Cai 28% número de financiamentos imobiliários

Agência Indusnet Fiesp

Houve queda de 28,3% no número de financiamentos imobiliários feitos com recursos do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2015 (de 633.100 unidades para 453.800). A retração foi ainda maior (33,9%, indo de R$ 92,976 bilhões para R$ 61,423 bilhões) no valor total financiado. A redução ficou concentrada no SBPE (perto de 50% tanto em valor quanto em número). No FGTS a baixa foi pequena. Especificamente no Estado de São Paulo, o número de unidades habitacionais financiadas com recursos do FGTS cresceu 4,3% nos oito primeiros meses do ano em relação ao mesmo intervalo de 2015, mas o valor das operações diminuiu 10%, para R$ 8,657 bilhões.

 

Se for mantida a evolução recente do mercado, o número de unidades financiadas no país em 2016 pode voltar a um patamar próximo ao de 2009, quando foram financiadas cerca de 600 mil unidades. O valor dos financiamentos pode cair para R$ 85 bilhões, nível 45,5% menor do que foi financiado em 2014, em termos nominais.  A evolução desfavorável da renda, do crédito e dos juros entre o primeiro semestre de 2014 e o primeiro semestre de 2016 deve reduzir o nível de atividade na cadeia imobiliária em cerca de 35%. Até o primeiro semestre deste ano, as atividades imobiliárias já haviam recuado 18,6% em relação ao observado no primeiro semestre de 2014, o que indica que pouco mais da metade do efeito esperado já foi observado. Assim, a tendência é de continuidade da queda acentuada nos próximos meses.

 

Fundos

A retração do crédito imobiliário deveu-se, sobretudo, à evolução das disponibilidades dos fundos que financiam o setor. Desde janeiro de 2015, a captação líquida das cadernetas de poupança tem sido negativa em razão do aumento de juros em outras aplicações e da queda da renda das famílias. Em 20 meses (de janeiro de 2015 até agosto de 2016), as cadernetas de poupança tiveram captação líquida negativa de R$ 89,3 bilhões. Mesmo considerando o retorno dos empréstimos, houve redução dos saldos, que passaram de R$ 522,3 bilhões em dezembro de 2014 para R$ 495,4 bilhões em 31 de agosto deste ano, segundo dados do Banco Central do Brasil.

A evolução dos fluxos do FGTS foi um pouco mais favorável que a das cadernetas de poupança, porque os depósitos no fundo são compulsórios e não são afetados por alterações nas taxas de juros da economia. Pesou mais o comportamento do mercado de trabalho, com aumento do desemprego e redução do ritmo de crescimento dos salários. Em 2016, até julho, os depósitos cresceram 5,9% em relação a igual período de 2015, enquanto os saques aumentaram 11,1%. Com isso, a arrecadação líquida mensal caiu de R$ 1,186 bilhão na média de janeiro a julho de 2015 para R$ 828 milhões na média de janeiro a julho de 2016.