Embrapii, segundo Marco Antônio Raupp, tem papel de catalisar crescimento de empresas brasileiras

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Para Marco Antonio Raupp, Embrapii é um catalizador (foto: Julia Moraes)

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, detalhou nesta sexta-feira (19/04), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os objetivos e metas da  Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), organismo criado recentemente pelo governo federal.

Raupp participou de uma reunião com o Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp, onde  explicou que a Embrapi visa dar apoio a projetos entre empresas nacionais e instituições de pesquisa, incentivando a inovação e a competitividade da indústria nacional.

“A Embrapii serve como catalizador para promover crescimento, aproximando empresas e institutos de pesquisa, gerando recursos humanos. As empresas utilizarão a infraestrutura laboratorial disponível. O grande objetivo é transformar o Brasil em uma sociedade inovadora. Ciência, tecnológica e inovação são eixos para a construção de uma sociedade sustentável”, disse Raupp.

É o início de um projeto que, segundo ele, pretende atuar principalmente no campo da pesquisa e desenvolvimento.

“Queremos aproveitar toda a infraestrutura que já existe para promover crescimento nas empresas brasileiras. A criação da empresa pressupõe uma governança de 50% do governo e 50% do setor privado. Queremos trabalhar com apoio da Fiesp e ao lado da sociedade civil”, disse. “A Embrapi terá recursos para investir em projetos. Temos um bilhão de reais disponíveis para um período de dois anos. Um terço do projeto será bancado pela iniciativa”, acrescentou.

Durante o encontro, o ministro apontou a falta de profissionais qualificados como um entrave para a inovação brasileira. “Precisamos de engenheiros, de cientistas, de gente. E para isso precisamos de investimentos em instituições de ensino e pesquisa, o que o governo já está fazendo”, afirmou. “O esforço de criarmos uma base científica e técnica é recente. Por anos, a educação técnica foi deixada de lado. A ciência brasileira viveu dentro de quatro paredes, sem contato com empresas. Tivemos muitas deficiências”, afirmou Raupp.

“Estou muito otimista em relação à forma como o tema está sendo tratado hoje no Brasil. O governo está, de fato, empenhado no tema. A Fiesp acredita que a inovação é a principal estratégia de competitividade para as empresas e o país”, afirmou Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente do Conic/ Fiesp, que coordenou o encontro.

Na reunião, a professora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EASP-FGV), Silvana Santos Pereira, fez uma breve apresentação em que apontou os principais desafios do Brasil na área de inovação.

Para a professora da FGV, o Brasil tem todas as condições de criar uma sociedade inovadora. Para isso, precisa adotar uma visão integradora e de colaboração entre os setores. “O problema da inovação e da competitividade exige de todas as organizações uma visão de integração. Precisamos deixar a fragmentação para trás. Precisamos aprender a trabalhar de forma colaborativa, como um conjunto. Além da desburocratização, precisa haver uma cooperação permanente entre governo, academia e empresas”, encerrou Pereira.

Indústria paulista cria 10 mil empregos em janeiro, mas sinais de recuperação ainda não são claros

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp

A indústria paulista criou 10 mil postos de trabalho em janeiro na comparação com o quadro de funcionários verificado em dezembro, mostrou pesquisa da Fiesp nesta terça-feira (19/02). O destaque do mês foi a contratação de ao menos dois mil empregados pelo setor de Máquinas e Equipamentos. Os números são positivos, mas ainda não mostram com clareza que a esperada recuperação do parque produtivo brasileiro vai acontecer este ano.

A avaliação foi feita pelo diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini, durante apresentação do Nível de Emprego do Estado de São Paulo, levantamento divulgado pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em coletiva de imprensa.

“Não nos dá nenhum sinal de euforia nem de pânico. Se comparamos o crescimento de janeiro 2013 com outros janeiros, vemos que ele está abaixo daquilo que tem sido nos anos anteriores, portanto, não dá pra afirmar que tenha sido um mês incentivador de uma recuperação que nós esperamos”, explicou Francini.

