com que Guarulhos tivesse o maior percentual de crescimento de um município no país nos últimos 100 anos”, afirmou.

Tanto que, hoje, a cidade de Cumbica é a 13ª mais populosa do Brasil, com 1,3 milhão de habitantes, sendo ainda o 13º maior PIB municipal (R$ 49,3 bilhões) e o 13º município com a maior quantidade de domicílios particulares ocupados (360 mil).

“Temos hoje no Brasil quatro projetos de construção de aeroportos, o que sempre impacta o nosso setor”, explicou Amary.

Na contramão, Santos, no litoral paulista, hoje sofre com o excesso de expectativas em relação às obras do pré-sal, com a perspectiva de construção de uma sede da Petrobras no local. “Com isso, o mercado imobiliário alcançou um aumento de preços e oferta elevados entre 2010 e 2013”, disse o presidente do Secovi-SP.

Menos lançamentos

De acordo com Amary, São Paulo teve 24.687 unidades lançadas nos primeiros nove meses de 2015, para 15.727 no mesmo período de 2016. “Uma queda de 25%”, afirmou. “A nossa média de unidades lançadas era de 31,1 mil por ano na capital”.

Mesmo diante desse cenário, o foco dos empreendedores da construção está no futuro. “O importante é que a demanda seguirá forte”, afirmou. “Temos dados demográficos que provam isso”.

Entre esses dados, estão, por exemplo, os 300 mil divórcios registrados por ano no Brasil, o que leva à necessidade por uma nova residência. Ou o percentual de 11% dos domicílios com apenas um morador. “A família tradicional, formada por um casal com filhos, tem diminuído bastante”, explicou.

Assim, para atender a essas e a outras demandas, segundo Amary, será necessário um incremento de 14,5 milhões de unidades habitacionais até 2025 no Brasil. “Sendo o maior incremento para pessoas com renda até R$ 3 mil”, disse.

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A reunião do Coinfra: foco no futuro, com perspectivas de aumento na demanda por novos imóveis. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp