“Se as crianças não têm a chance de começar no esporte, como vão gostar?”, pergunta Emerson Fittipaldi

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

O ex-piloto de F-1 e Indy Emerson Fittipaldi, presidente do Conselho Superior do Esporte (Condesporto) da Fiesp, defendeu o acesso das crianças à iniciação esportiva durante reunião do grupo, nesta quarta-feira (2/9), na sede da entidade, para discutir a volta do esporte ao ensino público.

“Se as crianças não crescem no esporte ficam só no futebol, e daqui a 20 anos estaremos falando a mesma coisa. É um problema muito sério no Brasil, se as crianças não têm chance de começar o esporte, como vão gostar?”

O tema foi amplamente discutido por empresários, atletas e representantes de clubes esportivos de São Paulo, que, de forma unânime, acreditam que é preciso incluir efetivamente na grade escolar da rede pública a prática de diversas modalidades.

De acordo com o diretor da Divisão de Esporte Qualidade de Vida do Sesi-SP, Alexandre Pflug, a Educação Física é considerado um componente curricular, sem uma visão “esportivista”. “O aluno é colocado na escola para passar de ano e ir para uma universidade, não para fazer esporte”.

Ele explica que, dificilmente, em aulas de educação física, que, em geral, duram em média 45 minutos e são ministradas duas vezes por semana, será possível formar um atleta de alto rendimento. “No espaço de tempo curto, não dá para conseguir tirar da escola um atleta. E se há descoberta de um talento, não há pra onde encaminhar.”

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Reunião do Condesporto, presidido por Emerson Fittipaldi, para discutir volta do esporte ao ensino público. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A medalhista olímpica Maurren Maggi lembrou que foi na escola pública paulistana em que estudou, de 1984 a 1990, o início do aprendizado do esporte. “Isso desapareceu”, afirma. A atleta conta a dificuldade que tem para levar crianças à pratica do atletismo no projeto, com seu nome, que desenvolve. “Pego crianças de 7 a 12 anos de idade, que estudam, e levo para as pistas de atletismo. Tenho verba para atender mais de 1.500 crianças, é um projeto caro, mas estou sozinha. Temos crianças que querem praticar esporte, que é uma briga, e a política nossa não ajuda. Apoio zero é o que recebo”, desabafa.

A ex-jogadora Ana Moser, uma das maiores atacantes do voleibol brasileiro, também fala das dificuldades em estimular o esporte para as crianças: “É direito na Constituição, direito no ECA, todas as crianças – não só as melhores – terem acesso ao esporte, e a escola é universal. Então, teoricamente a educação física é universal. Mas não temos condições nem materiais, nem de professores, nem de cultura dentro da educação para que a prática aconteça realmente para todos”.

A atleta também lembra que a maioria dos professores, hoje, não praticou esporte em sua juventude. “Como vai ensinar se não tem a prática? Então a gente sofre pela falta de uma cultura esportiva”, diz.

Na reunião, Ana Moser citou a atuação do Grupo de Trabalho do Ministério dos Esportes, criado para discutir as propostas e elaborar o Projeto de Lei de Diretrizes e bases do Sistema Nacional do Esporte, o que seria o Plano Nacional do Esporte.

“Essa base parte da premissa de que o esporte deve chegar a todos, privilegiando a infância e adolescência, que é o período escolar. É direito previsto na Constituição e no ECA”, afirma.

Para José Montanaro Junior, assistente técnico de Esportes do Sesi-SP, o “esporte é um dos conteúdos da educação física e uma disciplina muito importante para o desenvolvimento da criança em todos os sentidos”

O atleta explica que a ideia de lutar para a volta do esporte nas escolas públicas, não tem o único objetivo de buscar campeões e potência olímpica. “Nosso objetivo é contribuir não só para buscar esse atleta diferenciado que vai representar o país, mas principalmente contagiar a criança, o adolescente, o adulto com os valores do esporte, que são respeito, disciplina, superação, trabalho em equipe. Isso é educação.”

Montanaro ressalta que o professor qualificado e treinado é peça fundamental para o projeto dar certo. “A um professor reconhecido, motivado, estimulado, valorizado pela sociedade, você pode dar um espaço mínimo, uma periferia, uma simples bola de pano e ele vai fazer a aula de educação física dele. Ele vai conseguir impregnar nas crianças o valor do esporte. É isso que a gente quer.”

Fiesp instala Conselho Superior do Desporto

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, participou da instalação do Conselho Superior do Desporto (Condesporto) nesta quinta-feira (9/4), em reunião liderada pelo presidente do órgão técnico da entidade, Emerson Fittipaldi, e pelo vice-presidente, Mário Frugiuele.

Coordenado pelo Instituto Roberto Simonsen (IRS), o Condesporto foi criado para debater, realizar estudos e propor políticas para estimular e promover o desenvolvimento sustentável e organizado do esporte no Brasil.

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Hortência Marcari, Emerson Fittipaldi, Paulo Skaf, Mario Frugiuele e João Paulo Diniz no lançamento do Condesporto. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Skaf enfatizou a importância da atuação do conselho no momento “delicado” pelo qual passa o país, em meio à crise política, econômica e hídrica.

“Tenho certeza de que, com cabeças brilhantes que temos aqui voluntariamente, vamos poder aprender e buscar novos caminhos e ter um papel diferenciado para tentarmos, no meio dessa confusão, encontrar caminhos para que o país não pare”, disse Skaf.

Durante a reunião, os conselheiros – esportistas, empresários e integrantes de outros conselhos da Fiesp – lembraram a dificuldade em aliar esporte à educação, sem que uma das atividades do atleta seja prejudicada. A falta de investimentos em outras modalidades do esporte além do futebol, também foi tema da primeira reunião do grupo.

Na ocasião, o diretor de Divisão de Esporte e Qualidade de Vida do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), Alexandre Pflug, apresentou os resultados do trabalho da entidade em relação à inclusão de jovens no esporte e os investimentos em atletas olímpicos e paraolímpicos.

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Emerson Fittipaldi e Hortência Marcari em primeira reunião do Condesporto. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Para Emerson Fittipaldi, “esse conselho que foi criado aqui hoje pela Fiesp fará um trabalho muito sério pelo esporte brasileiro, e de maneira muito efetiva”.

A ex-jogadora de basquete Hortência Marcari também é conselheira do Condesporto. Durante a reunião, ela garantiu que o conselho também deve atuar em prol da mulher no esporte.

“A gente tem que falar como esporte no geral, mas também tem um caminho que se refere à mulher. Eu acredito que a mulher no esporte mundial não é tão colocada no mesmo plano em que o homem. E a gente tem que brigar por isso também”.