No acumulado de 2013, considerando ainda apenas o mês janeiro, a indústria paulista gerou 10 mil empregos, com uma variação positiva de 0,38%, mas demitiu 46 mil funcionários nos últimos 12 meses, o equivalente a uma queda de 1,75% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Do total de contratações ocorridas em janeiro, a indústria foi responsável pela criação de 11.835 vagas. Mas o setor de açúcar e álcool abateu o quadro ao eliminar 1.835 vagas, o equivalente a uma queda de 0,07% em comparação com dezembro.

“Tivemos um ano de 2012 um pouco anormal para o setor de açúcar e álcool, já que [a safra] prolongou-se além do tempo que normalmente ocorre e isso fez com que parte dela terminasse de ser colhida ainda no mês de janeiro”, esclareceu Francini. “Então, houve uma queda em função disso, mas ela é sazonal”, completou.

Sinal

O diretor da Fiesp afirmou que os 2.080 empregos criados pelo setor de Máquinas e Equipamentos em janeiro podem ser considerados como um “bom sinal”. Mas ponderou que vale aguardar comportamento do mercado de trabalho da indústria nos próximos meses para confirmar se o setor começa a “se mover de maneira positiva”.

“No final do ano passado, o BNDES já havia informado um aumento do número de consultas para aquisição de máquinas e equipamentos e isso pode ser um sinal de que aqueles comentários feitos na época estejam se fortificando como maior atividade do setor”, disse Francini sobre as contratações do segmento e janeiro. “Vamos aguardar o que o futuro nos reserva.”

A Fiesp estima que o emprego industrial deve encerrar o ano de 2013 com crescimento de 2% com relação a 2011. O prognóstico para o Produto Interno Bruto (PIB) é de uma expansão de 3% este ano.

“O ano de 2012 foi tão terrível. Perdemos quase 60 mil empregos da indústria de transformação de São Paulo. Repetir 2012 seria uma tragédia. Nós não queremos e não esperamos que aconteça isso”, concluiu Francini.

Setores e regiões

Dos setores cuja situação de emprego foi analisada no levantamento, 14 apresentaram efeitos positivos, três fecharam o mês em queda e cinco ficaram estáveis. O emprego no setor de Couros e Fabricação de Artigos de Couro, Viagem e Calçados registrou o crescimento mais expressivo com 3,2% em janeiro versus dezembro, seguido pelo bom desempenho da indústria de Produtos Têxteis, com 1,2%.

Já o emprego no segmento de Fabricação de Coque de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis registrou a queda mais significativa com 5,8% em janeiro contra dezembro. A indústria de Bebidas também encerrou o mês em baixa, com variação negativa de 0,6%.

A pesquisa da Fiesp mostrou ainda que das 36 regiões analisadas, 23 apresentaram quadro positivo, oito ficaram negativas e cinco regiões encerraram o mês estáveis.

Sertãozinho foi a cidade que apresentou a maior alta com taxa de 2,76% em janeiro, impulsionada por Produtos Alimentícios (2,53%) e Máquinas e Equipamentos (7,08%). A região de Franca registrou ganho de 2,49%, sob influência positiva dos setores de Artefatos de Couro e Calçados (4,66%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (2,80%). Enquanto Araçatuba subiu 2,31%, influenciada por Celulose, Papel e Produtos de Papel (4,87%) e Artefatos de Couro e Calçados (3,36%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para São João da Boa Vista, que computou a queda mais expressiva do mês com 1,28%, abatida pelas perdas em Produtos Alimentícios (-8,52%) e Confecções de Artigos do Vestuário (-3,70%). Presidente Prudente fechou o mês com baixa de 0,91%, pressionada pelo desempenho ruim dos setores de Produtos Minerais Não Metálicos (-8%) e Produtos Alimentícios (-0,76%). O emprego em São José do Rio Preto caiu 0,70%, com perdas mais expressivas em Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-11,99%) e Confecção de Artigos do Vestuário (-2,49%).